Bar e cozinha: 22 bares-restaurantes para comer e beber bem em São Paulo
Saiba quais são os endereços campeões e os participantes da categoria na edição especial de 30 anos de VEJA SÃO PAULO COMER & BEBER
Um lugar descontraído para uma refeição, onde a bebida é tão importante quanto a comida. Assim são os bares-restaurantes, que têm caprichadas versões na cidade.
Entre eles está o Broca, eleito o Melhor Bar-Restaurante por VEJA SÃO PAULO COMER & BEBER. Ali, não há distinção entre pratos principais e aperitivos, e as receitas são cheias de sabor.
Veja, a seguir, as melhores sugestões da capital paulista.
Confira os vencedores e participantes estrelados:
1º Broca
Ladeadas por uma cozinha aberta, as mesas do salão costumam estar sempre lotadas, assim como as do quintal com jabuticabeira e chão de caquinhos. O sucesso se deve ao cardápio do chef paulistano Cadu Evangelisti, que seduz os convivas ali desde 2024 com receitas apinhadas de sabor e influências de diferentes culinárias do mundo, ou do Brasil, sem distingui-las entre entradas e pratos principais. Um bom bocado é a base de mandioca com saladinha de camarão (R$ 62,00), que levou o prêmio de Melhor Petisco em 2025 por VEJA SÃO PAULO COMER & BEBER.
O visitante não cai no marasmo porque há sempre alguma novidade. As almôndegas de frango, um tanto compactas e salpicadas de rodelinhas cruas de quiabo e pipoca de arroz e banhadas por um caldo ácido de tamarindo e molho de peixe, já não estão mais no menu, expedido por uma equipe de talento. Mas a ótima berinjela passada na brasa (R$ 58,00), com homus de amendoim, vinagrete de romã e dukkah de pistache, para comer com pão, felizmente permanece e faz a felicidade de veganos e não veganos. O prato ajudou a casa a conquistar a quarta estrela por este guia, assim como o chifa wok (R$ 72,00), de lula e copa-lombo salteados em um intenso molho de pimenta ají panca e vinho chinês, com cebola-roxa e coentro.
Uma tigelinha de arroz japonês ajuda a balancear os sabores intensos do prato. A caipi broca (R$ 44,00), mistura de cachaça envelhecida em jequitibá, limãotaiti e xarope de jabuticaba (do quintal) e gengibre, tem mais jeito de refresco alcoólico do que de uma variação do clássico nacional. Além dos drinques, acompanham as mastigadas cervejas (a partir de R$ 15,00 a long neck) e uma seleção de vinhos, como o lusitano Morgado do Quintão Clarete (R$ 260,00), da uva negra mole.
Avaliação: ÓTIMO (✪✪✪✪)
Rua Aspicuelta, 429, Vila Madalena, ☎ e 91467- 3037 (90 lugares). 12h/15h e 19h/23h30 (qui. a sáb. sem intervalo; dom. até 18h; fecha seg.). ⑥ (R$ 80,00) → Aberto em 2024.
Tem clima de badalação uma refeição no bar-restaurante da chef Janaína Torres. Do salão confortável e ruidoso, é possível ver o movimento daquele pedaço embaixo do Copan, onde ela começou a se embrenhar há quase vinte anos. Enquanto não abre seus já anunciados novos projetos — o À Brasileira e o restaurante Estrela da Cidade —, a cozinheira concentra suas forças aqui, com um cardápio de clássicos brasileiros feito com apuro pela equipe treinada por ela.
A primeira boa impressão é dada pela coxinha de galinha caipira (R$ 46,00), sem invenções desnecessárias, a não ser uma calda de catupiry para molhar. Outro clássico que a acompanha desde o início do bar é o picadinho de coração de alcatra (R$ 101,00), em um molho denso da carne, servido com arroz, feijão, ovo, pastel e tartare de banana. Prato que não deve ser renegado, a dobradinha brilha num ensopado com feijão-quarentão branco, paio e legumes (R$ 91,00). A animação do público é reforçada pelas caipirinhas (a partir de R$ 44,00), um sucesso.
