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“Ter filho é o maior ato de fé na humanidade”, afirma Leandra Leal

No ar com a novela 'Coração Acelerado' e a série 'Emergência Radioativa', a atriz dá detalhes da educação dos filhos e da experiência de contracenar com a mãe

Por Mattheus Goto 8 Maio 2026, 08h00
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Vilã na novela: rotina de Leandra Leal dividida entre estúdio e filhos (Guilherme Burgos/Divulgação)
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Entre tantas definições, a maternidade é uma vocação. Para além de se dedicar aos filhos, a atriz Leandra Leal “curte ser mãe”. O laço materno é um vínculo muito presente na vida da artista de 43 anos.

Filha da também atriz Ângela Leal, ela é mãe de Julia, 11, adotada em 2016 no relacionamento com Alê Youssef, e de Damião, de apenas 1 ano, fruto do atual casamento com o fotógrafo Guilherme Burgos.

Leandra concilia a criação dos pequenos com as gravações da novela das 7, Coração Acelerado, da TV Globo, em que interpreta a vilã Zilá. A rotina varia, mas a prioridade são os filhos.

Ela veio a São Paulo com os dois para gravar cenas de Emergência Radioativa, novo sucesso nacional da Netflix sobre o acidente com césio-137 em Goiás. Na obra, ela vive Esther, física do Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD). A vinda à capital paulista virou uma lembrança inesquecível, com os primeiros passos de Damião e o aniversário de 11 anos de Julia.

Em entrevista a Vejinha, Leandra fala sobre família, dá detalhes da educação dos filhos e defende os direitos das mães.

Como seus filhos participam da rotina de atriz?

Minha vida se resume a trabalhar e ficar com meus filhos. No início da novela, viajei e levei eles comigo. Fui criada por uma mãe atriz, que sempre me levou muito para os lugares e me acostumou com a ideia de filho perto da mãe.

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O que aprendeu sendo mãe?

Aprendo muito com os meus filhos. Sobre mim mesma. A desaceleração que eles causaram em mim, a necessidade de presença, tudo isso me fez olhar para dentro. A capacidade de amar é dilatada. Faz você se portar no mundo de uma forma diferente, com mais empatia e disponibilidade. Ter filho é o maior ato de fé na humanidade. É confiar no mundo para colocar aqui a pessoa que você mais ama. É um ato de fé no futuro, de que a gente vai reverter o aquecimento global, de que as guerras não vão chegar num ponto sem volta, de que a inteligência artificial vai ser boa. Eu me sinto muito renovada sendo mãe. Transformada e multiplicada.

Recentemente, você virou sócia da Escola Afro-brasileira Maria Felipa, no Rio. Por que acha importante apoiar uma educação afrocentrada?

Essa escola de Salvador abriu no Rio, mas só com ensino infantil. A Juju tem 11, então não estuda lá, mas eu procuro escolas com esses questionamentos. Todas as crianças do mundo deveriam ter essa educação. Vejo o quanto seria melhor para mim. O racismo, uma das maiores feridas da nossa sociedade, é um problema da branquitude. O ensino decolonial é o futuro. A única possibilidade de um futuro mais justo é olhar para o passado de forma diferente.

Que posicionamento tem sobre celular e redes sociais na criação dos dois?

O Damião não tem contato com tela, a não ser ligação com um parente distante de vez em quando. A Ju chegou há dez anos e passou pela pandemia, quando a tecnologia supriu muita coisa. Hoje, ela tem um dump phone, para ligações e mensagens, porque está ganhando autonomia. Acho um crime crianças estarem nas redes sociais. Se eu, enquanto adulta, me pego com ansiedade, descontrole e sentimentos negativos em relação a mim mesma ao usar, como posso expor uma criança? Ver vídeos de cinco segundos, microinjeções de felicidade, afasta a pessoa de uma felicidade no dia a dia. É perigoso e procuro estimular a infância longe disso. Quanto mais maduros, mais vão saber tirar proveito, porque a tecnologia é uma ferramenta incrível, se souber usar.

“O ensino decolonial é o futuro. A única possibilidade de um futuro mais justo é olhar para o passado de forma diferente”

Leandra Leal
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Na pandemia, lançou Nada a Fazer (2020), filme com a sua mãe. Depois, dividiu cena com ela na série A Vida pela Frente (2023). Como é a experiência de contracenar com a Ângela?

Nossa relação era muito simbiótica. Perdi meu pai cedo, eu e ela éramos muito sozinhas, mas com a mesma profissão. Na pandemia voltamos a morar juntas, ela era do grupo de risco. Temos um teatro, o Rival Petrobras (na Cinelândia, RJ), e não sabíamos o que ia acontecer. Tive uma ideia doida e falei: “Vamos contracenar, vamos nos conhecer em cena”, algo muito sagrado. Era quase como se ela não me conhecesse adulta. Realizei um grande sonho.

O que mais admira na sua mãe?

Minha mãe abriu muitas portas. Ela administrou sozinha um teatro, ocupou lugar de liderança. Fundou uma associação de amigos da Cinelândia, pensa no coletivo. Tem compromisso ético com a vida e a justiça social. Eu não acredito que um filme pode mudar o mundo, mas pode mudar uma pessoa, que vai mudar o mundo. Isso vem dela.

Como tem sido a experiência em Coração Acelerado?

Estou muito feliz, toda semana tem um “cenão” para gravar, me divirto. A Zilá mata uma pessoa, perde o pai e ao mesmo tempo está escolhendo look. É uma personagem bem construída. Uma vilã, mas não sem fundamento. Você entende a mágoa, a inveja, a carência, como ela se sente menosprezada.

Por que se interessou por Emergência Radioativa?

O Damião estava com 10 meses e eu tinha prometido que só ia voltar a atuar quando ele tivesse 1 ano. Mas o Fernando (Coimbra) é um amigo. Fiz com ele Os Enforcados (2024) e O Lobo Atrás da Porta (2013), que eu amo. E, além disso, conta a história de uma tragédia neste país tão sem memória, falando sobre as vítimas e a desigualdade. Temos crimes ambientais, como Mariana e Brumadinho, e ninguém ainda foi responsabilizado .

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Como a vinda a São Paulo foi marcante?

Foi um momento em família muito legal. Já morei em São Paulo, fui fazer faculdade. Tenho amigos, uma rede de apoio boa. Sou privilegiada por isso. A maioria da população brasileira tem uma licença-maternidade de quatro meses e agora a nova licença-paternidade, que vai passar dos atuais cinco dias para vinte até 2029. As mães se sacrificam para cuidar dos filhos. Precisam de uma rede de apoio ou se ferram. Toda a sociedade deveria cuidar da primeira infância.

Como tem sido a rotina?

Acordo muito cedo. Às vezes nem durmo (risos). Brincadeira. É que meu filho acorda muito à noite. A Ju estuda de manhã, eu e o Gui a levamos na escola. Depois, tento fazer exercício três vezes na semana, gostaria de fazer mais. O resto do tempo é muito variável. Priorizo bastante meus filhos, até perco oportunidades. Curto ser mãe, fazer artesanato no chão da sala. Quando todo mundo dorme, eu sento no computador. É uma viagem ser mãe e atriz. Me sinto muito potente.

Publicado em VEJA São Paulo de 8 de maio de 2026, edição nº 2994

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