Avatar do usuário logado
Usuário

Do mar ao cacau: os encantos de Itacaré em um roteiro cheio de história

O destino baiano aposta em turismo de experiência, passeios históricos e hospedagens exclusivas que valorizam a cultura local e a preservação

Por Mattheus Goto 17 jul 2026, 08h00
Vista aérea de um rio largo com margens de areia e vegetação, sob um céu azul com nuvens brancas e o sol se pondo à esquerda. Na margem, pessoas relaxam em cadeiras de praia e sob tendas brancas, com barcos pequenos ancorados.
Praia do Pontal: encontro do Rio de Contas com o mar (Renata Ghiotto/Divulgação)
Continua após publicidade
Do mar ao cacau: os encantos de Itacaré em um roteiro cheio de história Priorizar nos meus resultados Google

A paisagem é pitoresca. Diante de uma curta faixa de areia, barcos e canoas flutuam no ritmo manso da maré. Na orla, a rua de pedra-sabão, com casarões preservados do fim do século XIX, convida a desacelerar. Sob um céu azul, a cena emoldura o encontro do rio com o mar: de um lado, a estátua de Iemanjá, esculpida pelo artista baiano Goca Moreno, abençoa as águas; do outro, a Praia do Pontal completa o horizonte.

Ancorada na foz do Rio de Contas, Itacaré tem uma atmosfera encantadora. O destino, que foi aldeia indígena, polo cacaueiro, vila de pescadores e ponto de surfe, pulsa hoje por meio do turismo. O vilarejo se transformou, mas não deixou de estampar na pele as marcas da memória.

As praias são belezuras indispensáveis. Para banho, a mais próxima do centro urbano é a do Resende, cercada por vegetação e com o mar levemente animado. Quem quer se aventurar no surfe pode começar pela Praia da Engenhoca, enquanto os mais experientes no esporte comparecem à da Tiririca, palco de campeonatos, com ondas consistentes quase o ano todo.

Duas pessoas relaxam em uma piscina de borda infinita com vista para o mar e coqueiros. Em primeiro plano, uma toalha com cartas de baralho e dois cocos com canudos e rodelas de laranja sobre um deck de madeira
Piscina com borda infinita e vista para o mar no Barracuda (Renata Ghiotto/Divulgação)
Homem de costas, com cabelo crespo e shorts escuros, sentado em uma rocha na base de uma cachoeira de múltiplos níveis, cercada por vegetação densa
Cachoeira do Cleandro, em Itacaré (Renata Ghiotto/Divulgação)

Para além do mergulho marítimo, a cidade histórica a 73 quilômetros de Ilhéus reserva excursões cheias de história e significado. Andar de canoa ou fazer um passeio de barco pelo Rio de Contas não só nos faz desconectar, como é uma prática comum desde o fim do século XIX, quando o porto do local virou ponto de escoamento da produção agrícola do estado, como via estratégica para a Chapada Diamantina.

Continua após a publicidade

O principal pilar da atividade econômica era o cacau, naquela época pelas mãos de senhores de engenho. No entanto, os fazendeiros abandonaram a cidade no século XX em busca de outros polos, como Ilhéus, que ganhava ferrovias e estradas. Nos anos 1980, outro evento histórico impactou a região: a infestação da praga vassoura-de- bruxa, que devastou plantações. O movimento de surfistas, pescado res e viajantes de todo o mundo trouxe vida de volta ao lugar.

A tendência atual é de fazendeiros que prezam por qualidade em vez da quantidade, de maneira mais orgânica e respeitosa à natureza. Na Fazenda Taboquinhas, no distrito homônimo, o permacultor Osvaldo de Brito e a esposa, Laura, realizam uma visita guiada na propriedade, passando por todo o processo, da plantação de cacau ao chocolate intenso e derivados, como um licor e até um hidratante.

Homem de camisa bege segura uma cesta de vime cheia de frutos de cacau maduros, em tons de vermelho e laranja, em meio à plantação
Fazendas de cacau oferecem passeios cheios de história em Itacaré (Renata Ghiotto/Divulgação)
Barco de madeira CIOBA com casco branco, faixa azul e verde, mastro central e toldo branco, flutuando em águas calmas sob céu azul com nuvens esparsas. Ao fundo, vegetação e faixa de areia.
Passeio de barco no Rio de Contas (Renata Ghiotto/Divulgação)
Continua após a publicidade

Conhecer o lugar, que é referência nacional em produção sustentável e turismo rural e foi assunto no programa Domingão com Huck, da TV Globo, é uma forma de aprender sobre a história e descobrir como o chocolate baiano virou um dos mais prestigiados do mundo. Osvaldo ressalta os benefícios do superalimento para a saúde e revela que apenas os cacaus de melhor qualidade são usados para a produção, enquanto o restante segue para exportação: “Nós fazemos uma seleção porque toda e qualquer impureza não pode ir para o forno para torrar”.