Avaliação: ÓTIMO (✪✪✪✪)
Avenida Ipiranga, 200 (Edifício Copan), centro, ① República, ☎ 3257- 2016 (110 lugares). 12h/23h (dom. até 17h). ⑥ (R$ 80,00). → Aberto em 2008.
É um refúgio na agitada Rua Jesuíno Pascoal. Em clima cheio de informalidade, o público se esparrama pelo arejado salão com cadeiras escolares e avança até a calçada. As receitas são da sócia Katia Lyra, que se apoia na cozinha brasileira de jeito caseiro e pitadas de outras culinárias. Tem nome de sertão ao saara (R$ 70,00) a versão da shakshuka, molho de tomate bem temperado, no qual são cozidos ovos, típico do norte da África. Aqui, ganha toque nordestino ao ser acompanhada de cubos de carne de sol e cuscuz de milho soltinho, além de uma colherada de coalhada de leite de cabra.
Segue a mesma linha “lá e cá” o arroz atomatado de linguiça, levemente picante, com agrião, kimchi de cebolinha e creme azedo, servido com chips de mandioca (R$ 65,00). A galinhada (R$ 62,00) segue um sucesso. Aperitivo sem ingredientes de origem animal, a tostada de pupunha — duas tortilhas de milho fritas cobertas de tutu de feijão-vermelho, palmito pupunha, picles de cebola-roxa e ervas (R$ 37,00) — tem um bom jogo de texturas, mas às vezes vem carregada no limão.
A carta de coquetéis foi reformulada e ganhou sugestões como o hi-fi (R$ 41,00), de cachaça, soda de cenoura com tangerina e licor triple sec, que lembra o clássico de mesmo nome. A casa tem sócios em comum com a Cervejaria Central (Rua Sousa Lima, 5, Barra Funda).
Avaliação: ÓTIMO (✪✪✪✪)
Rua Jesuíno Pascoal, 35, Vila Buarque, ① Santa Cecília, ☎ 97867-9835 (40 lugares). 18h/23h (sáb. a partir das 13h; dom. 13h/21h; fecha seg. e ter.). ⑥(R$ 80,00) → Aberto em 2023.
Confira os estabelecimentos participantes:
O restaurateur Ipe Moraes, do Bar Europa, indicado no COMER & BEBER como Bar Revelação, sabe bem montar endereços que mesclam a atmosfera de bar e restaurante. O mais bem-sucedido caso é o Adega Santiago, que se espalhou em quatro unidades, três delas na capital paulista, sem contar o Adega Asador (Shops Jardins, ☎ 3198-8258), dedicado a grelhados. As receitas de petiscos e pratos são ibéricas, a exemplo do arroz de pato de grãos soltinhos (R$ 146,00; R$ 99,00 a meia-porção). Para beber tem vinhos portugueses, caso do tinto Quinta dos Murças Margem (R$ 286,00).
Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Doutor Melo Alves, 728, Jardim Paulista, ☎ 3061-3323 (60 lugares). 12h/15h e 18h/23h (sex. e sáb. 12h/0h; dom. 12h/22h). ⑥ (R$ 135,00). Mais três endereços. Aberto em 2006.
É o reduto boêmio-gastronômico concebido pela Cia. Tradicional de Comércio. Hoje, com cinco endereços, o Astor tenta conjugar nostalgia e modernidade em todos os ambientes, assim como nos cardápios, com espaço para petiscos dos mais prosaicos aos pratos mais elaborados.
Sucesso desde os velhos tempos, o picadinho (R$ 109,00) traz filé-mignon num molho rôti saboroso junto de arroz, caldo de feijão, banana à milanesa, farofa, ovo frito e pastéis de queijo. O chope (R$ 17,00) é um dos melhores da cidade, mas vale ser trocado por um coquetel clássico, sobretudo se você estiver na matriz, na Vila Madalena, onde o bartender Pereira dá expediente desde a fundação. O ponto negativo vai para o serviço, que já teve dias muito melhores.
Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Delfina, 163, Vila Madalena, ☎ 5555-2351 (155 lugares). 12h/23h (ter. e qua. até 0h; qui. até 1h; sex. e sáb. até 1h30; dom. até 20h). ⑥ (R$ 80,00). Mais quatro endereços. Aberto em 2001.
Montado em uma travessa pouco movimentada da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, o bar- -restaurante foi virando um ímã de casais. O balcão, pelo formato tortuoso, permite que as duplas fiquem mais pertinho, mesma vocação das mesinhas encimadas por luminárias. Antes mais voltado ao lusitano, o cardápio do chef Paulo Maia ganha cores mais variadas.
É caprichado o escabeche de mexilhões (R$ 56,00), macios e com toque de páprica, servido com aïoli. O sanduíche de língua fria em fatias finas no pão da casa ganha o complemento de molho gribiche com maionese, ovo cozido e alcaparra (R$ 52,00). O setor etílico fica sob a batuta da bartender Nathalia Sanches, que montou a carta autoral e também indica clássicos como o bloody mary (R$ 56,00).
Avaliação: ÓTIMO (✪✪✪✪)
Rua Osório Duque Estrada, 41, Paraíso, ☎ e 99787-0927 (120 lugares). 18h/0h (qui. a sáb. até 1h; fecha dom.). ⑥ (R$ 140,00). → Aberto em 2023.
A cozinha italiana é a espinha dorsal do bar-restaurante inaugurado em novembro de 2025 em uma esquina do Jardim Paulistano — no mesmo bairro, o restaurateur Ipe Moraes, associado ao grupo Graal, toca ainda o Casa Europa, o Adega Santiago e o Taberna 474. Nas noites mais agitadas, parte do público curte beber em frente ao imóvel que do lado de dentro, que apresenta ladrilhos avermelhados e iluminação suave. Massas como o agnolotti dal plin (recheado de carnes bovina e suína; R$ 95,00), ao molho demi-glace, e o fettuccine com um untuoso bolonhesa (R$ 92,00) conquistam os frequentadores.
Mas o maior sucesso sai do grande forno que chama a atenção no térreo: pizzas individuais de bordas altas, como a cavolo (molho de tomate, muçarela fior di latte, couve cavolo nero e sobrasada; R$ 115,00; R$ 99,00 no almoço de segunda a quinta). A receita é do consultor Deco Lima, da rede Bráz. O brinde é feito com vinhos, boa parte oferecida também em taça (a partir de R$ 36,00), e bons coquetéis de Vini Lopes, entre eles o potente matilde (brandy, manzanilla, vermute seco e alquermes; R$ 49,00).
Avaliação: ÓTIMO (✪✪✪✪)
Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 1333, Jardim Paulistano, ☎ e 3086-3001 (84 lugares). 12h/23h (seg. e ter., 12h/15h e 18h/23h; dom. até 22h). ⑥ (R$ 135,00) → Aberto em 2025.
O chef Oscar Bosch, que atrai multidões no Bodega Pepito desde a abertura, em dezembro de 2025, costuma dizer que o bar-restaurante tem um pé nos botecos brasileiros e o outro nas bodegas espanholas. Mas, com receitas cosmopolitas, as influências passam ainda por tascas portuguesas, osterias italianas, casas de mezes libanesas… Sagaz, o cozinheiro (sócio também dos endereços Tanit, Nit, Cala del Tanit, Mooi Mooi e Marmotta Pasta Bar) faz um delicioso bocado apelidado de telefone sem fio (no cardápio está o telefono, mas o chef catalão jura que se fala em português).
