‘Acampamento Miasma’: o orgasmo liberta em paródia queer perfeita do slasher
Vencedor da Queer Palm, filme com Gillian Anderson e Hannah Einbinder traz estrutura sempre surpreendente e sequências inteligentes de assassinato
Filme de abertura da mostra Un Certain Regard (Um Certo Olhar) do Festival de Cannes deste ano, premiado com a Queer Palm, Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte pode não agradar todos os gostos.
É um slasher (subgênero do terror) peculiar, da diretora trans Jane Schoenbrun, ainda não tão conhecida pelo público geral, mas que tem uma legião de fãs aficionados, principalmente depois de Eu Vi o Brilho da TV (2024). Mas, para quem entra na sala de cinema de mente aberta e embarca na loucura, comédia e ironia da obra, é inegavelmente uma das experiências mais especiais do ano, igualmente divertida e emotiva.
No longa, a jovem cineasta Kris (Hannah Einbinder) é contratada para revitalizar uma franquia de terror decadente. Ela decide buscar Billy (Gillian Anderson), a estrela reclusa do filme original. O encontro leva as duas a uma espiral de obsessão, delírio e desejo, em que realidade se mescla com ficção de maneira brilhante, pincelando até a metalinguagem, enquanto o serial killer da saga, chamado de Pequena Morte, parece estar ressurgindo.
Com uma estrutura sempre surpreendente, traz sequências de assassinato inteligentes, com a câmera no assassino. O senso de humor gera falas impagáveis, como um sensual “Adoro molho”. Com um elenco espetacular, o longa usa o slasher como ferramenta para libertar identidades queer (não heteronormativas). A morte é uma analogia para o orgasmo, da comunidade LGBTQIAPN+, que é historicamente repreendida por expressar seu afeto e desejo sexual.
NOTA: ★★★★★
Publicado em VEJA São Paulo de 21 de agosto de 2026, edição nº3009







