Como é fazer um cruzeiro no Mediterrâneo
Embarcamos no MSC Splendida em um roteiro de 7 noites que passa por Espanha, Itália, França e Malta e combina história, gastronomia e lindas praias
Depois de um voo de quase doze horas com escala em Madri, pousamos em Barcelona, na Espanha. Esse era só o ponto de partida para uma viagem pelo Mar Mediterrâneo, destino que, entre junho e agosto, vive o auge da temporada no verão europeu. Chegamos à capital da Catalunha na manhã de um sábado ensolarado de primavera. Nem a horda de turistas ofuscava o brilho dessa cidade tão vibrante — e, aparentemente, tampouco abalava a tranquilidade de seus moradores, que passeavam de bicicleta em família e se reuniam nas mesas dos cafés e bares nas charmosas ruas fechadas ao trânsito de carros em Eixample. O distrito central é uma boa escolha para hospedar-se.
Pernoitamos no Catalonia Eixample 1984, hotel moderno instalado num edifício histórico retrofitado, e, no dia seguinte, seguimos para o terminal próprio da MSC Cruzeiros no porto, de onde partiria nosso roteiro de sete noites a bordo do MSC Splendida pelo mare nostrum, termo cunhado pelos romanos quando dominavam aquelas águas. A região é a mais procurada pelos clientes da armadora e uma das preferidas dos brasileiros. “É uma combinação única de destinos mundialmente reconhecidos, séculos de história, culturas distintas, gastronomia e paisagens que fazem parte do imaginário de muitos”, pontua Adrian Ursilli, diretor-geral da MSC Cruzeiros no Brasil. Visitamos oito cidades em quatro países sem a inconveniência de desfazer e refazer malas ou encarar uma verdadeira gincana por estações ferroviárias, aeroportos ou rodoviárias para os deslocamentos entre uma cidade e outra. Para quem, apegado aos velhos clichês, ainda tem dúvidas sobre embarcar em um cruzeiro, esse é o primeiro argumento para experimentar a modalidade.
Além disso, o mercado, em ascensão, já oferece opções cada vez mais variadas e de perfis distintos. É possível aventurar-se numa expedição pela Antártida, explorar a floresta amazônica em embarcações confortáveis e sem aglomerações ou optar por experiências exclusivas em iates de luxo. “Hoje, o público é muito mais diverso, tanto em faixa etária quanto em interesses e estilos de viagem. Além das famílias e dos viajantes mais experientes, temos visto um crescimento significativo de hóspedes mais jovens, incluindo casais, grupos de amigos e viajantes solo”, afirma Adrian.
Na jornada que você confere a seguir, deslizamos pelas águas azuis do Mediterrâneo com paradas nos portos de Marselha, na França; Livorno, Cagliari e Palermo, na Itália; e Valeta, na Ilha de Malta. É possível embarcar e iniciar o mesmo roteiro em qualquer um deles. A seguir, confira a viagem completa, que termina onde começou. Antes de voltar para casa, ainda deu tempo para uma última caminhada por Barcelona, coroada com um almoço na charmosa Praça Real — construção neoclássica no Bairro Gótico, bem ao lado de La Rambla —, regado a jamón, copas de vinho e planos para a próxima viagem.
Dia 1 Barcelona (Espanha)
A capital catalã está ainda mais linda e vibrante. Caso sua viagem comece por aqui, separe alguns dias para curtir a cidade. Maior cartão-postal local, a Basílica da Sagrada Família, projetada por Antoni Gaudí (1856-1929), está na reta final de sua construção após 144 anos. Com a instalação da Torre de Jesus Cristo, em fevereiro, ela atingiu 172,5 metros de altura, tornando-se a igreja mais alta do planeta. O gênio da arquitetura moderna catalã sabia que não veria sua obra-prima finalizada; por isso, elaborou um projeto em etapas e deixou anotações detalhadas para que as futuras gerações a concluíssem. No último dia 10 de junho, data do centenário da morte de Gaudí, o papa Leão XIV presidiu uma cerimônia especial de inauguração e bênção da torre. Como os ingressos para entrar no templo andam concorridíssimos, confira a disponibilidade com antecedência. O Park Güell, a Casa Batlló e La Pedrera são outras obras do mestre que merecem uma visita. Outro passeio indispensável é uma caminhada pela La Rambla, a famosa avenida de pedestres que liga a Praça da Catalunha ao Monumento a Cristóvão Colombo, à beira-mar. Para quem não dispensa umas comprinhas, vale reservar tempo — e disposição — para a Primark, loja de departamentos que atrai multidões com peças boas, bonitas e (bem) baratas. E não vá embora sem subir o Montjuïc e visitar o Museu Nacional de Arte da Catalunha (MNAC). Seu acervo de arte românica é formidável, além das coleções góticas, renascentistas e modernas. Bônus: o local oferece, gratuitamente, uma das paisagens mais belas de toda a cidade. Na pausa para o almoço, o El Mercat (@elmercatbcn), em Eixample, serve ótimas tapas e a culinária mediterrânea clássica.