Trata-se do casamento do bolinho de arroz italiano com o steak tartare. Os famosos arancini, aqui de risoto de açafrão, são achatados e fritos até ficarem dourados e crocantes. Por cima dessa base pelando, vai uma colherada de filé-mignon cru picadinho com gema, mostarda, alcaparra e pimentas. Um chuvisco de queijo Tulha ralado arremata o canapé (que é diferente do acepipe romano, o supplì al telefono, no qual a muçarela vai na massa de arroz e estica como um fio).
Com uma bela confluência de sabores, texturas e temperaturas, o bocado (R$ 48,00 a dupla) leva o prêmio de Melhor Petisco de 2026 por VEJA SÃO PAULO COMER & BEBER. O menu permite seguir nos ótimos beliscos ou partir para pratos, como o cordeiro desfiado crocante com coalhada de ovelha, azeite de zátar e fritas fininhas por cima (R$ 92,00). Sempre animado, o público acompanha as refeições com cerca de cinquenta rótulos de vinhos e chope Heineken (R$ 20,00).
Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua dos Pinheiros, 320, Pinheiros, ① Fradique Coutinho, ☎ 94313-1569 (60 lugares). 12h/15h e 18h/23h30 (sex. até 0h; sáb. sem intervalo até 0h; dom. 12h/17h; fecha seg.). ⑥ (R$ 120,00) → Aberto em 2025.
Com um charmoso jeito de sanduicheria de bairro, o lugar, aberto em setembro de 2025, virou um ponto de encontro de gente de Mirandópolis. A chef Isabela Cordaro prepara a massa que serve de base para as focaccias dos seis panini. Um deles é o de abobrinha marinada e grelhada, hortelã e limão, muçarela, toque de gorgonzola e manjericão (R$ 35,00).
Também fazem salivar petiscos como os suppli al telefono (R$ 25,00, quatro unidades), bolinhos de risoto de tomate recheados de muçarela. Enquanto a esposa fica na cozinha, Alexandre Miranda cuida de atender as mesas de metal pintadas de vermelho, sobretudo na calçada, onde serve vinhos de bom custo-benefício, caso do branco natural argentino Vamos de Parranda 2024, feito com criolla blanca (R$ 25,00 a taça; R$ 108,00 a garrafa).
Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua das Orquídeas, 622, Mirandópolis, ☎ 97813-8323 (6 lugares). 18h/22h (sáb. a partir das 14h; dom. 14h/20h; fecha seg. e ter.). Aberto em 2025.
Mesmo repleto de referências a botequins, o Curado tem cardápio e ambiente de fino trato. Aberto em janeiro de 2026, virou queridinho do público da Faria Lima acima dos 30 anos. Um dos porquês é a lista de receitas do chef-executivo Filipe Duarte, que prepara uma delicinha chamada batatonese de polvo (R$ 89,00). Sobre o prato, são dispostas a salada de batata com maionese (“receita da minha mãe”, diz o cozinheiro), pedaços de polvo ao vinagrete (“a ‘proteína’ com que eu mais trabalhei na vida”), batata (de novo) em purê e em cubinhos cozidos, mais maionese, picles de salsão e de cebola, azeite verde e um ovo frito com a gema cremosa e amarelona por cima.
Com auxílio de um garfo e uma colher, o garçom mistura tudo, fazendo um amálgama que não é exatamente estético, mas fresquinho no paladar. É a nova versão dos ovos mexidos dos bares de tapas espanhóis, mas mais incrementado. À moda dos pés-sujos, os visitantes bebericam cerveja em cascos de 600 mililitros (desde R$ 22,00) e drinques como o sofia na bahia (R$ 48,00), de cachaça, seriguela, gengibre e especiarias.
Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Professor Carlos de Carvalho, 113, Itaim Bibi, ☎ 94120-2280 (135 lugares). 17h/23h (sáb. a partir das 12h; fecha dom. e seg.). → Aberto em 2026.
