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Conjunto de monólogos de “Ficção” tem resultado irregular

Dois ótimos solos e outros quatro fracos desnivelam o projeto da Cia. Hiato

Por Dirceu Alves Jr. 18 out 2012, 21h27 | Atualizado em 5 dez 2016, 16h45

Em 2007, o cineasta Eduardo Coutinho produziuo documentário Jogo de Cena. As atrizes Andréa Beltrão, Fernanda Torres e Marília Pêra dramatizavam histórias colhidas entre anônimos, e o espectador, fascinado, permanecia na dúvida sobre o que era real ou representação. A Cia. Hiato, liderada pelo dramaturgo e diretor Leonardo Moreira, também recorre aos limites entre a vida e a criação. Em cartaz no Sesc Pompeia, o espetáculo Ficção é formado por seis monólogos. A cada noite dois são apresentados, com base em referências biográficas do elenco.

Sopro de renovação com as peças Cachorro Morto (2008), Escuro (2009) e O Jardim (2011), a Hiato chamou atenção pela sofisticação na dramaturgia e nas encenações. Esse mesmo desafio reaparece aqui. A ousadia de levar o confessional ao extremo, porém, quebra o crescente diálogo que o grupo construiu como público. Apenas dois dos seis solos cumprem — nesses casos, primorosamente — o objetivo de abolir a percepção de ator e personagem, fundindo invenção e memória.

Os demais pecam pela irregularidade e por histórias de tema restrito. Melhor atriz do grupo, Luciana Paes promove a catarse ao fazer uma relação entre as tragédiasda artista plástica Frida Kahlo e as próprias histórias. Ápice do conjunto, Luciana só encontra equivalência em Thiago Amaral. O ator comove ao transformar um tema delicado em comédia: a aceitação do pai, Dilson (presente emcena), diante de suas escolhas. Caracterizado como coelho, Thiago compara o mamífero com os humanos e convida Dilson a se inserir na ficção, escrevendo uma história.

A relação mãe e filha norteia a encenação de Maria Amélia Farah, que mistura sem inspiração os rigorosos costumes da família muçulmana aos ensinamentos da dança do ventre. Mais interessante e pretensiosa é aproposta de Aline Filócomo. A atriz busca na sua profissão o elo para falar da irmã, Milena, a quem sempre imitou. Repleto de citações, o solo dispersa quem não possui intimidade com o universo teatral.

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Fernanda Stefanski e Paula Picarelli, por sua vez, interpretam peças equivocadas. A primeira reconstitui uma trama que envolve um tio e a mulher dele, com os quais não conviveu, e quebra a unidade pelo distanciamento. Paula, por sua vez, se expõe ao relembrar a projeção da novela Mulheres Apaixonadas (2003). No formato de entrevista, ela se assume invejosa diante do sucesso alheio e alcança algum impacto, mas carece de efeito cênico.

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