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Blog do Lorençato

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O editor-executivo Arnaldo Lorençato é crítico de restaurantes há mais de 30 anos. De 1992 para cá, fez mais de 16 000 avaliações. Também comanda o Cozinha do Lorençato, um programa de entrevistas e receitas no YouTube. O jornalista é professor-doutor e leciona na Universidade Presbiteriana Mackenzie

Quebrada Alimentada implementa cozinha para doação de refeições e escola

Projeto tocado por Rodrigo Oliveira e Adriana Salay com o Instituto Capim Santo no Jardim Julieta é um passo na cruzada contra a fome

Por Arnaldo Lorençato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
28 mar 2025, 08h00
Três pessoas em pé e sorrindo
Adriana, Morena e Rodrigo: gastronomia do bem (Instituto Capim Santo/Divulgação)
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A fila é longa e começa a se formar por volta das 11 da manhã, sempre de segunda a sexta. Desde 11 de março, pelo menos 150 pessoas se alinham diante da novíssima Cozinha Solidária-Escola Popular Jardim Julieta, na ocupação parceira do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). Parte dos moradores da comunidade com cerca de 3 000 pessoas vai retirar uma das caprichadas marmitas oferecidas a partir do meio-dia.

Na minha visita, a refeição de cerca de 500 gramas era composta de arroz, feijão e uma carne moída com legumes tão bem temperada que lembrava comida caseira, mas feita em escala para saciar o apetite de quem sofre com a fome. Esse novo equipamento social fica na Ocupação Jardim Julieta, em um dos extremos da Zona Norte de São Paulo, ponto em que a cidade faz divisa com Guarulhos.

Por trás do projeto que começou a florescer no início do ano passado, está um casal especial. Trata-se da historiadora Adriana Salay e do chef Rodrigo Oliveira, do Mocotó, que atuam por meio do Quebrada Alimentada, associação sem fins lucrativos que distribui, desde a pandemia, refeições prontas e cestas básicas para moradores da Vila Medeiros, onde fica o restaurante. Por essa iniciativa, a dupla levou o prêmio Causa Social de VEJA SÃO PAULO COMER & BEBER 2020.

Pessoas em fila na frente do local de distribuição
Marmitas para a comunidade: pessoas aguardam na longa fila formada de segunda a sexta (Ana Rodrigues/Divulgação)

Tive a oportunidade de visitar o local da nova cozinha quando era apenas um terreno cheio de mato e representava um sonho da dupla. “Queremos chegar a 500 marmitas no Jardim Julieta”, ambiciona Adriana, que conta com o apoio das líderes comunitárias Valdirene Frazão, a Val, e Andreia Silva. “Diferentemente de regiões centrais, praticamente não há moradores de rua aqui. Por isso, eles não teriam como conseguir recursos como uma moeda”, enfatiza Adriana.

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Entre outras ações feitas por lá, houve vacinação para prevenção da febre amarela em parceria com o SUS. São conquistas diárias. “Erguer a Cozinha Solidária foi um feito de muitas mãos e muitos corações, mas a força principal veio da própria comunidade e ganhou respaldo na Adriana”, destaca Rodrigo Oliveira. “Ela foi a grande catalisadora dessa obra e conseguiu reunir parceiros de todas as esferas e tornar esse sonho realidade.”

Na cozinha do Jardim Julieta, além das refeições preparadas pela chef Danielle Thomaz e as auxiliares Marcela Fernandes e Vera Lucia Soares com doações de insumos realizadas por parceiros como Instituto Assaí e Princesa d’Oeste, uma sala do espaço tem como finalidade sediar aulas para quem quer empreender ou ingressar na culinária profissional.

Três mulheres sorrindo
O trio Vera Lucia Soares, Danielle Thomaz e Marcela Fernandes: responsável pelas refeições (Ana Rodrigues/Divulgação)
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Os dois primeiros cursos estavam marcados para a última quinta (27). Um se destina à formação de auxiliar de cozinha, com duração de 64 horas para trinta alunos. O outro é uma oficina de panificação com dez horas para 25 participantes. “Essa qualificação abre uma nova perspectiva para as mulheres da comunidade, trazendo oportunidades de colocação no mercado de trabalho, melhorando a renda e, automaticamente, a qualidade de vida delas e de suas famílias”, pontua Danielle, responsável também por esse aprendizado.

O Quebrada Alimentada não está sozinho nessa empreitada. Conta com a gestão administrativa do Instituto Capim Santo, da chef Morena Leite, outra craque no tema solidariedade, responsável por estruturar e profissionalizar os processos. “É um projeto que o Rodrigo e a Adriana sonharam. Me sinto uma tia coruja, fico emocionada”, diz Morena. E explica: “A gente está na retaguarda, nas compras, na organização. Uma das propostas do instituto é potencializar a força de cada projeto com conexão e união”.

Marmitas enfileiradas para distribuição
Marmitas para distribuição: pelo menos 150 unidades por dia (Danielle Thomaz/Divulgação)
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Por meio do instituto, Morena Leite está implementado mais três cozinhas em ocupações parceiras do MTST nas comunidades do Jardim Veredas, na região do Itaim Paulista, na Zona Leste, Jardim Alfredo, na região de Guarapiranga, na Zona Sul, e Guarani, na região do Jardim Peri, na Zona Norte. “São espaços que as lideranças comunitárias já utilizam”, explica a chef.

A previsão é que esses projetos fiquem prontos e entrem em operação daqui a quatro meses. Na última terça, dia 25, Morena participou junto com Adriana e Rodrigo da distribuição de marmitas no Jardim Julieta, marcando oficialmente a inauguração da cozinha solidária.

Publicado em VEJA São Paulo de 28 de março de 2025, edição nº 2937.

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