Dia 2 Marselha (França) — o que fazer na capital da Provence
Fundada pelos gregos por volta de 600 a.C., Marselha é a cidade mais antiga da França. Ao longo dos séculos, o charmoso balneário recebeu comerciantes, imigrantes e viajantes de diferentes origens, moldando uma identidade marcada pela diversidade cultural, pela forte relação com o mar e por um ritmo bem mais descontraído do que o de Paris. Comece subindo a colina onde está a Basílica de Notre-Dame de la Garde. Erguida no século XIX e coroada por uma estátua dourada da Virgem Maria, a igreja oferece a mais bela vista da cidade e do Château d’If. A fortaleza inspirou o clássico O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas (1802-1870) — é ali que o herói Edmond Dantès é preso injustamente antes de planejar sua vingança. A obra transformou a cidade em cenário de uma das histórias mais famosas da literatura francesa. De volta à parte baixa, o passeio segue pelo Vieux-Port (o porto velho) e pelo Le Panier. O bairro mais antigo é também o ponto mais charmoso da cidade, repleto de ruelas estreitas, fachadas coloridas, ateliês e pequenas galerias de arte. Perca a hora em um dos restaurantes e cafés instalados nas praças e aproveite para experimentar a tradicional bouillabaisse, a clássica sopa de peixes e frutos do mar local. Na região portuária, o museu Mucem é parada cultural obrigatória. O edifício contemporâneo de concreto rendado, ligado ao histórico Forte Saint-Jean por passarelas suspensas, abriga exposições dedicadas às civilizações mediterrâneas. Antes de ir ebmora, leve de lembrança o famoso sabonete de Marselha, produzido com óleos vegetais por meio de métodos artesanais que remontam ao século XVII — uma tradição secular irresistível.
Dia 3 Livorno, Pisa, Florença (Itália) — Três cidades em um dia
Do porto de Livorno, pegamos um ônibus para Pisa em um trajeto de cerca de trinta minutos. A primeira parada foi a Praça dos Milagres (Piazza dei Miracoli), conjunto monumental que reúne a catedral, o batistério e a famosa Torre de Pisa, com sua inclinação de quase 4 graus — resultado de uma fundação rasa sobre um solo instável. Após obras de estabilização geométrica, a estrutura do edifício encontra-se segura, permitindo, até mesmo, a subida dos turistas. Dali, a visita segue para Florença, a cerca de uma hora de distância. Na capital da Toscana, comece o passeio pela Piazzale Michelangelo, mirante dono da icônica vista que emoldura o Rio Arno, a Ponte Vecchio e o Duomo. Ao lado, os Jardins das Rampe convidam a uma caminhada tranquila em direção ao centro histórico, pontuado por locais carregados de história. O principal deles é a Piazza della Signoria, coração político de Florença. Ela é rodeada pelo Palazzo Vecchio (atual prefeitura) — que exibe logo na entrada uma cópia do David, de Michelangelo, cujo original repousa na Galleria dell’Accademia, a uma curta caminhada dali —, pela Loggia dei Lanzi, uma galeria de arte a céu aberto com esculturas icônicas como Perseu com a Cabeça da Medusa e o Rapto das Sabinas, e pela Fonte de Netuno. Os arredores da Piazza della Repubblica, cercada por cafés e edifícios históricos, concentram o comércio de luxo da cidade, abrigando lojas de grifes como Gucci, Prada e Salvatore Ferragamo. Para comer, uma sugestão é a trattoria Nuti (@ilgrandenuti), que prepara massas frescas em vitrines à vista dos pedestres, um excelente pappardelle ao ragu de javali e a bistecca alla fiorentina, dois clássicos locais. Termine o roteiro no Mercato Centrale, que reúne produtos típicos da Toscana, pequenos produtores locais e restaurantes.
