Avatar do usuário logado
Usuário

SP ainda tem 887 mil crianças e adolescentes com 2ª dose em atraso

Às vésperas das festas de final de ano, especialistas alertam para a importância desse grupo completar esquema vacinal

Por Clayton Freitas 17 dez 2021, 16h32 | Atualizado em 5 jun 2026, 07h19
Uma enfermeira vacinando uma menina. Ao fundo, um painel verde com o logo do Governo do Estado e do Instituto Butantã.
Vacinação de alunas da rede pública (Governo do Estado de São Paulo/Divulgação)
Continua após publicidade
SP ainda tem 887 mil crianças e adolescentes com 2ª dose em atraso Priorizar nos meus resultados Google

Assim que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deu aval para a vacinação de crianças de 5 a 11 anos com o imunizante da Pfizer, nesta quinta-feira (16), o governo do estado de São Paulo abriu duas frentes para obter os imunizantes.

De um lado, cobrou o governo federal para disponibilizar doses específicas para crianças para começar a imunização o quanto antes; de outro, mostrou interesse de fazer a compra direta dos imunizantes.

+ Cidade Matarazzo começa série de inaugurações com hotel seis-estrelas

Ao passo que as doses para imunização dessa nova faixa etária não estão disponíveis, a vacinação de crianças e adolescentes de 12 a 17 anos patina no estado de São Paulo e apenas 63% dessa faixa etária tomou as duas injeções. Essa cobertura é considerada baixa por especialistas.

“É um quantitativo muito grande [sem a segunda dose]. Diria que é uma baixa cobertura de segunda dose, já que precisamos atingir 95%. Já se sabe também que uma dose só dá baixa proteção”, afirma Monica Levi, presidente da comissão de revisão de calendários de vacinação da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações).

Continua após a publicidade

Com a experiência de quem participa de campanhas de vacinação no país desde a epidemia da meningite, o médico José Cássio de Moraes, professor titular da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, afirma que essa faixa etária tem uma peculiaridade que pode potencializar a circulação do vírus caso não esteja totalmente imunizada.

+ H3N2 Darwin: os sintomas da gripe que provoca surto na capital

“A vacinação, como todos sabem, reduz as formas mais graves da doença e a transmissão dela. Sem a segunda dose, e ainda num cenário onde temos uma nova cepa como a Ômicron, ajuda muito a manter a circulação do vírus”, afirma Moraes.

Continua após a publicidade

Com isso, a grande preocupação volta a ser os públicos mais vulneráveis, já que justamente as crianças e a adolescentes não estão entre aqueles mais contaminados e entre os que mais morrem pela Covid-19, mas podem transmitir a doença para pais e avós.

Dados da Fundação Seade indicam que 6,9% de todos os 4,4 milhões de casos de Covid no estado de São Paulo registrado desde o início da pandemia atingem pessoas de até 19 anos. Em relação à letalidade, eles representam 0,2% do total.

“O adolescente tem um papel importante porque ele é a pessoa que tem maior contato social com amigos e está sujeito a ir mais em festas, reuniões, muitas vezes com grande agrupamento de pessoas. Nesse caso ele exerce o papel de introdução do vírus na casa. Na adolescência a gravidade da doença é menor, porém, ele pode transmitir para uma pessoa idosa e aí, sim, termos mais casos graves de Covid”, afirma Moraes.

Continua após a publicidade

Desinformação

Segundo a médica Mônica Levi, em geral, vacinas que demandam mais de uma dose tendem a ter a cobertura da dose complementar menor. É o que acontece, por exemplo, com vacinais da meningite, HPV e Hepatite B, esta última, com três doses.

“Todas as vacinas que são de mais de uma dose vai caindo [a cobertura] conforme o número de doses”, explica.

Continua após a publicidade

Segundo Moraes, outro fator preocupante é que os adolescentes em geral têm uma falsa impressão de que estão imunes a muitas doenças. Isso ajudaria a explicar o desinteresse. “Eles têm a concepção de ‘não doença’ e não comparecem ao posto de vacinação”, afirma.

+ Média diária de casos de síndrome gripal aumenta 63% na capital

Mônica diz que um grande problema relacionado à vacina da Covid é o de informações desencontradas, que podem gerar dúvida nas pessoas. Ela cita como exemplo a própria liberação da vacina da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos nesta quinta-feira (16), questionada nesta sexta-feira (17) pelo próprio ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

Continua após a publicidade

“Os pais antivacinas têm se organizado e estão ganhando espaço. E existem aqueles que não se vacinam mesmo por negligência. O fato é que muitas pessoas estão confusas e ouvindo informações negativas sobre as vacinas”, afirma a médica.

Ambos cobram ações mais efetivas por parte das autoridades públicas, com reforço nas campanhas de mídia e vacinação em escolas.

Sem nenhuma dose?

Iniciada no dia 18 de agosto deste ano, a previsão era a de vacinar 3,2 milhões de pessoas de 12 a 17 anos. Até agora, apenas 2,1 milhões estão completamente imunizadas. Das 1,1 milhão que ainda não tomaram a segunda dose, 887,4 mil daqueles de 12 a 19 anos estão com a segunda dose em atraso.

+ Maurílio se queixou de dor na perna, o que pode ter sido sinal da tromboembolia pulmonar

Uma das conclusões possíveis a partir dos dados do próprio governo estadual é a de que ao menos 213 mil crianças e adolescentes ainda não tomaram sequer uma dose, mesmo tendo o imunizante disponível nos postos de vacinação.

Procurada para comentar o assunto, a Secretaria Estadual de Saúde não respondeu ao pedido de esclarecimentos até a conclusão deste texto.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

Revista em Casa + Digital Premium
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Premium

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês