Série nacional ‘Pssica’ faz versão paraense de ‘Cidade de Deus’
Com direção de Quico e Fernando Meirelles, suspense tem atriz colombiana de 'Cem Anos de Solidão'
Uma surpresa acaba de estrear na Netflix. A série nacional Pssica celebra a força cultural da Amazônia e retrata com atenção o ambiente urbano de Belém do Pará.
Fotografia e direção de arte são recursos fundamentais para criar a atmosfera e contar a história baseada na obra literária homônima de Edyr Augusto.
A jovem Janalice (Domithila Cattete) é vítima de uma sequência de violências: primeiro, tem um vídeo íntimo vazado; depois, é repreendida pela mãe e expulsa de casa; no lar da tia, conhece Dionete (Ademara) e segue o caminho da marginalidade, até que é sequestrada por uma quadrilha de tráfico humano.
O percurso dela cruza com o de Mariangel (Marleyda Soto, da série Cem Anos de Solidão), colombiana em busca de vingança pelo assassinato do filho, e de Preá (Lucas Galvino), chefe de uma gangue de “ratos d’água” (“motociclistas” do rio, em jet skis), que enfrenta dilemas morais.
Os três se encontram nas margens do Rio Amazonas e compartilham a sensação de que uma maldição, chamada pssica, recaiu sobre eles. Juntos, tentam sobreviver a ela e retomar o rumo de suas vidas.
Os diretores Quico Meirelles e Fernando Meirelles costuram bem a trama junto dos personagens, que são arquétipos facilmente identificáveis. Isso contribui para passar a mensagem em vista da duração ágil e compacta da série, com apenas quatro episódios.
A estrutura definida por personagens é reforçada por cartelas coloridas com os nomes de cada um no momento em que são introduzidos, uma marca do clássico Cidade de Deus (2002). Aliás, uma boa síntese: a série é uma dica imperdível para quem é fã do filme.
NOTA: ★★★★☆
Publicado em VEJA São Paulo de 5 de setembro de 2025, edição nº 2960
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