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Galerias vendem obras por valores mais acessíveis

Surgem na metrópole espaços dedicados à venda de peças mais em conta para os consumidores

Por Laura Ming
7 nov 2014, 23h50 • Atualizado em 1 jun 2017, 17h11
Carbono Galeria
Carbono Galeria (Divulgação/)
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  • Vários indicadores mostram o aumento do interesse por arte na cidade. As filas na porta de algumas exposições representam um bom termômetro. O Instituto Tomie Ohtake, em Pinheiros, virou um hit graças a block busters como a mostra de Yayoi Kusama. Os trabalhos da artista japonesa atraíram, entre maio e julho deste ano, cerca de 500 000 visitantes, o maior número já registrado pelo centro cultural em uma única atração.

    + Cinco exposições imperdíveis

    O endereço vive outro momento de ebulição depois da estreia, no fim do mês passado, de um evento dedicado a Salvador Dalí. Algumas pessoas aguardam até quatro horas para poder entrar. O crescimento desse público faz aumentar o número de consumidores nas galerias da capital.

    Entre 2010 e 2013, quinze espaços surgiram para atender à demanda, um número de inaugurações quase três vezes maior que o da década anterior. De olho no movimento, empresários apostam agora em espaços dedicados a vender produtos com preços mais acessíveis, na mira de clientes que pretendem aposentar o velho pôster da parede e trocá-lo por uma gravura original ou fotografia.

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    Os espaços trabalham com edições de obras, como são chamados os quadros ou esculturas feitos em tiragens de até 200 unidades. Há um ano e meio, as amigas Ana Serra e Renata Castro e Silva, que trabalhavam com publicidade, decidiram abrir uma galeria com trabalhos inéditos de nomes brasileiros. Desde a inauguração da Carbono, localizada no Jardim Paulistano, elas comercializam esculturas, objetos e gravuras. “Convidamos um curador, que escolhe os artistas. Depois disso, as obras são criadas. Dessa forma, os trabalhos só podem ser encontrados aqui”, explica Renata. No local, é possível comprar, por exemplo, uma gravura pequena do precursor da arte cinética, Abraham Palatnik, por 8 000 reais. Uma tela assinada por ele, para efeito de comparação, chega a custar quarenta vezes mais.

     

    Entre as peças mais cobiçadas à venda está uma escultura de Tomie Ohtake, pertencente a uma edição de cinquenta unidades, que sai por 35 000 reais. Uma nova encomenda foi feita depois que o primeiro lote se esgotou rapidamente. As cifras são altas para quem não está habituado a esse circuito, mas é a chance de ter nas paredes de casa um artista de prestígio.

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    “Sempre gostei do trabalho contestador do Paulo Bruscky, mas, quando suas obras começaram a ser vendidas, eram caras”, conta a pesquisadora Ana Leticia Fialho, de 40 anos. No ano passado, ela adquiriu uma gravura do pernambucano por 2 000 reais na Carbono. Uma das pioneiras no negócio, a Multiplique Boutique, de Gabriela Inui, surgiu em 2010.

    Desde então, o volume de vendas aumentou 50%. Ali, as tiragens são maiores e, por isso, o valor das obras é mais baixo. Uma das peças que fazem mais sucesso é um boneco de vinil do paulistano Edgard de Souza (180 reais). “Iniciei esse projeto porque gostaria que mais pessoas tivessem acesso à arte contemporânea”, conta Gabriela.

    A Multiplique não possui loja física. Os produtos são comercializados pelo site ou em feiras. O próximo evento da marca será no dia 29, quando peças de Antonio Dias, Matheus Rocha Pitta e da dupla AVAF estarão à venda na Galeria Superfície, nos Jardins. Os espaços servem como porta de entrada para novos colecionadores.

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    Um deles é o headhunter Joseph Teperman, de 35 anos. Ele se aproximou desse mundo depois de conhecer a Parte, uma feira de arte dedicada a vender obras mais em conta. Após rodar seis horas e fazer muita pesquisa, saiu de lá com boas compras, a exemplo de uma fotografia de Arnaldo Pappalardo, que integra a coleção do Masp.

    “Demorei dez anos para comprar minha primeira obra, foi um longo namoro, mas valeu a pena. Fiquei tão feliz que saí para comemorar. Agora quero continuar comprando”, diz. A Parte está em sua quarta edição e vai até domingo (9), no Paço das Artes.

    Não há um teto para os trabalhos vendidos, mas 60% do que está exposto custa até 5 000 reais. Os indecisos podem solicitar a ajuda de consultores que orientam na escolha. Trata-se de um bom canal para quem está pensando em trocar o velho pôster na parede por algo mais nobre.

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    Valor artístico: confira quanto custam algumas obras feitas em série

    • Fotografia de Lucas Lenci, na feira Parte: 2 300 reais
    • Gravura de Cildo Meireles, na Multiplique Boutique: 5 000 reais
    • Escultura de Guto Lacaz, da Carbono Galeria: 6 000 reais
    • Trabalho de Alex Flemming, na feira Parte: 9 000 reais
    • Escultura de Tomie Ohtake,da Carbono Galeria: 35 000 reais
    Tomie Ohtake
    Tomie Ohtake ()
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