Com bandeiras de diferentes países penduradas no teto, o galpão foi fundado por dona Felicidade Bastos (1925-2022) e hoje é comandado pelos filhos Sergio e Toninho, que também tocam o Tiro Liro (Rua Cotoxó, 1185, Perdizes, ☎ 3868-3551). O público, boa parte acima dos 50 anos, compartilha uma refeição animada, que pode começar com uma porção de polenta frita bem moreninha salpicada de queijo parmesão (R$ 38,00) ou com o ótimo bolinho de bacalhau (R$ 14,00 a unidade). O espeto misto (R$ 210,00, para duas pessoas) é composto de linguiça, frango e picanha passados pela brasa junto de tomate e cebola igualmente chamuscados. A caipirinha (R$ 34,00) costuma ter boa saída.
Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Tito, 21, Vila Romana, ☎ 3864-3866 (140 lugares). 12h/22h (sáb. e dom. até 17h; fecha seg.). ⑥ (R$ 60,00). → Aberto em 1996.
O bar é adorado pelo público faria limer. Se os almoços têm clima mais corporativo, as noites sediam calorosas muvucas em frente, sobretudo na happy hour de quinta e aos sábados. Os garçons, com a simpatia da velha guarda, passeiam pela calçada e pelo salão rústico-arrumadinho com chopes (R$ 19,60). A carta de vinhos exibe escolhas sobretudo portuguesas, e a seleção de drinques é para quem não liga de pagar R$ 67,00 por um gim-tônica. Os croquetes de pato (R$ 62,00, quatro) se revelam saborosos e sequinhos, mesmo com a carne muito processada. Delicioso em sua simplicidade, o quarteto de sardinhas (R$ 92,00) passa pelo forno regado de azeite.
Avaliação: BOM (✪✪✪)
Avenida Horácio Láfer, 634, Itaim Bibi, ☎ 3078-7748 (90 lugares). 12h/15h e 17h30/23h (ter. a qui. jantar até 0h; sex. e sáb. sem intervalo até 0h; dom. 12h/20h). ⑥ (R$ 200,00). → Aberto em 1998.
Em um bar pequeno e de decoração simples — uma pintura de serpente percorre as paredes —, a cozinha é o chamariz. Com experiência de cinco anos no Jiquitaia e outros cinco no extinto Epice, José Roberto Félix Jr., um dos sócios do bar, é quem cuida do menu enxuto. Chama a atenção em particular uma receita vegetariana cheia de sabor: a acelga na brasa com missô e farofa de milho (R$ 31,00). As folhas da verdura passam pela brasa até ficarem com as bordas levemente chamuscadas e recebem um molho delicado de pasta de soja fermentada com vinagre de arroz, que a elevam a um novo patamar de sabor. Para arrematar com um pouco de textura, é disposta sobre a verdura uma farofinha feita com uma boa farinha de milho em flocos trazida de Lindoia (SP). O mesmo complemento pode ser uma guarnição de espetos como o de coração de frango ao curry (R$ 18,00). Drinques clássicos e bem brasileiros, como o caju-amigo (R$ 40,00), fazem parte do programa.
Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Barão de Tatuí, 390, Santa Cecília. Não tem telefone (40 lugares). 18h/23h (sáb. a partir das 12h; dom. 12h/16h30; fecha seg. e ter.). ⑥(R$ 50,00). Aberto em 2026.
Com jeito de restaurante-miniatura, possui um salão com mesas próximas umas das outras, rodeadas de prateleiras de livros. Ainda que tenha mudado de chef pelo menos quatro vezes desde a abertura, em 2021, a cozinha não perde o fôlego. O cardápio é curto, com cerca de uma dezena de itens, e segue a linha sazonal. Mais povoada, a área chamada de tapas tem espaço para o bom frango frito (R$ 40,00), pedaços de sobrecoxa empanados em uma massa sequinha. Embora sempre presente, o petisco ganha complementos e novas versões, como a 2.0 (R$ 52,00), com coalhada seca temperada com mostarda ancienne e jus de frango. Vez ou outra surge entre os pratos o cavatelli alla nerano (R$ 68,00), em que a massa ganha a graça de abobrinha, queijo pecorino e pistache. Muito bom, o coquetel old galo (R$ 44,00) mescla cachaça envelhecida, vermute tinto, cumari e Amaro Ramazzotti e é passado em manteiga de garrafa.
