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Tiny Desk Brasil estreia com João Gomes; confira os bastidores do projeto

A Vejinha acompanhou a gravação do primeiro episódio, que vai ao ar nesta terça-feira (7), às 11h, no YouTube

Por Tomás Novaes 7 out 2025, 09h00 | Atualizado em 5 jun 2026, 23h25
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João Gomes: festa junina em SP (Fernanda Carvalho/Divulgação)
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Tiny Desk Brasil estreia com João Gomes; confira os bastidores do projeto Priorizar nos meus resultados Google

Após semanas de suspense, foi revelado: João Gomes é a primeira atração do Tiny Desk Brasil, que estreia nesta terça (7), às 11h, no YouTube — a partir de hoje, os lançamentos serão semanais, sempre às terças-feiras.

A Vejinha acompanhou a gravação do primeiro episódio do projeto, que é uma versão nacional e oficial do programa americano de apresentações musicais gravadas em um escritório, criado em 2008 pela rádio NPR e gravado originalmente em Washington.

Liniker, Seu Jorge e mais recentemente Luiza Brina são alguns artistas brasileiros que participaram da edição estadunidense, além de grandes estrelas como Sting, Dua Lipa, Justin Bieber, Adele, Harry Styles, Coldplay e Taylor Swift — os vídeos acumulam mais de 3,5 bilhões de views.

Como é assistir a uma gravação do Tiny Desk?

Celulares proibidos. Silenciados ou desligados, precisam estar dentro de sacos plásticos ao entrar na sala de gravação, com o famoso escritório montado com os instrumentos — o público convidado não sabe quem é o artista da vez.

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Nas estantes, discos de Milton Nascimento, Noel Rosa, Gal Costa, Maria Bethânia e Rita Lee, entre outros. Detalhes como um filtro de barro e uma imagem de São Jorge completam o toque brasileiro do cenário, montado na sede do Google em São Paulo, na Avenida Brigadeiro Faria Lima.

O cenário do Tiny Desk Brasil: gravação em escritório
Show em escritório: o cenário do Tiny Desk Brasil (Fernanda Carvalho/Divulgação)
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Na manhã de 22 de setembro, após uma breve fala da produção, João Gomes e sua banda entraram em cena, com uma formação exclusiva para a apresentação, com o virtuoso Michael Pipoquinha no baixo, além de Jeovanny Sanfoneiro (sanfona), Kainã do Jêje (bateria), Gilú Amaral (percussão), Chibatinha (guitarra), Pedro Porto (violão) e Nilson Sax (flauta e sax).

Em pé e sem distrações, com atenção total à performance, a experiência é uma imersão na música em sua roupagem mais crua. Isso porque não há retorno para os músicos (ou seja, eles não recebem de volta o som que estão tocando, seja por monitores ou fones de ouvido) nem amplificação da voz — para quem está in loco, a voz soa um pouco baixa, realmente como um show desplugado.

O cantor e seu empresário, Dan Mendes, são espectadores do Tiny Desk. “Eles toparam de cara. Teve uma dificuldade de data pelo nascimento do filho do João, mas o desejo de fazer sempre foi muito claro”, diz Mariana Amabis, da produtora Amabis, que faz parte da curadoria. Segundo ela, a formação dos músicos foi uma proposta do próprio artista. “Tentamos deixar o artista o mais livre possível. É um programa de música e o artista precisa estar confortável acima de tudo. Quando fizemos a reunião, o João começou a ter ideias e trouxe todo esse elenco”, diz.

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Como o Tiny Desk ganhou uma versão brasileira?

As conversas sobre o braço brasileiro do projeto partiram dos próprios criadores. “Eles começaram a olhar para a América Latina como o próximo destino. Tive a sorte e a felicidade de receber uma ligação de colegas dos Estados Unidos, perguntando se tínhamos interesse — não hesitei, disse sim na mesma hora”, conta Bárbara Teixeira, CEO da Anonymous Content Brazil, empresa que lidera o projeto, à frente do licenciamento e da produção.

O Brasil é o terceiro país além dos Estados Unidos a ter uma versão oficial do programa, após Japão e Coreia do Sul. “Do ponto de vista deles, foi o reconhecimento de um potencial de se conectar mais com o público daqui. E ter mais música brasileira, trazendo ela para um público maior, porque a marca Tiny Desk dá um respaldo, é assistida em todo o mundo”, explica Bárbara.

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As negociações se estenderam por dois anos, até a entrada do YouTube como parceiro, responsável pela promoção, pela distribuição e pelo modelo comercial do projeto. Duas temporadas de cinco episódios estão confirmadas e serão lançadas ainda este ano, a primeira com patrocínio da Volkswagen do Brasil e a segunda da Heineken.

A curadoria é assinada pelos times da Anonymous Content Brazil e a produtora Amabis em diálogo com a NPR. “É uma troca criativa. Temos o pulso do mercado e do público local, e eles são uma redação de jornalistas de música muito qualificados. A gente propõe e eles dão opiniões”, explica Bárbara. O programa ainda terá entrevistas com as atrações, feitas pela jornalista Sarah Oliveira e publicadas às quintas-feiras.

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Qual o conceito do Tiny Desk?

O Tiny Desk não é somente uma apresentação musical gravada em um escritório — existem algumas condições que tornam o programa especial. A começar pela parte técnica, os músicos tocam sem retorno e amplificação de voz, assim precisando regular ao vivo os volumes dos instrumentos. “Sobre a curadoria, o filtro principal é a excelência ao vivo”, ressalta Mariana Amabis, sócia da produtora que leva o seu sobrenome, ao lado dos irmãos Gui e Rica, que colaboram na curadoria do programa brasileiro.

Outro ponto inegociável é que não há processamento de som na pós-produção, ou seja, sem efeitos nem correção de afinação. “Não tem como editar take, é uma performance ao vivo mesmo. É um desafio técnico para os artistas, já que hoje quase todos estão acostumados a tocar com retorno e a usar in-ear (fone de ouvido para ouvir o próprio som durante a apresentação)”, explica Gui Amabis.

Outra peça-chave na sonoridade do Tiny Desk é o microfone Sennheiser MKH 418-S, de formato alongado, usado para registrar as vozes. “É um microfone estéreo, de cinema, que capta o ambiente. Ele não é muito usado na música, e tem um som característico, que parece que você está ali na sala”, detalha Gui — a edição brasileira usa o mesmo modelo. “Aqui tudo é feito exatamente da mesma forma, para eles a qualidade sonora é o principal elemento do projeto. Seguimos à risca essa receita que faz o sucesso do programa”, completa.

A liberdade criativa rege a curadoria do Tiny Desk e a relação entre a NPR e a equipe brasileira, com foco na diversidade de ritmos e no equilíbrio entre artistas novos e consagrados. “É um lugar para experimentar, testar novos arranjos, porque tem limitações bem específicas. Você não faz um show comum. A provocação é: como vou transpor a minha sonoridade para cá?”, diz Mariana.

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