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Na imensidão azul

Hospedagens do gênero seis-estrelas tornam o mergulho nas águas mais deslumbrantes uma experiência ímpar

Por Adriana Setti, de Bornéu, Komodo e Belize 20 abr 2013, 01h00 | Atualizado em 5 dez 2016, 16h06

Polegar e indicador juntos não sinalizam apenas que máscara, pesos, colete e tanque de ar estão a postos para mergulhar. É o sinal de que uma viagem a outro mundo está prestes a começar. No fundo do mar, o corpo não pesa, os movimentos são fluidos e lentos, a respiração é o único ruído a marcar o ritmo. Na água cristalina, apenas as bolhas fazem lembrar que é a correnteza, e não o vento, que nos empurra sobre jardins coralinos multicoloridos, pináculos em formas impossíveis, cavernas e cânions habitados por seres estranhíssimos. Num planeta onde se acotovelam mais de 7 bilhões de seres humanos, a exuberância submarina segue uma equação simples: quanto mais remoto, mais belo. Melhor ainda se, nesses últimos refúgios longínquos, houver uma cultura exótica e uma cama forrada de algodão egípcio para as doces noites de descompressão — seja em terra firme, seja a bordo de iates. A seguir, os lugares de tirar o fôlego.

BORNÉU

Um vulcão extinto emerge, solitário,de uma profundida de de 600metros em meio ao Mar de Celebes, que banha as Filipinas, a Indonésia e Bornéu. Tal condição geográfica única faz com que Sipadan reúna, num mesmo ecossistema, a fauna de arrecife e os gigantes — como os tubarões-baleia — do mar aberto, que se aproximam da ilha em busca de alimento e companhia para reproduzir-se. “Vi outros lugares como Sipadan há 45 anos, mas hoje eles não existem. A ilha que encontramos é uma obra de arte intocada.” A frase do explorador francês Jacques Cousteau é de 1989, mas nada mudou desde então. Preservada pelo governo malaio (o número de mergulhadores é limitado a 120 por dia e as autorizações devem ser solicitadas com meses de antecedência), a fauna de mais de 3 000 espécies de peixes e inúmeros corais integra o topo dos rankings de lugares imperdíveis para imersões. No lendário Barracuda Point, com visibilidade de 30 metros, tornados de barracudas (foto na galeria acima), cardumes infinitos de palometas e tipos raros de peixe-papagaio são presença garantida.

Descompressão: não é permitido hospedar-se em Sipadan. A vinte minutos de lancha rápida, o resort Mabul Water Bungalow (mabulwaterbungalows.com, diárias a partir de 1 016 dólares por pessoa) se distribui em bangalôs sobre palafitas, apoiados em um banco de areia, na Ilha de Mabul. Tem heliponto e um spa.

INDONÉSIA

Neste arquipélago com mais de 17 000 ilhas no Sudeste Asiático, é possível vasculhar bancos de areia em busca das mais raras e exóticas criaturas. Para os adeptos do chamado muck diving — mergulho em águas ricas em sais minerais que favorecem espécies incomuns —, o Estreito de Lembeh é o paraíso. Ao lado, ao norte da Sulawesi, na região central do país, Bunaken está entre os lugares para avistar paredes de coral. O giro termina no Arquipélago de Komodo, onde nadam arraias-jamanta.Ali estão o pináculo coberto de corais de Batu Bolong, além das pedras Crystal Rock e Castle Rock e dos cavalos marinhos pigmeus. Mais inacessível, o Arquipélago de Raja Ampat guarda uma das maiores biodiversidades marinhas.

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Descompressão: Com pouca infraestrutura e de difícil acesso, o triângulo formado por Sulawesi, Raja Ampat e Komodo atrai iates como o Samata (frete para duas pessoas a partir de 3 800 dólares ao dia, samataliveaboard.com). Com 42 metros, faz viagens que comportam até doze pessoas, acomodadas em suítes e atendidas por uma tripulação de catorze integrantes, incluindo instrutor de mergulho. O serviço “de superfície” abrange massagens e jantares em praias desertas.

BELIZE

O cartão-postal deste país no Caribe é uma circunferência azul de 300 metros de diâmetro e 120 metros de profundidade, conhecida como The Great Blue Hole, contornada por uma linha turquesa, a 100 quilômetros de Belize City. A 40 metros da superfície, o azul intenso requer uma lanterna para iluminar as estalactites gigantescas, a atração dessa imersão (além dos enormes, e inofensivos, tubarões-cinza). A cerca de uma hora e meia de lancha, a leste de Belize City, no Atol de Turneffe, a Black Coral Wall esbanjao raríssimo coral negro, quase extinto. As ameaçadas tartarugas-de-pente, tubarões de arrecifes, caranguejos gigantes e moreias completam a cena.

Descompressão: Com 25 quartos divididos por vilas ecottages, o Turtle Inn (diárias a partir de 285 dólares, coppolaresorts.com), em Placencia, é obra do diretor de cinema Francis Ford Coppola. De lá, saem expedições ao The Great Blue Hole e, de abril a junho, aos pontos frequentados pelos tubarões-baleia.

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MALDIVAS

Visto de um avião, este país é um punhado de gotas verdes pulverizadas sobre um fundo azul que deságua na areia fofa — as praias dali estão entre as mais belas. Sob a água verde-piscina, 26 atóis têm uma riqueza de cores. Pelas cavernas e canais desse labirinto, as correntezas do Oceano Índico carregam infindáveis cardumes. Os gigantescos tubarões-baleia, cuja aparição é o sonho de qualquer mergulhador, são avistados com frequência, assim como os polvos de anéis azuis. Esponjas e corais enfeitam pináculos, que emergem de lagoas azuis por onde tartarugas nadam com a tranquilidade que pede o lugar.

Descompressão: Eis um lugar concebido para dissolver os nódulos de tensão: praia, piscina, spa e refeições inesquecíveis congestionam a agenda diária. O novíssimo dive resort Viceroy (viceroyhotelsandresorts.com/maldives, diárias a partir de 1 440 dólares), na ilha de Vagaru, tem vilas ultramodernas com piscina privada, erguidas em madeira clara e vidro, sobre palafitas.

POLINÉSIA FRANCESA

Equipar-se a um pulo da cama e, com um passo, saltar no Pacífico Sul é a rotina na Polinésia Francesa. Em Rangiroa, uma das menos visitadas entre as 118 ilhas do arquipélago, uma dose de adrenalina tira o salto da mesmice. Nesse atol, os dois canais que conectam uma lagoa ao oceano são agitados pelas marés — condição ideal para o mergulho de correnteza. Como num filme, passam diante da máscara desde tubarões-martelo até barracudas.

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Descompressão: O Kia Ora (diárias a partir de 962 dólares, hotelkiaora.com) tem dois endereços na ilha. Alguns bangalôs equilibram-se sobre palafitas, outros são pé na areia. O spa oferece massagens com óleos feitos de ingredientes locais, como otamanu, indicado para combater os efeitos do sol, da umidade e do vento que vem do oceano.

 

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