São Paulo fica “caliente” com Bad Bunny, reggaeton e noites latinas
Com festas, casas e shows, a cidade ferve em meio ao sucesso do cantor porto-riquenho; confira uma lista de bares-balada temáticos
São Paulo está mais caliente do que nunca. Em casas noturnas e eventos, soam ainda mais alto ritmos como salsa, cumbia, bachata, merengue e, claro, o reggaeton, fortalecidos pelo fenômeno Bad Bunny, astro porto-riquenho que levou o prêmio mais importante do Grammy no último dia 1º, pelo álbum DeBÍ TiRAR MáS FOToS (2025), e faz shows no Allianz Parque nos dias 20 e 21.
Não que a presença da música latino-americana por aqui seja uma novidade — vale lembrar os boleros de meados do século passado ou os hits de artistas contemporâneos como Shakira e Ricky Martin —, mas a cultura hermana nunca esteve tão em casa.
Um veterano desse movimento é o Azucar Club Latino, inaugurado em 2000 no Itaim Bibi e, após fechar durante a pandemia, reaberto em 2021 na Vila Madalena. “Estamos percebendo uma procura muito grande pelo reggaeton por parte dos jovens”, conta Charles Ferreira, administrador da casa inspirada na cultura cubana.
Além de duas pistas e banda ao vivo, ali são oferecidas aulas coletivas de dança. A demanda por eventos de música latino-americana em São Paulo aumentou com o estouro da batida na década passada. Com raízes na Jamaica, a partir do dancehall, o reggaeton começou a ser cantado em espanhol no Panamá, nos anos 90. Com o hip-hop e a cultura porto-riquenha, tomou a forma que conhecemos hoje.
No Brasil, a levada se espalhou com sucessos como Despacito, de Luis Fonsi com Daddy Yankee, e as incursões de artistas como Anitta no gênero. “A virada foi a internet e as parcerias de brasileiros com hispanos. Hoje é uma cena que cresce a cada ano”, comenta o DJ boliviano Pancho Valdez, atuante na noite paulistana desde 2009.
Após a pandemia, com a ascensão de artistas como o próprio Bad Bunny, as festas temáticas pipocaram na capital. “Havia uma relação com a música latina como algo exótico, o estereótipo do tropical, praia e abacaxi. Mas a vertente urbana é muito forte”, explica Rafael Takano, ou DJ Papi Tele, que criou a festa Súbete em 2019.
O evento reúne cerca de 1 000 pessoas a cada edição e até virou bloco de Carnaval em 2025 — que volta a se apresentar no dia 17, a partir das 13h, na Praça Dom Orione. After-parties dos shows do Bad Bunny, na Audio (20) e no Espaço Usine (21), também estão na agenda deste mês. “Ele trouxe uma cara nova para o reggaeton, com uma mensagem antimachismo, anti-homofobia, antitransfobia”, diz o DJ. Outras festas com recortes distintos agitam a cidade, como a Baila, Bichota, focada em divas pop como Karol G.
Disco mais recente do cantor porto-riquenho, vencedor de outras duas categorias no Grammy — melhor álbum de música urbana e melhor performance de música global —, DeBÍ TiRAR MáS FOToS é uma carta de amor ao seu país, com temas sociais e sons tradicionais do arquipélago caribenho. Rauw Alejandro é outra voz do mesmo gênero e origem, enquanto a Colômbia tem expoentes como J Balvin, Maluma e Karol G.
“Esses artistas misturam influências o tempo inteiro. Apesar de serem fenômenos muito novos, eles estão atualizando o que é ser latino”, acredita Daniel Baraúna, cantor e diretor da banda Quimbará, que toca música hispânica em São Paulo desde 2015.
No ano passado, o grupo estreou um show dedicado ao álbum premiado de Bunny. “É um disco interessante: ele mistura trap, reggaeton, salsa porto-riquenha e ritmos mais folclóricos, como a plena e a bomba”, comenta o vocalista — a banda, com até dez instrumentistas, toca às quartas na Funilaria.
Paira sobre as pistas de dança a ideia de aproximar, cada vez mais, os países latino-americanos. “Tem uma força política, de pertencimento. O brasileiro durante muito tempo foi afastado desse universo”, explica Dieguito Reis, parceiro de Leonardo Kary no misto de festa e dupla de DJs Bogotá.
O projeto nasceu em 2020, então com um terceiro integrante, o diretor audiovisual Rafael Kent (1980-2022). Para além do reggaeton, os produtores pesquisam ritmos como o dembow dominicano e o vallenato, até mesclando ao vivo com funk carioca ou pagodão baiano.
Para eles, a união das raízes com o contemporâneo no trabalho de Bunny — que canta no intervalo do Super Bowl neste domingo (8) — foi uma validação. “Esse disco reafirmou o nosso papel no fortalecimento da música latina, no sentido de um grande caldeirão que reverencia quem veio antes”, diz Dieguito. O desejo é uma mistura cada vez mais colorida. “Na América Latina, o suor não tem fronteira. É uma coisa só, um espírito dançando na pista”, define Kary.
Uma lista de bares-balada latinos pela cidade
› AZUCAR CLUB LATINO. Rua Aspicuelta, 366, Vila Madalena. Sex. e sáb., 19h/4h. @azucarclublatino.
› D’RUMBA. Rua Diamantina, 393, Vila Maria. Qui., 18h/5h. Sex. e sáb., 18h/6h. @drumbasp.
› SOL Y SOMBRA. Rua Santa Madalena, 250, Liberdade. Qua. a sáb., 18h. Rua Treze de Maio, 180, Bela Vista. Sex. a dom. (horários variam). @solysombrabar.
› VELHO PIETRO CENTRO LATINO. Rua Treze de Maio, 192, Bela Vista. Sáb., 22h/5h. @velhopietro. ■
Publicado em VEJA São Paulo de 6 de fevereiro de 2026, edição nº 2981







