Fábrica da Ypê em Amparo tem histórico de lentidão e atendimento ruim
Caminhoneiros relataram graves problemas na carga e descarga da unidade, cujos produtos apresentaram risco de contaminação, segundo a Anvisa
A fábrica da Ypê em Amparo, cujos produtos foram alvo de pedido de recolhimento pela Anvisa nesta quinta (7), já acumulava críticas há mais de nove anos.
Em avaliações do Google, dezenas de caminhoneiros relataram problemas no atendimento, especialmente em relação à lentidão do serviço, nos últimos anos. “Tratam o motorista como cachorro”, escreveu Carlos Briozo. Colegas de Carlos também reforçaram que os funcionários são desrespeitosos com os caminhoneiros.
Outros testemunhos afirmaram que, por conta da lentidão, o processo de carga chegava a demorar de cinco dias a uma semana. “Demora absurda, devemos aguardar em pé em uma fila por mais de 1h30”, afirmou Fabrício Santos. Wendel Guedes também conta que chegou no local às 10h50 e só foi atendido às 20h09. “A pior fábrica do mundo para descarregar”, escreveu Leandro Borges.
Recolhimento dos produtos
Os produtos da Ypê produzidos na unidade de Amparo, cujos lotes terminam em 1, apresentam riscos sanitários, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A agência determinou, nesta quinta (7), o recolhimento de produtos da marca Ypê após identificar falhas graves no processo de fabricação da empresa Química Amparo, responsável pela produção dos itens.
Além do recolhimento, a Anvisa também suspendeu a fabricação, comercialização, distribuição e uso dos produtos afetados. A decisão foi tomada após uma avaliação técnica de risco sanitário conduzida em conjunto com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS).
De acordo com a agência, uma inspeção realizada na última semana em parceria com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS-SP) e a Vigilância Sanitária de Amparo identificou descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo. Entre os problemas constatados estão falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.
Segundo a Anvisa, as irregularidades comprometem o cumprimento das Boas Práticas de Fabricação (BPF) de saneantes e podem representar risco à saúde da população devido à possibilidade de contaminação microbiológica dos produtos, com presença indesejada de microrganismos patogênicos.
A agência afirmou que a medida tem como objetivo proteger a saúde pública por meio da identificação, avaliação e gerenciamento de riscos sanitários, adotando ações proporcionais à gravidade das falhas encontradas.
A orientação é para que consumidores que possuam em casa produtos incluídos na Resolução 1.834/2026 interrompam imediatamente o uso e entrem em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa para receber orientações sobre o processo de recolhimento.
As vigilâncias sanitárias estaduais e municipais também foram orientadas a intensificar a fiscalização no comércio para evitar a circulação dos lotes afetados.
Entre os produtos atingidos pela medida estão detergentes lava-louças Ypê, versões da linha Tixan Ypê para lavagem de roupas e desinfetantes das marcas Bak Ypê e Atol.





