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Teatro - Por Fabio Codeço

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Morre Maria Della Costa (1926-2015): atriz e empreendedora

Para muitos, Maria Della Costa significa apenas um teatro localizado nas imediações da Praça 14 Bis, em São Paulo. Forçando um pouco mais a memória, outros vão associar seu nome ao de uma das mulheres mais belas que o Brasil já conheceu. O importante, porém, é ficar gravado que Maria Della Costa se consagrou como […]

Por Dirceu Alves Jr. 26 jan 2015, 11h48 | Atualizado em 26 fev 2017, 19h13
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Maria Della Costa: companhia criada pela atriz renovou o teatro nacional (Foto: Tiago Coelho)

Para muitos, Maria Della Costa significa apenas um teatro localizado nas imediações da Praça 14 Bis, em São Paulo. Forçando um pouco mais a memória, outros vão associar seu nome ao de uma das mulheres mais belas que o Brasil já conheceu. O importante, porém, é ficar gravado que Maria Della Costa se consagrou como uma das mais importantes atrizes do país e umas das primeiras a se caracterizar como uma empreendedora cultural.

Esse terreno tão em moda hoje em dia – o do empreendedorismo – foi desbravado por ela na década de 50. Na época, Maria e seu segundo marido, o produtor Sandro Polloni, levantaram um financiamento a perder de vista para construir o próprio teatro no então pouco movimentado bairro da Bela Vista. Projetada pelos arquitetos Oscar Niemeyer e Lucio Costa, a moderna sala manteve por mais de 25 anos uma programação de alta qualidade pautada pelo casal. No palco da Rua Paim, a atriz viveu seus grandes papéis, como as protagonistas de “O Canto da Cotovia” (1954), “A Alma Boa de Setsuan” (1958), “Depois da Queda” (1962) e “Bodas de Sangue” (1973). Ainda hoje em atividade, o Maria, como é conhecido na cidade, é administrado pela Apetesp há três décadas.

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No sábado (24), Gentile Maria Marchioro Della Costa Polloni morreu vítima de um edema pulmonar aguado, aos 89 anos. Ela estava internada no Hospital Samaritano, em Botafogo, e foi velada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Gaúcha da cidade de Flores da Cunha, a atriz começou a carreira aos 18 anos, em 1944, e, três anos depois, fundou ao lado de Polloni o Teatro Popular de Arte (TPA). Este seria o embrião da Companhia Maria Della Costa, que, fixada em São Paulo, contribuiu – e muito – para a modernização das artes cênicas no Brasil. Em montagens conduzidas por jovens diretores, como Gianni Rato, Flávio Rangel e Antunes Filho, o grupo afastou as referências predominantemente europeias e montou textos de Nelson Rodrigues, Gianfrancesco Guarnieri e Plínio Marcos.

Mesmo que seu lugar natural fosse o palco, Maria flertou com a televisão, como grande parte de sua geração na virada da década de 60 para a de 70. Teve personagens de destaque em “Beto Rockffeler (1968), na Tupi, e, na Rede Globo, em “Estúpido Cupido” (1975) e “Te Contei?” (1978). Na década de 80, dois grandes sucessos populares marcaram suas investidas teatrais. Ao lado do ator Juca de Oliveira, ela protagonizou a comédia “Motel Paradiso” e, dirigida por Odavlas Petti, “Alice, Que Delícia”.

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A estrela permanecia longe dos holofotes há mais de duas décadas. Entre 1980 e 2014, viveu em Paraty, onde manteve a Pousada Coxixo, e, depois da morte de Polloni, em 1995, decidiu se afastar de vez dos palcos. Sem filhos, Maria também escolheu ser enterrada na cidade do litoral fluminense. A reclusão alimentou Maria Della Costa como ícone do teatro brasileiro. No lançamento de sua biografia, em 2008, ela disse que nada disso foi proposital. A artista apenas perdeu o estímulo de estar em cena, em grande parte pela morte do marido e também porque já não se identificava mais com as propostas do teatro brasileiro.

Maria Della Costa: grande atriz e umas das mulheres mais belas do Brasil (Foto: Funarte)

Maria Della Costa: grande intérprete e umas das mulheres mais belas do Brasil (Foto: Funarte)

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