Crítica: ‘Tráfico’ faz retrato sensível de um garoto de programa
Espetáculo em cartaz no Teatro Estúdio aborda o desejo de vencer na vida
Espetáculo que estreou pela primeira vez em 2022, e há um ano vem desenhando uma trajetória de sucesso com sessões lotadas no Rio de Janeiro, Tráfico, do premiado dramaturgo uruguaio Sergio Blanco, está em cartaz em São Paulo, no Teatro Estúdio, até 3 de maio.
Num retrato sensível sobre o desejo de vencer na vida e os caminhos tortuosos para alcançar tal objetivo, Robson Torinni interpreta um garoto de programa que, diante do público, faz um relato íntimo de sua vivência na periferia e sua vontade de ascender socialmente — desejo representado pelo sonho de ter uma moto de luxo. Ao contar sua história, que passa por problemas familiares e o relacionamento conturbado com a sua namorada, Alex se envolve numa espiral de violência e autodestruição, que expõe desigualdades sociais, esferas de poder e corrupção, a partir da oportunidade que lhe é apresentada, sedutora e perigosa.
Ao desenvolver uma paixão por um dos clientes (“o francês”), o enredo navega por áreas mais sombrias da personagem, que paralelamente à sua profissão, se torna um assassino de aluguel. Aos poucos, costura-se uma trama fascinante, em que afloram o seu lado mais ingênuo e, ao mesmo tempo, sua face mais monstruosa.
Idealizada por Torinni — em interpretação visceral, apoiada em poucos (mas precisos) recursos cenográficos — a montagem, dirigida por Victor Garcia Peralta, repete o encontro dos dois com a dramaturgia de Blanco em outro elogiado trabalho: Tebas Land.
Depois da temporada paulistana, Tráfico participará de dois importantes festivais internacionais de teatro, Avignon (França), em julho, e Edimburgo (Escócia), em agosto (65min). 18 anos.
Teatro Estúdio. Rua Conselheiro Nébias, 891, Campos Elíseos, 21 99690- 9699. Sex. e sáb., 20h. Dom., 18h. R$ 100,00. Até 3/5. sympla.com.br.
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Publicado em VEJA São Paulo de 17 de abril de 2026, edição nº2991







