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Lollapalooza Brasil 2025: tudo sobre bastidores e a história do festival

Confira dados inéditos e detalhes da maratona musical que acontece no Autódromo de Interlagos neste final de semana

Por Tomás Novaes
28 mar 2025, 06h00
Lambe-lambe, marca registrada do festival: arte criada especialmente para a capa da revista
Lambe-lambe, marca registrada do festival: arte criada especialmente para a capa da revista (Isabelle Nogueira/Rock World/Veja SP)
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Há treze anos, entre o fim de março e o começo de abril, a cidade de São Paulo ferve ao ritmo de grandes shows com o Lollapalooza Brasil.

O festival chega à sua 12a edição nesta sexta-feira (28), sábado (29) e domingo (30), com cerca de setenta atrações e expectativa de receber mais de 200 000 pessoas no Autódromo de Interlagos.

 

 

De grandes nomes estrangeiros, como Alanis Morissette, Justin Timberlake e Olivia Rodrigo, e nacionais, como Jão, Marina Lima e Sepultura, até apostas como Sofia Freire e Clube Dezenove, a maratona musical promete momentos memoráveis, do rock à música eletrônica, do pop ao alternativo.

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Registro da edição de 2024: treze anos de história em São Paulo (Lollapalooza Brasil/Divulgação)

Essa história começa com uma “despedida”. O Lollapalooza foi criado em 1991 pelo cantor americano Perry Farrell, como uma turnê final de sua banda Jane’s Addiction. Mas o projeto não significou nenhum desfecho, porque ali nasceu um festival que veio a se fixar em Chicago, em 2005 — e o grupo de rock seguiu em atividade até hoje.

No início da década passada, a marca começou a crescer para outros países. Em 2011, estreou no Chile. Em 2012, no Brasil. Em 2014, na Argentina. Alemanha, Suécia, França e Índia vieram depois.

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O festival estreou no Brasil em abril de 2012, com produção da Geo Eventos e shows de bandas como Arctic Monkeys e Foo Fighters, no Jockey Club. No ano seguinte, o evento aconteceu pela primeira vez em três dias, com Pearl Jam, The Killers, The Black Keys, entre outros nomes. A mudança para o endereço atual, o Autódromo de Interlagos, aconteceu em 2014, com uma nova empresa no comando: a Time For Fun (T4F) (Cambria Harkey/Divulgação)
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As primeiras edições brasileiras, produzidas pela Geo Eventos, parceria do Grupo Globo com a RBS, aconteceram no Jockey Club. “Em 2010, não existia nenhum grande festival na cidade de São Paulo. E o Lollapalooza queria fazer uma expansão”, diz Marcelo Beraldo, atual diretor artístico do festival, que estava envolvido nas primeiras edições.

“O Rio de Janeiro já tinha um festival icônico, e São Paulo merecia o seu também. Inclusive, escolhemos o Jockey porque remetia mais ao Lollapalooza Chicago, que acontece em um parque dentro da cidade”, lembra Leo Ganem, ex-CEO da empresa que deixou de organizar o festival em 2014, quando a T4F assumiu o comando e mudou a sede do evento para o Autódromo de Interlagos.

Em 2024, mais uma troca de gestão: hoje a Rock World — que também organiza o The Town e o Rock in Rio — é a produtora responsável.

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Pharrell Williams, em 2015, Eminem, em 2016, e Metallica, em 2017, foram alguns headliners até o festival voltar a acontecer em três dias, em 2018, quando trouxe Pearl Jam, The Killers e Red Hot Chili Peppers. A última edição antes da pandemia, em 2019, teve Arctic Monkeys e Kendrick Lamar (Ivan Pacheco/Veja SP/Acervo Dedoc)

O DNA do festival segue vivo. Isto é, a proposta de, além dos grandes nomes internacionais, oferecer os palcos para novos talentos. “O Lolla tem essa proposta de trazer mais bandas independentes e de vanguarda, e também se tornou uma plataforma que traz artistas globais em ascensão pela primeira vez para a América do Sul”, resume Beraldo.

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Bandas em começo de carreira, como a paulistana Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo, vão tocar pela primeira vez no Lolla. E, entre as estrelas da música, a americana Olivia Rodrigo estreia no Brasil, com seu pop roqueiro de letras confessionais.

