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Blog do Lorençato

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O editor-executivo Arnaldo Lorençato é crítico de restaurantes há mais de 30 anos. De 1992 para cá, fez mais de 16 000 avaliações. Também comanda o Cozinha do Lorençato, programa de entrevistas e receitas no YouTube. O jornalista é professor-doutor e leciona na Universidade Presbiteriana Mackenzie

Memória: Edson Cerreti (1961- 2020) morre em decorrência do coronavírus

O lendário operador da antiga BM&F-Bovespa tinha participações no Kaá e na rede de hamburguerias General Prime Burger

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9 Maio 2020, 20h14 • Atualizado em 20 jan 2022, 14h32
O homem do mercado financeiro: paixão por restaurantes (Acervo pessoal/Divulgação)
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  • Mais do que um empresário do ramo da gastronomia, Edson Cerreti entrou para a história como um dos mais importantes e temidos scalpers. Para quem como eu não está familiarizado com o termo, trata-se do operador especial da bolsa de valores (antiga BM&F-Bovespa, hoje B3) que atua em seu próprio nome e não de um banco ou corretora, uma coisa raríssima no mercado de ações. Mas afinal, o que Cerreti, falecido na última quinta (8) em consequência de complicações causadas pela Covid-19, tinha a ver com gastronomia?

    Personagem discreto no ramo da alimentação, ele foi sócio de alguns restaurantes paulistanos. O ingresso no segmento se deu por acaso em 2006. Amigo de Paulo Kress Moreira, dono da rede General Prime Burger, Cerreti tinha escritório no Itaim Bibi bem em frente à hamburgueria, da qual era cliente assíduo e da qual Moreira era um dos donos. Convidado por Moreira, ele passou ser a investidor no segmento da gastronomia ao se associar à lanchonete. Mantinha ainda uma participação no Kaá, restaurante grandioso e de fina estampa, também no Itaim Bibi, e que deve começar a operar em sistema de delivery ainda neste mês de maio. Foi sócio ainda do extinto Italy.

    Personagem lendário da bolsa, respeitado e temido por seus pares, Cerreti perdeu dinheiro com o restaurante Girarrosto (leia sobre a inauguração clicando aqui). O megaempreendimento – inaugurado em 2012 também em parceria com Moreira no mesmo endereço onde por anos fez sucesso o extinto Pandoro – consumiu de 10 milhões de reais na montagem (na época, especulou-se que a quantia seria ainda superior, de 12 milhões de reais) e durou pouco mais de dois anos. Perguntei a Moreira qual a reação do parceiro comercial diante desse tombo. A resposta não poderia ser mais calculada e objetiva, típica de quem está acostumado tremores e oscilações financeiras. “Só sabe ganhar quem aprende a perder”, teria dito Cerreti.

    Com esse perfil de quem sabe lidar com adversidades, estar ligado em alta voltagem e ter uma capacidade única de análise de mercado, segundo postagens de vários operadores do segmento em redes sociais, o investidor mereceu uma homenagem póstuma na forma de um anúncio fúnebre publicado no Estadão pelo trio BM&F, Bovespa e Mercado de Energia: “Cerreti sempre foi considerado um dos melhores e mais brilhantes profissionais do mercado financeiro ao longo de quase 40 anos de carreira. Nunca será esquecido!!!!”

    O investidor de restaurantes, que começou na antiga BM&F como auxiliar de pregão e construiu solida carreira, morreu aos 58 anos. “Ele vinha se tratando de um linfoma desde o ano passado. Um dos irmãos dele, Robson, que é médico, tinha compatibilidade e doou a medula para um transplante”, conta Moreira. A cirurgia foi um sucesso e a recuperação também. Logo depois de receber alta, ele foi para casa e aconteceu algo temível: contraiu a Covid-19. “Como estava com a imunidade zerada, passou os últimos 15 dias na UTI, a maior parte desse tempo intubado, e não resistiu”, conta Moreira. Cerreti deixa os filhos, André e Gabriel e os irmãos Nelson Filho e Robson.

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