‘O Convite’ seduz o espectador a questionar o desejo e a monogamia
Com Seth Rogen, Edward Norton e Penélope Cruz, filme usa uma troca de casais para refletir sobre desejo, maturidade e comunicação nos relacionamentos
No terceiro filme como diretora, Olivia Wilde volta a enveredar pela comédia, como em Fora de Série (2019), e mostra ter talento para o gênero, após o terrível thriller Não Se Preocupe, Querida (2022). O Convite pode ser o primeiro passo para ela se consolidar no nicho, em que se dedica a falar sobre descobertas sexuais sem amarras e julgamentos.
Adaptado para o inglês do espanhol Sentimental (2020), de Cesc Gay, o filme estreou no Festival de Sundance e protagonizou uma disputa acirrada entre distribuidoras interessadas em adquirir os direitos para levá-lo aos cinemas, cuja vencedora foi a A24. O potencial é grande, de fato, para agradar diferentes públicos, de liberais adeptos a novos modelos de relacionamento a conservadores com fetiches secretos. Isso porque o roteiro polido atende a diferentes gostos e expectativas e conta com personagens carismáticos para atrair o espectador.
Joe (Seth Rogen) e Angela (Olivia Wilde) vivem um casamento monótono, cheio de frustrações. Numa noite qualquer, ele é surpreendido quando chega em casa e a esposa afirma ter convidado os vizinhos misteriosos e sexualmente ativos do andar de cima, Hawk (Edward Norton) e Piña (Penélope Cruz), para um jantar. O filme custa a chegar aos “finalmentes”, que se espera desde o começo ser uma troca de casais, mas quando acontece vale a pena.
A construção da tensão entre o primeiro casal pode parecer chata, mas vira a chave totalmente quando eles se mostram curiosos e envergonhadamente excitados com os hábitos sexuais inusitados dos vizinhos. Aos poucos, traços dos personagens são revelados para apimentar a dinâmica. A obra aborda com naturalidade a relação aberta e o choque respeitoso de quem segue um modelo mais tradicional.
O clima fica pesado quando mágoas e machucados do passado vêm à tona, que evidenciam a falta de preparo e equilíbrio entre Joe e Angela. O modelo de relacionamento aberto também não é idealizado. A conclusão é sensata: qualquer relação precisa de comunicação, respeito, maturidade e sintonia de desejos. É uma versão “terapeutizada” (com muita clareza de pensamentos) de Amores à Parte (2025), que fala sobre o mesmo tema de modo mais caótico e polêmico.