“Ela foi a primeira atração deste ano a ser fechada”, diz o diretor artístico, que conta bastidores do line-up. “É uma mistura de curadoria com oportunidade, é muito difícil. Para chegar aos seis headliners, a gente deve ter mandado oferta para uns vinte. Estávamos fechados com uma das artistas mais pedidas até um mês antes do anúncio do line-up e acabou não vingando”, revela.

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Três anos depois, e após sucessivos adiamentos, o festival voltou a acontecer em 2022, com Miley Cyrus e The Strokes. Foo Fighters também estava no line-up, mas a banda teve de cancelar o show após a morte do baterista Taylor Hawkins. Em 2023, Billie Eilish foi o grande destaque, batendo o recorde de público diário do evento, com 103 350 pessoas (Camila Cara/Divulgação)

No mercado da música ao vivo no Brasil, o momento é de consolidação. Isso porque, após o fim da pandemia, houve uma febre de novos festivais — pequenos, médios e grandes —, alguns desses descontinuados ou em pausa, como o Primavera Sound e o MITA.

Ao longo de 2024, a plataforma Mapa dos Festivais realizou um estudo aprofundado sobre o mercado no Brasil, com 402 eventos do tipo registrados em 2024 por todo o país. Segundo a pesquisa, o número total de festivais no Brasil cresceu mais de 20% no ano passado, e São Paulo foi a cidade com o maior número: 45.

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Um dos dados mais interessantes da pesquisa, que entrevistou 1 170 frequentadores, é que o fator mais decisivo para o público ir a um festival é a infraestrutura. “O perrengue vai sempre existir e ele faz parte da experiência, mas existem questões que as pessoas não admitem mais, como falta de segu – rança e muita fila. As pessoas estão levando muito isso em consideração, até mais que o line- up”, diz Juli Baldi, diretora criativa da plataforma.

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A edição passada do Lollapalooza marcou a estreia da Rock World na produção do festival. Entre os pontos altos, ótimos shows de SZA, Titãs e Blink-182, e a boa organização da saída do público via trem. A lama decorrente da chuva foi o ponto fraco, com trechos de difícil mobilidade para a multidão (Carolina Demper/Divulgação)

Os cancelamentos são um dos desafios que o Lollapalooza enfrentou nos últimos anos. Nas três edições anteriores, quatro headliners cancelaram seus shows, por motivos variados: Foo Fighters, em 2022; Drake e Blink-182, em 2023; e Paramore, em 2024.

Segundo Beraldo, existem diferentes explicações, em especial a logística complexa, com o alto custo das viagens internacionais. “Também tem o tema da saúde mental, as pessoas estão prestando mais atenção nisso. E, quando a gente fala de artistas gigantes, eles estão faturando por todos os lados, então 1 milhão de dólares a mais ou a menos não fazem diferença”, diz o porta-voz.

Neste ano, até o momento, somente a banda Fontaines D.C. cancelou, por um problema de saúde.

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Marcelo Beraldo, diretor artístico do Lollapalooza Brasil
Marcelo Beraldo, diretor artístico do Lollapalooza Brasil (Divulgação/Divulgação)

O aumento no valor dos cachês, potencializado pela desvalorização do real, também impacta o preço dos ingressos — no segundo lote, o valor diário do Lollapalooza 2025 varia de R$ 1 050,00 a R$ 1 900,00 (a inteira).

“Oferta e demanda: para viabilizar a vida musical, a indústria tem que fazer mais shows, porque o fonograma perdeu relevância. E hoje existe uma tendência de os jovens darem mais valor à experiência (como os shows)”, comenta Beraldo.

O sucesso do festival, que se mantém forte treze anos depois, mostra que, apesar do preço ou dos imprevistos, o público tem atendido ao chamado da música. Em 2024, 242 000 pessoas passaram por Interlagos. Que seja mais um ano de grandes shows no mais paulistano dos megafestivais do país. ■

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A arte da capa completa: lambe-lambe exclusivo (Isabelle Nogueira/Rock World/Veja SP)
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Autódromo de Interlagos. Avenida Senador Teotônio Vilela, 261, Interlagos. Sex. (28), sáb. (29) e dom. (30), 11h/1h. R$ 1 050,00 a R$ 2 670,00. 15 anos. ticketmaster.com.br.

Publicado em VEJA São Paulo de 28 de março de 2025, edição nº 2937

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