Jamiroquai faz show impecável em SP e critica “criminosos de guerra”
A banda liderada por Jay Kay voltou ao Brasil após nove anos e entregou um espetáculo com repertório ampliado, som cristalino e desabafo sobre o mundo atual
Sortudo o público que, mesmo debaixo de frio e chuva, saiu de casa para ver o show da banda Jamiroquai no Nubank Parque neste domingo (13).
O clima desfavorável foi superado pela altíssima qualidade da apresentação, da atuação dos instrumentistas da banda liderada por Jay Kay e também da qualidade do som no estádio, cristalino. Esse ponto também foi muito elogiado na participação do grupo no Rock in Rio, na sexta-feira (11).
Os dois shows marcaram a primeira viagem da banda ao Brasil desde 2017, apesar do vocalista ter dito erroneamente que faziam 15 anos, em referência à vez anterior do grupo no megafestival carioca, quando tocaram no Palco Mundo em 2011.
Os fãs paulistanos foram presenteados com mais músicas do que o show no Rio de Janeiro, pela maior duração do espetáculo. As três adições foram o sucesso Seven Days in Sunny June, a faixa High Times (que não era tocada pela banda desde 2018) e ainda uma inédita.
Essa música nova estará no próximo disco do Jamiroquai, que está finalizado e deve ser lançado em 2027. Sem título oficial, mas referida como Disco Stays the Same, a faixa adianta que o som da banda seguirá o caminho funk-disco muito inspirado nos anos 70, com linha de baixo protagonista e batida firme.
É a mesma assinatura do álbum mais recente do grupo, Automaton (2017), que segue a linha dançante e funky de trabalhos áureos como A Funk Odyssey (2001), mas sem o mesmo brilho dos primeiros discos do grupo. Criativamente, o último capítulo interessante da carreira do Jamiroquai é o disco Dynamite (2005). Desde então, com algumas exceções, as músicas lançadas parecem tentar recriar sucessos anteriores, sem a mesma força.
Porém, mesmo longe do auge, o grupo não fez um show protocolar em São Paulo. Jay mostrou que está com a voz em dia, idêntica às gravações, a não ser nos momentos de falsete em faixas como Space Cowboy — afinal, lá se vão 33 anos desde o disco de estreia da banda…
Antes da música mais aguardada da noite, o hit Virtual Insanity, o cantor ainda fez um desabafo sobre o mundo atual. Sem citar nomes nem países, o artista britânico criticou os governantes considerados “criminosos de guerra”, e disse que a letra da música diz muito mais sobre os dias de hoje do que quando foi escrita.
A canção, lançada há exatos trinta anos, questionava os caminhos que a tecnologia levaria a humanidade à época, com versos como: “E agora toda mãe pode escolher a cor do seu filho/Isso não é coisa da natureza”. E o próprio título, “insanidade virtual”, parece ganhar mais sentido em tempos de inteligência artificial.
A fala extremamente atual do cantor foi a cereja do bolo. Além dos passos de dança e simpatia de Jay, a banda contou no palco com Derrick McKenzie (bateria), Rob Harris (guitarra), Matt Johnson (teclados), Paul Turner (baixo), Valerie Etienne (vocal), Hazel Fernandes (vocal), Romina Johnson (vocal), Sara de Santis (teclados) e Fabio de Oliveira (percussão), que é brasileiro.
Também não faltou interação com o público. Jay assinou discos e desceu do palco, cumprimentando dezenas de fãs. E as projeções e uso do telão acrescentaram perfeitamente à atmosfera futurista das músicas. Noite impecável.






