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Vila Madalena ganha seu primeiro cinema de rua, o Cine Tutu; veja fotos

Novo espaço cultural tem projeto de Isay Weinfeld e proposta de integração ao circuito cultural da cidade

Por Mattheus Goto 1 Maio 2026, 08h00 | Atualizado em 28 Maio 2026, 10h08
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Estilo contemporâneo na decoração do Cine Tutu (Divulgação/Divulgação)
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Os cinéfilos paulistanos ganharão um novo cinema de rua em breve. O Cine Tutu tem inauguração prevista para agosto. Localizado na Rua Girassol, 555, o espaço é o primeiro do tipo na Vila Madalena. Com projeto de Isay Weinfeld, terá uma sala com 114 lugares e o café-bar Barouche na entrada.

A novidade partiu de Paulo Velasco. O empresário é um dos sócios do Cinesala, em Pinheiros, junto de Adhemar Oliveira e do ex- jogador Raí Oliveira (que não são irmãos). “O Cinesala (que teve outros nomes e administrações) existe desde a década de 60. Eu assumi em 2014 com a ideia de ter outras unidades, mas com projetos com identidade própria, sem uma escala industrial. Foram doze anos até o Cine Tutu.”

Nesse novo endereço, ele segue em voo solo, mas com o apoio de três “investidores-conselheiros”: Alfredo Setubal, sócio da Editora Todavia; Marcos Nisti, sócio fundador da Maria Farinha Filmes e vice-presidente do Instituto Alana; e Mariana Lucas, pesquisadora e professora de cinema na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap).

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Sócios: Alfredo Setubal, Paulo Velasco, Marcos Nisti e Mariana Lucas (Renato Parada/Divulgação)
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“Eles são muito ligados à cultura e moram ou trabalham no bairro”, diz Velasco. Ele conta que o trio tem uma participação de 30%, e a posição deles “extrapola” a figura de um investidor por haver uma troca na construção do projeto.

A demora para a nova unidade ocorreu devido à dificuldade de chegar a um imóvel adequado. “Foi um desafio encontrar um espaço com generosidade para uma sala, que não tivesse muitas colunas”, afirma. Em 2021, o empresário encontrou o local no térreo de um empreendimento comercial, um teatro sem uso. Fechou um contrato de locação de doze anos. O nome Tutu é o apelido da filha do idealizador.

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O convite para Isay Weinfeld não foi por acaso. Além do prédio ser um projeto do arquiteto, Velasco tinha uma relação com ele de outros trabalhos. “O Isay gosta de cinema e nunca tinha feito um”, explica.

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Projeto de Isay Weinfeld para o Cine Tutu (Divulgação/Divulgação)
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O estilo da arquitetura foi pensado em decorrência do entorno e leva em conta o bairro, a rua e o edifício. Tem um ar mais contemporâneo, diferentemente do Cinesala, cuja história — um prédio da década de 60 que passou por várias fases — fica evidente na decoração, como visto na parede de tijolos à mostra. “A proposta é um cinema superconfortável, mas que ao mesmo tempo tenha uma irreverência e um deboche não corporativo.”

Na entrada, o Barouche também ficará com um espaço generoso e comportará de cinquenta a sessenta pessoas sentadas. A fachada “terá uma conexão imediata e poderosíssima com a rua”, nas palavras do empresário. “Temos a preocupação de criar identidade e proporcionar experiência. Hoje em dia, para as pessoas saírem de casa para ver um filme, é preciso ter algo a mais. São necessários esse cuidado e o aconchego visual.”

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A curadoria de filmes vai seguir a mesma linha do Cinesala, com 80% de títulos em cartaz e 20% de mostras temáticas. Pela proximidade das salas, as duas poderão se complementar, para que o público da região tenha mais opções de horários. Ou seja, quem não puder ir numa sessão à tarde em uma terá a oportunidade de assistir ao longa que deseja no outro.

“Às vezes, há um doce problema de estrear quinze filmes numa mesma semana. Vamos ter o olhar para a diversidade, para que um ajude a dar opções para o outro.” Quanto à precificação dos ingressos, a ideia é “ser democrático” — deve ser um preço semelhante ao Cinesala, onde hoje o ingresso inteiro para poltrona custa 42 reais.

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O grande sonho para o espaço é torná-lo um “instrumento cultural da cidade”, que seja parte do calendário cinéfilo, incluindo os principais eventos e festivais, como a Mostra de Cinema de São Paulo. “As salas de rua têm um impacto enorme, colocam um fluxo muito grande de pessoas na calçada e ajudam a transformar um bairro.”

O foco agora está nos últimos ajustes até a abertura. Mesmo sem um ritmo “industrial”, há o desejo de continuar expandindo. Espaço e oportunidade na cidade não faltam, basta encontrá-los.

Publicado em VEJA São Paulo de 1° de maio de 2026, edição nº 2993

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