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Cobrador de ônibus: profissão ameaçada

Acordo prevê fim da atividade, mas aplicação depende de mudança na lei

Por Isabella Villalba 4 jun 2011, 00h50 • Atualizado em 5 dez 2016, 18h02
  • De segunda a sexta, o cobrador Francisco Carlos Nascimento, conhecido como Chicão, parte às 6 horas da manhã da Rua Costa Carvalho, no Alto de Pinheiros, para a primeira de quatro viagens e meia que realiza em um ônibus da linha 719P-10 Pinheiros– Metrô Armênia. No sábado, cobre o trajeto Vila Anastácio–Metrô Paraíso. Do alto de seu banco com vista privilegiada, ele irradia alto-astral: diz “bom dia” a todos que cruzam a catraca, emposta voz de megafone para anunciar as ruas e os hospitais pelo caminho e, entre um troco e outro, se arrisca a cantar algumas canções a plenos pulmões.

    Esse profissional passa no mínimo seis horas por dia dentro do veículo, com direito a um intervalo de meia hora para tapear o estômago com um sanduíche, e recebe um salário de 970 reais no fim do mês. Essa rotina, repetida há exatos doze anos, está ameaçada pela possível extinção de sua função.

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    No último dia 18 de maio, o Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano (Sindmotoristas) aprovou em assembleia uma proposta do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros (SP-Urbanuss) para, gradativamente, eliminar os cobradores dos ônibus.

    Um estudo da SPTrans, que opera o transporte coletivo na cidade, indica que apenas 8% dos usuários pagam as passagens em dinheiro. A maioria usa o Bilhete Único. Pelo acordo, nenhum dos 15.000 profissionais em atividade seria demitido. “A ideia já havia sido recusada antes porque não apresentava garantias de emprego”, afirmou o diretor do Sindmotoristas, Nailton Francisco de Souza. “Agora o setor patronal promete manter 40% dos cobradores nos corredores principais e realocar os demais para atuar em outras funções, como motoristas, mecânicos ou fiscais”, completou.

    Ainda não ficou bem claro, no entanto, como o novo modelo será implantado. O SP-Urbanuss, por exemplo, não explica quem recolherá os 3 reais da passagem. Hoje em dia, além de fornecerem troco em dinheiro, os cobradores são responsáveis por validar o desconto no Bilhete Único de idosos, estudantes e portadores de necessidades especiais. Uma lei municipal também estipula que todos os ônibus da cidade devem transportar um funcionário, no mínimo, além do motorista.

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    Para o projeto virar realidade, será necessária uma mudança na regra, o que ainda não está em discussão. “Não acredito que a profissão vá acabar tão cedo. O motorista precisa de ajuda para informar os passageiros e fazer as cobranças”, diz Chicão. “Por enquanto, a máquina não vai substituir o ser humano.”

    A TURMA DA CATRACA

    Número de profissionais

    15.000

    Jornada de trabalho

    6h30 por dia

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    (seis vezes por semana)

    Salário

    970 reais

     

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