Dia 4 Cagliari (Itália) — Aproveite as lindas praias da Sardenha
A capital da Sardenha combina vestígios de diferentes civilizações com algumas das praias mais bonitas do Mediterrâneo. O bairro histórico de Castello, cercado por muralhas e ruelas que preservam a atmosfera medieval, é o melhor ponto de partida. Ali ficam o imponente Bastione di Saint Remy — terraço panorâmico de onde se avistam o porto, o centro histórico e o mar — e o Castelo de San Michele, fortificação situada em uma colina que hoje abriga exposições temporárias. Descendo em direção ao centro, o bairro de Stampace é conhecido por suas igrejas, pequenas praças e construções históricas que revelam o autêntico cotidiano dos moradores. Mas, se a preferência for por aproveitar o mar — afinal, estamos na Sardenha —, a extensa Praia de Poetto, com sua areia clara e águas azul-turquesa, é a principal faixa litorânea da cidade e reúne ótimos beach clubs. Com um pouco mais de tempo, vale esticar até a belíssima Praia de Calamosca, a poucos quilômetros do porto de cruzeiros, uma enseada mais tranquila, cercada por vegetação e águas cristalinas. Uma das massas mais tradiconais na ilha, a fregola sarda é feita à base de sêmola de trigo duro e água, moldada em pequenas bolinhas irregulares e servida com molhos ricos em frutos do mar. Segundo o respeitado guia italiano Gambero Rosso, os melhores endereços para provar o prato se concentram no antigo bairro de pescadores, Marina, com destaque para as mesas do Antica Hostaria e do Sa Domu Sarda.
Dia 5 Palermo e Monreale (Itália) — mosaicos e cannoli na capital da Sicília
Antes de explorarmos a capital da Sicília, subimos até Monreale, uma joia de cidade a 10 quilômetros de Palermo, encarapitada nas encostas do Monte Caputo. Sua principal atração é a magnífica Catedral de Monreale, construída no século XII e considerada uma das maiores obras da arquitetura árabe-normanda. Os mosaicos dourados que revestem o interior e os pisos de mármore colorido são de cair o queixo, fazendo do monumento um dos grandes tesouros artísticos da Itália. De volta à capital, um passeio a pé pelo centro histórico passa pelo famoso cruzamento dos Quattro Canti (ele divide a cidade em quatro bairros históricos com suas fachadas côncavas adornadas por esculturas que representam a transição da terra para o céu) e pela Piazza Pretoria, famosa por sua imponente fonte renascentista. Outro destaque é a Catedral de Palermo, que reúne diferentes estilos arquitetônicos — um reflexo nítido das sucessivas dominações que a ilha sofreu ao longo da história. Para mergulhar de cabeça na atmosfera local, vale caminhar pelos mercados tradicionais, como o Ballarò, e seus aromas, cores e referências à rica gastronomia siciliana. Aproveite a visita para provar dois ícones da cozinha local: o arancino (bolinho de arroz) e os cannoli sicilianos. Escondida em um antigo convento a apenas 400 metros da Catedral de Palermo, a confeitaria I Segreti del Chiostro é uma dos melhores lugares para saborear a sobremesa, que consiste em tubos de massa frita recheados na hora com um levíssimo creme de ricota de ovelha e cobertos por pistache ou chocolate.
Dia 6 Valeta (Malta) — uma joia no meio do Mediterrâneo
A chegada ao porto de Valeta, logo nas primeiras horas do dia, é um dos maiores espetáculos da viagem. Com o sol nascendo, os passageiros são recebidos por uma vista panorâmica de fortificações históricas, muralhas de pedra dourada e cúpulas de igrejas do século XVI. Arquipélago no centro do Mediterrâneo, Malta é um mosaico de influências fenícias, romanas, árabes, normandas, italianas e britânicas que a tornam única. Sua posição estratégica fez da ilha um importante entreposto comercial e militar ao longo dos séculos, deixando como legado uma cultura singular, marcada por diferentes idiomas, arquiteturas e tradições. Uma bela amostra dessa história está na capital, Valeta, fundada pelos Cavaleiros da Ordem de São João no século XVI e reconhecida como Patrimônio Mundial da Unesco. Suas ruas estreitas podem ser facilmente percorridas a pé. Uma visita indispensável é a Concatedral de São João — a MSC Cruzeiros oferece excursões com ingressos que dispensam as longas filas. O exterior austero do templo contrasta com o interior ricamente ornamentado em estilo barroco, que abriga duas obras-primas de Caravaggio (1571-1610), entre elas A Decapitação de São João Batista, uma das telas mais importantes do mestre. O local ainda oferece uma experiência imersiva que destrincha o processo criativo desse gênio barroco e contextualiza a sua passagem por Malta. Para ir além faça um tour pelas chamadas Três Cidades — Vittoriosa (ou Birgu), Senglea e Cospicua —, que preservam antigas fortificações e oferecem belas vistas do Grande Porto.
Dia 7 Em navegação — Dia de explorar o navio MSC Splendida
Esse é o dia ideal para aproveitar o navio — uma das grandes vantagens desse roteiro é cobrir portos muito próximos uns dos outros, deixando apenas um dia de navegação e todo o restante em terra. O MSC Splendida — embarcação que a partir de novembro estará no Brasil para a temporada 2026/2027 na América do Sul — é uma verdadeira cidade flutuante, com capacidade para mais de 4 000 passageiros e mais de 1 600 cabines divididas em cinco categorias, incluindo as suítes do MSC Yacht Club, uma experiência premium dentro da embarcação. Acredite: seu dia a bordo não será nada tedioso. O complexo combina lazer, gastronomia e entretenimento em grande escala. São quatro piscinas, jacuzzis, academia equipada, spa e amplos deques externos que convidam ao relaxamento sob o sol do Mediterrâneo. Para recarregar as energias, o MSC Aurea Spa oferece massagens e tratamentos estéticos, além de saunas. O bufê é o restaurante mais concorrido, portanto, é aconselhável evitar os horários de pico, para não enfrentar filas nas estações ou ficar rodando atrás de uma mesa. Já o jantar pode ser desfrutado nos restaurantes à la carte, lembre-se, em horários e mesas predefinidos — confira essas informações em seu cartão de cruzeiro. Há também os chamados restaurantes de especialidades, que servem refeições cobradas à parte, mas a preços razoáveis. A steak house Butcher’s Cut, com cortes suculentos e ótimos acompanhamentos, é uma boa pedida para sair do básico. Para quem não dispensa as compras, vale a pena ficar de olho nas promoções diárias da promenade, com descontos bem atraentes em perfumaria e óculos de sol, por exemplo. A diversão em família é garantida por atrações como o cinema 4D e até um simulador de Fórmula 1 (ambos cobrados à parte), além dos clubes infantis e juvenis que garantem o entretenimento dos menores. À noite, entram em cena espetáculos musicais no teatro principal (convites devem ser reservados), música ao vivo nos bares e festas na discoteca Club 33, que transformam o navio em uma balada flutuante. Procurando bem, haverá sempre um cantinho pra chmar de seu.
PROGRAME-SE
Quanto custa o cruzeiro de 7 noites pelo Mediterrâneo no MSC Splendida
ROTEIRO
Barcelona (Espanha), Marselha (França), Livorno, Cagliari e Palermo (Itália) e Valeta (Malta).
PREÇO
A partir de R$ 5.912 por pessoa em cabine dupla, em saídas de Barcelona (26 de julho).
PACOTES
Bebidas alcoólicas: R$ 1.050.
Bebidas + internet: R$ 2.030.
PAGAMENTO
Cruzeiro, excursões e serviços podem ser parcelados em até 12 vezes no cartão.
Publicado em VEJA São Paulo de 26 de junho de 2026, edição nº 3001

O navio MSC Splendida: capcidade para 4 000 passageiros MSC Cruzeiros/Divulgação