Avaliação: ÓTIMO (✪✪✪✪)
Abre um domingo por mês, normalmente o último. Rua Guiará, 376, Pompeia. Não tem telefone (30 lugares). 18h/23h (sáb. a partir das 12h; fecha dom. a ter.). ⑥ (R$ 80,00). Aberto em 2021.
Ao som de pop e black dos anos 2010, o espaço rústico recebe um público de 30 e poucos anos que trabalha ou circula na região. Sócio da casa, o chef Gabriel de Lucca prepara receitas que evidenciam os ingredientes nacionais sem cair na obviedade. Os takoyaki de bobó (R$ 64,00, seis unidades) são inspirados nos bolinhos japoneses de polvo, com casquinha ao redor do interior cremoso, mas com a adição de camarão e mandioca à massa. O petisco é lambuzado de uma redução de tucupi preto, molho de tamarindo, melado de cana e maionese japonesa e salpicado de lascas de peixe seco e castanha-do-pará.
Da seção de pratos principais, a mariscada (R$ 92,00), com lula, marisco e peixe, que pode ser o carapau, e sem o camarão anunciado no menu, vem numa emulsão de frutos do mar com manteiga, farofinha de panko e castanha e coentro. É escoltada por um arroz pérola verdinho tingido de couve, meio grudento. O bartender Mauro Melo, que chegou à casa há um ano, segue a mesma linha na carta de drinques autorais. Ele manda muito bem em misturas como o banana shake (R$ 40,00), de cachaça com amendoim, especiarias e banana, tudo clarificado com sorvete de cumaru e coberto de uma docinha espuma da fruta. Pela qualidade da cozinha, que neste ano ganhou o apoio de uma carta de drinques à altura, a casa ganha mais uma estrela de VEJA SÃO PAULO COMER & BEBER.
Avaliação: ÓTIMO (✪✪✪✪)
Rua Cunha Gago, 625, Pinheiros, ① Faria Lima, ☎ e 3819-4990 (140 lugares). 12h/15h e 18h/23h (seg. só almoço; qui. jantar até 0h; sex. jantar até 1h; sáb. 12h45/2h; fecha dom.). ⑥ (R$ 50,00). → Aberto em 2023.
Na profusão de endereços gastronômicos da chef Renata Vanzetto e seu grupo EME, este é o mais antigo em funcionamento — completa uma década em novembro. A atmosfera segue badalada, com a galera a ocupar o espaço de iluminação avermelhada. Uma seção do menu é focada no peixe cru ou marinado, mas às vezes pode estar desfalcada. O crudo de atum (R$ 96,00), que, se você estiver com fome, é melhor não compartilhar, traz as fatias do peixe com molho mexicano, emulsão de abacate com coentro, milho tostado e cebola-roxa, com nachos à parte. Cervejas long neck (a partir de R$ 15,00) e drinques lubrificam os papos. No subsolo, o bar Mé é um pequeno espaço mais reservado para eventos.
Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Bela Cintra, 1551, Jardim Paulista, ☎ e 98232-7677 (90 lugares). 18h/0h (sáb. a partir das 13h; fecha dom. e seg.). ⑥ (R$ 90,00). → Aberto em 2016.
