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Theatro Municipal cancela ópera de Jocy de Oliveira: “Não foi uma avaliação artística”

O Instituto Baccarelli, que assumiu a gestão do espaço em junho, detalhou a decisão à Vejinha; leia a carta da compositora, que completou 90 anos em abril

Por Tomás Novaes 26 ago 2026, 18h10
Mulher idosa de cabelos loiros e óculos escuros sentada em uma cadeira de vime com almofada verde, vestindo blusa roxa e camiseta vinho, olhando para a direita. Ao fundo, uma casa branca com janelas de venezianas azuis
A compositora Jocy de Oliveira, 90: a ópera inédita 'Medea e o direito de ser diferente', que estrearia em outubro, foi cancelada (Dácio Pinheiro/Divulgação)
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O Theatro Municipal cancelou três óperas que estavam previstas para serem apresentadas até o fim do ano, incluindo uma obra inédita de Jocy de Oliveira, grande compositora curitibana que completou 90 anos em abril.

As alterações resultam da transição da gestão do espaço, que em junho passou a ser administrado pelo Instituto Baccarelli, substituindo a Sustenidos Organização Social de Cultura pelos próximos cinco anos.

Foi cancelada a double bill que reuniria a nova ópera Medea e o direito de ser diferente, de Jocy, e Édipo Rei, de Igor Stravinsky (1882-1971), e estaria em cartaz de 30 de outubro a 7 de novembro.

No lugar, serão realizados três concertos da Orquestra Sinfônica Municipal: Requiem de Verdi, nos dias 23 e 24 de outubro, sob regência de Fabio Mechetti, com o Coro Lírico Municipal e o Coral Paulistano; Schubert e Mahler, nos dias 30 e 31 de outubro, sob regência de Roberto Minczuk; e, também sob regência de Minczuk, Morais e Tchaikovsky, nos dias 6 e 7 de novembro.

Outra alteração foi a substituição da ópera Andrea Chénier, de Umberto Giordano (1867-1948), pela remontagem de Os Pescadores de Pérolas, de Georges Bizet (1838-1875), com récitas nos dias 27, 28 e 29 de novembro, 1, 2, 4, 5 e 6 de dezembro.

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Resposta de Jocy de Oliveira

A musicista se pronunciou sobre o cancelamento da temporada de Medea e o direito de ser diferente, encomendada pela gestão anterior do Municipal, em carta aberta nas redes sociais.

Segundo a nota, foi assegurado que, com a troca de gestão, a programação não seria alterada. “Quem poderia imaginar que, após uma longa trajetória inteiramente dedicada à música, sem qualquer mancha em meu percurso, ao celebrar meus noventa anos de contínua criação e realizações, eu seria vítima de um preconceito que resultou na rejeição de minha obra dessa forma? Isso teria ocorrido caso eu fosse homem?”, questionou a compositora.

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Pioneira da música eletroacústica, que combina sons eletrônicos e orgânicos, a pianista trabalhou com nomes como Igor Stravinsky (1882-1971) e se especializa na criação de espetáculos multimídia desde os anos 60.

A artista foi procurada pela reportagem para fornecer mais detalhes sobre a tratativa com o Theatro Municipal, mas não respondeu até a publicação desta reportagem.

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O que diz o Theatro Municipal

À VEJA SÃO PAULO, a gestão da casa detalhou que a programação artística definida para o segundo semestre “levava em consideração as metas contratuais da gestão anterior e precisou compatibilizá-las com as metas previstas no novo contrato e com as condições operacionais e orçamentárias disponíveis”.

A decisão considerou “os compromissos já assumidos, a complexidade técnica e de produção dos títulos e os recursos necessários para realizá-los com a qualidade artística esperada pelo Theatro Municipal”. Segundo o Instituto Baccarelli, a decisão de mudar a programação “não decorre de uma avaliação artística das obras ou dos profissionais envolvidos”.

Sobre a substituição do espetáculo Andrea Chénier, a gestão informou que o contrato firmado estabelece, para a programação operística, a meta anual de realização de cinco novos títulos e uma remontagem. Com a troca de gestão, as metas são proporcionais aos sete meses restantes do ano, correspondendo à realização de três novos títulos e uma remontagem.

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Em 2026, antes da troca de gestão, o Municipal apresentou uma remontagem, O Amor das Três Laranjas, entre fevereiro e março.

Sobre a carta aberta de Jocy de Oliveira, o Theatro Municipal afirmou que “reconhece em Jocy de Oliveira uma das figuras mais importantes e singulares da música brasileira, pioneira na experimentação entre música, teatro, tecnologia e linguagens multimídia”, e que “sua obra e sua trajetória são motivo de profundo respeito e admiração por parte da instituição, que espera ter novas oportunidades de trabalhar com a compositora no futuro”.

Ainda segundo a gestão, “a programação do Theatro Municipal também contemplará produções contemporâneas, capazes de provocar debates e dialogar com questões do nosso tempo”.

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Leia a nota completa do Theatro Municipal

Em razão da transição de gestão do Theatro Municipal de São Paulo, ocorrida em junho de 2026, foi necessário realizar uma adequação da programação de óperas previstas para o segundo semestre do mesmo ano, de forma a compatibilizá-la com as metas e diretrizes estabelecidas no atual contrato de gestão. 

Entre as mudanças está o cancelamento do double bill, que reuniria as óperas de Jocy de Oliveira e Édipo Rei, de Igor Stravinsky, previsto para o período entre 30 de outubro e 7 de novembro. Em substituição, serão realizados três concertos da Orquestra Sinfônica Municipal. 

O primeiro será o Requiem de Verdi, nos dias 23 e 24 de outubro, sob regência de Fabio Mechetti, em seu primeiro concerto na casa como diretor musical, com participação do Coro Lírico Municipal e Coral Paulistano. Na sequência, nos dias 30 e 31 de outubro, será apresentado o concerto Schubert e Mahler, sob regência de Roberto Minczuk. E nos dias 6 e 7 de novembro, também sob regência de Minczuk, será apresentado o concerto Morais e Tchaikovsky. 

Outra alteração será a substituição da ópera Andrea Chénier, de Umberto Giordano, pela remontagem de Os Pescadores de Pérolas, ópera em 3 atos com música de Georges Bizet e libreto de Michael Carré e Eugène Cormon. A montagem será apresentada entre os dias 27, 28 e 29 de novembro, 01, 02, 04, 05 e 06 de dezembro, sob regência do maestro Roberto Minczuk e direção cênica de João Malatian. 

As adequações têm como objetivo assegurar que a temporada artística esteja em consonância com as diretrizes e metas do atual contrato de gestão, preservando a qualidade da programação do Theatro Municipal de São Paulo.

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