Salvem o Cine Marabá!
Icônico cinema de rua do centro da cidade corre sério risco de fechar as portas na Avenida Ipiranga
O Cine Marabá, icônico cinema de rua do centro da cidade e um dos últimos sobreviventes da antiga Cinelândia paulistana, corre sério risco de fechar as portas na Avenida Ipiranga. Uma ordem de despejo decretada em primeira instância, hoje suspensa pelo Superior Tribunal de Justiça, que deve julgar o recurso da administradora do cinema, ainda esse mês. Mais uma vez, São Paulo assiste a um equipamento cultural histórico chegar à beira do desaparecimento sem que exista uma estratégia de defesa proporcional à importância do que está em jogo.
Inaugurado em 1944, o Marabá atravessou mais de oito décadas de transformações da cidade. Sobreviveu ao esvaziamento do centro,, à migração dos cinemas para os shopping centers, às mudanças tecnológicas e à pandemia. Fechou em 2007 e renasceu dois anos depois, após uma grande recuperação conduzida pelos arquitetos Ruy Ohtake e Samuel Kruchin.
Agora, o Marabá enfrenta uma situação que deveria acender imediatamente o alerta da Prefeitura. A ação de despejo começou por dívidas de aluguel e IPTU que foram posteriormente quitadas pela administradora. A empresa também pediu a isenção de IPTU prevista pela legislação municipal justamente para cinemas de rua. A Prefeitura afirma que o benefício foi negado por inconsistências na documentação.
O futuro se tornou ainda mais incerto porque o prédio foi vendido à uma rede hoteleira, que não esclareceu se pretende manter o cinema. O imóvel é tombado desde 1992, mas o tombamento protege a arquitetura e não garante sua função cultural. Podemos, portanto, preservar paredes e perder exatamente aquilo que lhes dá sentido.
Esse episódio se soma a uma sequência preocupante de perdas, ameaças e conflitos envolvendo espaços culturais paulistanos, que revelam uma cidade que não compreende e não se preocupa em compreender seus ecossistemas culturais para protege-los, diante da pressão imobiliária, econômica e burocrática.
Fica o apelo aos novos proprietários do imovel para acreditarem no imenso valor cultural do cinema, aos empreendedores criativos da região para entrarem campo com o objetivo de manter essa importante tradição da cidade. Também um chamado aos parlamentares preocupados com a cultura de São Paulo para que articulem soluções concretas negociadas.
A defesa não pode acontecer apenas nas redes sociais, depois que o despejo for decretado, es porta prestes a fechar. Política cultural também é mediação, preservação de atividades, articulação com proprietários, e construção de soluções inteligentes.
Salvem o Cine Marabá!