Agora não é apenas um, mas são dois os endereços do NoBar, abertos pelo chef Gustavo Rozzino. A matriz fica no ponto que foi de um pésujo na Rua Guarará, e a filial, menorzinha, aberta em 2025, ocupa o imóvel deixado pela extinta confeitaria de Carole Crema. Prateleiras espelhadas com garrafas dão todo o ar de botequim, e o bom cardápio de petiscos, sanduíches e pratos evoca a personalidade de restaurante. Cortes como o bife ancho (R$ 125,00) vêm da churrasqueira na unidade mais nova. Pedidos à parte, os acompanhamentos são fartos, entre eles a farofa tostadinha de banana e farinha de mandioca (R$ 29,00). Na unidade pioneira, o bife ancho é passado pela chapa e acompanhado de arroz biro-biro, farofa, fritas e vinagrete (R$ 119,00). Para beber, mais garantido ir de cerveja gelada (a partir de R$ 19,00, 600 mililitros) ou chope (R$ 13,90).
Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Guarará, 212, Jardim Paulista. Não tem telefone (50 lugares). 12h/23h (dom. até 19h; fecha seg.). ⑥ (R$ 75,00); Rua da Consolação, 3161, Cerqueira César, ☎ 99214-6934 (36 lugares). 12h/23h (dom. 12h/19h; fecha seg.). ⑥ (R$ 75,00). Aberto em 2023.
Pequeno, o salão de tijolos pintados de branco recebe, desde outubro de 2026, um público ávido por receitas do mar que não pesam tanto no bolso preparadas pelo chef gaúcho Juan Pilotto, que antes vendia suas receitas em um food truck. Em clima boêmio, a turma prova as ostras de Santa Catarina (R$ 55,00 o quarteto) cobertas de tomate ralado com limão, gengibre, pimenta e coentro. O frito misto (R$ 46,00) muda conforme a oferta do dia e pode reunir dourado, camarão-rosa, bolinho de peixe e folha peixinho-da-horta, com empanados mais grossinhos. Uma boa sugestão é a casquinha de siri (R$ 52,00), de carne do crustáceo em creme de mandioca com camarão seco e azeite de dendê, finalizada com farofa de broa de milho. Vem com um fundamental molho lambão, o vinagrete da casa. Na carta de bebidas, apesar dos drinques, o vinho parece ser a melhor escolha. São cerca de seis rótulos rotativos, entre eles o argentino Riccitelli This Is Not Another Lovely Torrontes 2025 (R$ 190,00).
Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Sousa Lima, 299, Barra Funda. Não tem telefone (20 lugares). 19h/22h30 (sáb. 13h/22h; dom. 12h/17h; fecha seg. a qui.). → Aberto em 2025
A chef Dadis Vilas Boas atrai, desde setembro de 2025, uma clientela para a rua com nada de badalação. A razão? As receitas de bom tempero e de boas combinações de ingredientes, sobretudo nacionais. No salão com telhas à mostra, as mesinhas vão se enchendo de delícias que vêm da cozinha aberta: escabeche de sururu com creme de feijão-branco (R$ 34,00) e beef tataki de alcatra selada temperada ao molho ponzu de tucupi, emulsão de batata e aliche e gema marinada (R$ 52,00). O brinde é feito com drinques de inspiração brasileira, como o bombeirinho de cachaça branca com xarope de açaí e amora (R$ 27,00). Os vinhos são selecionados pela sommelière Andrea Vilas Boas, irmã gêmea de Dadis, do bar Suei (a partir de R$ 98,00 a garrafa). Há ainda cervejas (a partir de R$ 21,00, 600 mililitros).
Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Félix Della Rosa, 86, Vila Anglo Brasileira, ☎ 96705- 8173 (44 lugares). 19h30/23h (sáb. a partir das 18h30; fecha dom. a ter.). ⑥ (a partir de R$ 80,00). → Aberto em 2025.
