‘O Estúdio’ satiriza Hollywood com Scorsese e mais convidados estrelados
Participações especiais e sequências gravadas em um único take abrilhantam série do Apple TV+, criada por Seth Rogen, sobre bastidores da indústria
Tem que ter cacife para dar nome aos bois e satirizar Hollywood. O Estúdio faz isso sem medo e sem amadorismo, graças a uma equipe de ponta. A nova série do Apple TV+ foi criada, escrita, dirigida e estrelada por Seth Rogen, que bolou e conduziu a ideia junto de Evan Goldberg.
Com dez episódios, a obra apresenta os bastidores da produtora fictícia Continental Studios após Matt Remick (Rogen) assumir a chefia. Junto de uma equipe criativa, ele lida com o dilema de conciliar filmes artísticos com produções lucrativas.
Há inúmeras participações especiais, que vão dos diretores Martin Scorsese e Ron Howard aos atores Anthony Mackie e Zoë Kravitz, interpretando a si mesmos. Cada aparição causa um choque eufórico.
Mas quem rouba o show é Kathryn Hahn no papel da marketeira linguaruda Maya, uma verdadeira diva. O roteiro é genial e irreverente.
Com sequências gravadas em um único take, transmitindo o pânico de fazer decisões e lidar com grandes personalidades, a direção concretiza com classe e leveza um exercício saudável de humor e celebração à indústria.
NOTA: ★★★★☆
Entrevista com produtor e elenco
O projeto é bem pessoal para todos os envolvidos, uma vez que acompanham de perto os bastidores da indústria. “Tenho muitas semelhanças com o Matt, infelizmente”, diz Seth Rogen, em entrevista exclusiva a VEJA São Paulo.
“Ele é uma pessoa que ama filmes e dedicou a vida ao cinema. O grande conflito é conciliar o sonho dele de fazer grandes produções com o desejo dele de não ser demitido. De muitas maneiras, ele é o ponto de inflexão entre arte e mercado, que é uma batalha real na nossa indústria.”
O produtor executivo James Weaver revela: “A série é baseada em nossa experiência em Hollywood nos últimos 20 anos, então tentamos mostrar a realidade”.
O elenco vai além e imagina novas possibilidades de cenários para os personagens. “Seria interessante também interpretar uma versão feminina dos chefes criativos e imaginá-la nas situações”, acrescenta Catherine O’Hara. “Nossos personagens ficariam obcecados por esta série”, diz Chase Sui Wonders.
Trazer as participações especiais foi uma tarefa à parte: alguns talentos já haviam trabalhado com a equipe anteriormente, outros receberam convite e aceitaram com animação. “Depois que Scorsese topou, foi fácil conseguir os demais”, conta Evan Goldberg.
Contracenar com diretores foi “empoderador” para o elenco. “A sensação foi ótima de não se sentir tão intimidada e estar de igual para igual”, comenta Kathryn Hahn. A atriz afirma que a atitude divônica de Maya “estava toda no roteiro” e que ela gostaria de ser tão “estilosa” assim na vida real.
No set, teve até “networking”. “Tentei aproveitar a oportunidade e acho que posso anunciar agora que eu vou ser a estrela de A Luta pela Esperança 2, por causa do tanto que Ron Howard gostou de trabalhar comigo”, brinca Ike Barinholtz, imaginando uma suposta sequência do filme.
A direção de Rogen e Goldberg concretizou com classe e leveza um exercício saudável de humor e, afinal, de celebração à indústria. “Hollywood ainda tem muita mágica. Pode ser frustrante e agonizante, mas vale a pena”, finaliza Rogen.
Publicado em VEJA São Paulo de 28 de março de 2025, edição nº 2937