Essa e outras experiências estão disponíveis em um menu especial aos hóspedes do Barracuda Hotel & Villas e do Oiti by Barracuda (diárias para dois com café da manhã a partir de R$ 3 460,00 e R$ 1 200,00, respectivamente). Ambas as propriedades são administradas pelo casal formado pela designer paulistana Juliana Ghiotto e o surfista nativo Daniel Lima.

Em 2004, os dois se juntaram a um grupo de amigos suecos, entre hoteleiros, empresários e artistas, que se apaixonaram por Itacaré, para desenhar um conceito de hotelaria, em sintonia com a onda do novo luxo. “Não gosto de usar a palavra ‘luxo’”, afirma Juliana. “Prefiro falar ‘alto padrão’, porque esse termo diz respeito à qualidade e consistência.”

Resort de luxo com várias casas de madeira e telhados escuros, cercado por densa vegetação tropical e palmeiras altas, sob um céu azul com nuvens esparsas
No meio da Mata Atlântica: Barracuda Hotels & Villas (Renata Ghiotto/Divulgação)
Continua após a publicidade
Resort de luxo com arquitetura de madeira e piscina de borda infinita, com espreguiçadeiras azuis no deck. Ao fundo, coqueiros e vegetação exuberante, com o mar azul visível no horizonte sob um céu claro
Novo conceito de luxo em Itacaré (Renata Ghiotto/Divulgação)

A estadia em ambos é como a de um hotel-boutique com piscina e vista para o mar. Com atmosfera mais isolada e tranquila, o Barracuda se espalha por 26 hectares de Mata Atlântica, oferece aulas de ioga e treino funcional em um deque em meio à natureza e tem duas opções de hospedagem: suíte ou vila (casa completa para até dezesseis pessoas).

O Oiti fica no meio do agito da cidade, com estilo de guest house (acomodação intimista). O projeto arquitetônico minimalista das duas unidades valoriza peças de designers brasileiros e as texturas naturais, como a madeira e a palha de dendê.

Com um número pequeno de quartos, a atenção é maior a cada hóspede e cada serviço é oferecido em ritmo artesanal, personalizado e compatível com o local. Os shampoos e condicionadores nos banheiros de cada suíte, por exemplo, são feitos pela mãe de Juliana, sem ingredientes químicos.

Continua após a publicidade
Uma pessoa com blusa escura pegando um pequeno copo de madeira com bebida e folha de hortelã de uma bandeja de madeira, que está sendo segurada por outra pessoa. Há mais dois copos na bandeja.
Coquetel de boas-vindas com mel de cacau (Renata Ghiotto/Divulgação)
Rede de descanso bege e branca pendurada entre pilares de madeira rústica, com vista para o mar azul-turquesa, coqueiros e uma piscina de borda infinita. Duas espreguiçadeiras de madeira com palha estão no deck de madeira, sob um céu azul com nuvens brancas. Ao fundo, uma ilha verdejante.
Diferentes formatos de hospedagens no Barracuda (Renata Ghiotto/Divulgação)

O drinque de boas-vindas leva mel de cacau (suco da polpa fresca do fruto) com um toque de limão. No restaurante, aproveite para provar o Barracuda frozen, que combina a bebida com gim, na companhia de pratos como o peixe em crosta de amêndoas ou o polvo tostado com batatas. “É uma hospitalidade muito baseada no território, em que Itacaré não é só um cenário, é uma parte presente em todos os momentos da jornada dos hóspedes”, avalia a sócia. “Não abrimos mão da nossa cultura e dos nossos valores.”

Para complementar a atuação, a empresa de hotelaria criou em 2021 o Instituto Yandê, uma associação sem fins lucrativos que tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento socioambiental do município por meio de ações educativas e culturais de apoio ao empreendedorismo. “Como moradora, estou sempre dentro de iniciativas culturais em comunidades e vejo como isso é respeitado e preservado. Estar no instituto é a extensão desses valores”, conta a gestora de projetos da instituição, Michele Franco.

Continua após a publicidade

Uma vez em Itacaré, não deixe de conhecer o centrinho, onde es tão restaurantes charmosos — o Jiló prepara um tartare de peixe do dia e um arroz de polvo deliciosos —, lojas — a Rua da Pituba, como os nativos chamam a Rua Pedro Longo, seu nome oficial, concentra as mais interessantes, como a recém-inaugurada Yona, de roupas e acessórios —, a Igreja Matriz São Miguel Arcanjo, de 1723, a Praça dos Cachorros e o Mirante do Xaréu, perfeito para ver o pôr do sol.

Neste refúgio tranquilo e cheio de personalidade no sul da Bahia, cada canto reserva uma lembrança inesquecível.

Publicado em VEJA São Paulo de 17 de julho de 2026, edição nº 3004

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

Revista em Casa + Digital Premium
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Premium

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês