Cirque du Soleil retorna a São Paulo com a estreia de ‘Alegria – In a New Light’
Entre equipe técnica e elenco artístico, 119 profissionais de 25 países trabalham para o show acontecer
Dois anos depois de sua última passagem por São Paulo — com o espetáculo Crystal, todo encenado sobre uma pista de patinação no gelo —, o Cirque du Soleil retorna à cidade para apresentar Alegría – In A New Light, até dia 8 de novembro, no Parque Villa-Lobos. Inédita no Brasil, esta é a releitura de um dos trabalhos mais icônicos da companhia canadense: Alegría, lançado em 1994 e visto por mais de 14 milhões de pessoas em 255 cidades ao redor do mundo.
Lançada em 2019, em Montreal, cidade-sede da trupe, a montagem atual, que além do Canadá passou pelos Estados Unidos e Europa, é ambientada em um reino sem rei, em que o trono vago se transforma em objeto de disputa entre a velha ordem e uma juventude que busca renovação.
A produção mantém a essência do espetáculo original, mas incorpora ajustes na narrativa e na direção de cena, além de renovar os números acrobáticos. Para a diretora artística do Cirque du Soleil, Rachel Lancaster, as adaptações foram importantes para torná-lo mais contemporâneo. “O público de 1994 era muito diferente do de 2019, de 2026. E esperamos que esta série continue relevante até a década de 2030”, argumenta. O resultado segue sendo uma combinação poderosa de acrobacias emocionantes, trilha sonora orquestrada ao vivo e figurinos e cenários impactantes.
Para que a mágica aconteça diante da plateia, é necessária uma estrutura monumental. Só de equipamentos são 2 000 toneladas. A “grande tenda” tem 19 metros de altura e 51 metros de diâmetro, uma área aproximada de 4 600 metros quadrados, com capacidade para 2 500 espectadores. Para montá-la, foram gastos oito dias.
Para além do condicionamento físico exigido do elenco, Rachel destaca outro desafio: manter a equipe envolvida depois de tantas apresentações — na temporada paulistana, são oito sessões semanais, de quarta a domingo. “Você realmente precisa querer fazer esse trabalho. Há muita repetição, muitas horas de trabalho. Então, é uma questão de manter as pessoas motivadas”, diz.
Uma missão complexa quando se pensa no número de profissionais envolvidos: 119 (sendo 54 artistas) de 25 países. Oito brasileiros integram a equipe, como o paulista de São Bernardo do Campo, Thiago Andreuccetti. Ele forma, com o norte-americano Joel Baker, a dupla de palhaços que aparece em diversos momentos da apresentação, interagindo com a plateia e servindo de contraponto aos números de alto risco. Em 2017, Thiago se inscreveu para uma audição do Cirque e foi escolhido para criar o personagem cômico Tito, de Amaluna. Em 2025, veio o convite para integrar Alegría – In A New Light, durante a turnê europeia.
Apesar de experiente, ele ainda sente o frio na barriga antes de entrar em cena. “Não tem como não ficar nervoso diante de 2 500 pessoas, fazendo algo que é vivo, né? A gente está o tempo todo alerta para qualquer interação que a gente possa trazer para dentro do espetáculo”, conta. O que a diretora espera é que Alegría – In A New Light “ilumine São Paulo com toda a emoção e empolgação que o espetáculo pode proporcionar”.
Parque Villa-Lobos. Avenida Queiroz Filho, 1 315 (Bolsão B), Vila Hamburguesa. Qua. e qui., 20h. Sex. e sáb., 16h e 20h. Dom., 15h e 19h. R$ 480,00 a R$ 1430,00. Até 8/11. eventim.com.br.
Publicado em VEJA São Paulo de 21 de agosto de 2026, edição nº3009







