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Teatro - Por Fabio Codeço

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Solo com Eduardo Moscovis é relato contundente sobre violência

"O Motociclista no Globo da Morte”, dirigido por Rodrigo Potella, rendeu ao ator o Prêmio Shell na noite de quarta (18)

Por Fabio Codeço 18 mar 2026, 19h26 | Atualizado em 19 mar 2026, 13h02
Eduardo Moscovis em O Motocicilista no Globo da Morte
Eduardo Moscovis em O Motocicilista no Globo da Morte: solo contundente (Catarina Ribeiro/Divulgação)
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No centro do palco, apenas uma cadeira iluminada por um refletor. É assim que começa “O Motociclista no Globo da Morte”, espetáculo que rendeu a Eduardo Moscovis o Prêmio Shell  na noite de quarta (18), e que está em cartaz em São Paulo. Ao soar o terceiro sinal, o ator entra em cena para conduzir um monólogo potente sobre os limites da violência humana.

Durante cerca de 60 minutos, Moscovis dá vida a Antônio, um homem pacato e conhecido no bairro onde vive. Frequentador assíduo de um bar da vizinhança, ele observa dois novos clientes — até que um deles, de comportamento agressivo e intimidador, passa a chamar sua atenção.

O sujeito fala alto, assedia a atendente e demonstra atitudes machistas. Após algumas cervejas, a situação se agrava: o homem descarrega sua raiva em um cachorro vira-lata que circula pelo local. O episódio funciona como gatilho para que Antônio, até então um cidadão comum, cometa um ato extremo.

Reflexão sobre a violência e a natureza humana

Com encenação minimalista, o espetáculo concentra toda a força no relato do protagonista. A narrativa detalha o ambiente, os personagens e o desenrolar dos acontecimentos, convidando o espectador a reconstruir a história em sua imaginação.

O texto de Leonardo Netto — também autor, ator e diretor — propõe questões incômodas: afinal, quem é vítima e quem é algoz? A violência é inerente ao ser humano ou resultado das relações sociais?

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Ao longo do depoimento, o personagem também aborda o fascínio contemporâneo pelo crime, citando o sucesso dos conteúdos de true crime, serial killers transformados em celebridades e conflitos reais que povoam o imaginário coletivo.

Direção de Rodrigo Portella e atuação de Moscovis se destacam

A montagem tem direção de Rodrigo Portella, conhecido por trabalhos como Tom na Fazenda, Ficções, Ray – Você Não Me Conhece e (Um) Ensaio Sobre a Cegueira. Aqui, ele aposta em escolhas precisas que valorizam o texto e a atuação.

A performance de Eduardo Moscovis é contida e crescente, conduzindo o público até um desfecho exaustivo e impactante. Com trilha sonora de André Muato, figurino de Gabriella Marra e iluminação de Ana Luzia de Simoni, o espetáculo cria uma atmosfera tensa e imersiva.

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A metáfora do “globo da morte” que dá título à peça sintetiza a proposta: assim como o motociclista que gira em alta velocidade, todos tentamos, a todo momento, evitar a colisão com a tragédia.

Teatro Vivo. Avenida Doutor Chucri Zaidan, 2460, Vila Cordeiro. Tel.: 3430-1524

Quando: Sex. e sáb., 20h. Dom., 18h.  

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Ingressos: R$ 150,00. sympla.com.br

Duração: 60 minutos. Classificação: 14 anos

Até 29 de março.

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