Em uma esquina do Jardim Paulistano, onde quase não há bares ou restaurantes, o Taberna 474 junta esses dois mundos. O salão confortável, com um quê rústico, recebe almoços e jantares animados, assim como o Adega Santiago, que pertence aos mesmos donos. A cozinha é, sobretudo, portuguesa, e os preços não são de botequim. O bacalhau à 474 vem na forma de uma posta que se desfaz facilmente em lascas do Gadus morrhua com cebola caramelada, que dá o toque docinho, espinafre, batata rústica e ovo cozido (R$ 193,00). Clássico de Lisboa, o bife à marrare encontra sua versão na casa: o medalhão de filé-mignon ganha bastante molho de creme de leite e vinho do Porto, ótimo para deixar a batata frita repousar por uns instantes (R$ 129,00). Antes, vale petiscar algo do balcão frio. Para beber, há boas opções de vinhos sugeridos pelo sommelier Rodrigo Novaes.
Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Maria Carolina, 474, Jardim Paulistano, ☎ 3064-4291 (82 lugares). 12h/15h e 18h/23h30. ⑥ (a partir de R$ 134,00). → Aberto em 2011.
Recentemente, a casa recuperou o “bar” que havia sido extirpado do nome tempos atrás. Depois da passagem veloz de Ana Cremonezi pela cozinha, o cardápio voltou a abrigar tradicionais pratos espanhóis e portugueses, com algumas inclusões italianas e de outras culinárias, mas sempre com viés tradicional. É o caso do arroz de pato, feito com grãos do tipo bomba e lascas da ave num caldo cheio de sabor, com um ovo de gema mole empanado por cima (R$ 99,00).
O bacalhau ganha certo destaque com cinco sugestões no menu, sem contar os bolinhos redondinhos, com bastante pescado no purê de batata, crocantes, dourados e sequinhos (R$ 79,00, cinco unidades). Chegam com mimos: uma fatia de limão-siciliano grelhada e azeitonas pretas e verdes. O molho de pimenta da casa deixa o quitute ainda mais especial. “Cerejudo”, o cherry collins (R$ 49,00), de gim, néctar de cereja fresca, licor marasquino e Bares Comer & Beber são Paulo 2026/2027 183 jerez cream, é uma das criações do talentoso bartender Laércio Zulu. Além da atraente unidade, em uma arejada casa dos Jardins, o estabelecimento, dos mesmos donos do Boteco São Bento e São Conrado, ganhou uma filial no MorumbiShopping.
Avaliação: ÓTIMO (✪✪✪✪)
Rua Padre João Manuel, 1156, Jardim Paulista, ☎ 3167-7774 (120 lugares). 12h/0h (dom. e seg. até 22h). ⑥ (R$ 150,00). →; MorumbiShopping, ☎ 3167- 7774. 12h/15h e 18h/22h (sex. até 23h; sáb. 12h/23h; dom. 18h/22h). → Aberto em 2019.
Mosaico de cerâmica branca no chão e caixotes com plantas (às vezes, murchas) decoram o endereço, que tem sócios em comum com o bar Ó pro Cê Vê, finalista em Melhor Boteco, lá pertinho. Se o vizinho tem personalidade marcadamente mineira, o Xepa tem encontrado seu caminho. Há quem apareça mais para bebericar um drinque do bartender Diogo Sevilio, como o leve azedim tônica (licor de cascas de cítricos e água tônica; R$ 28,00). E tem frequentadores que vão mais atrás dos pratos, entre eles o baby beef na parrilla ao lado de macarrão com cogumelos trifolati e manteiga noisette (R$ 75,00). Mas a visita vale mesmo pelos deliciosos hambúrgueres, uma especialidade do sócio Lierson Mattenhauer Jr. O canalha (R$ 69,00) é um disco de 180 gramas de carne que sai da churrasqueira e vai ao pão de batata com gorgonzola, bacon e geleia de jalapeño. Ao lado, uma montanha de fritas da casa.
Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Jaguaribe, 529, Santa Cecília, ① Santa Cecília, ☎ e 97575- 2543 (100 lugares). 18h/23h (sex. e sáb. a partir das 12h; dom. 12h/22h; fecha seg. e ter.). ⑥ (R$ 50,00). → Aberto em 2023.






