‘Muito Prazer’: Jorge Furtado debate pornografia e erotismo em comédia
Comédia de Jorge Furtado usa o universo da pornografia para refletir sobre desejo, tecnologia e relações na era digital
O cineasta Jorge Furtado retorna para a comédia com Muito Prazer. O filme relembra a premissa do clássico Saneamento Básico, o Filme (2007), do mesmo diretor, numa versão mais moderna e sensual. Aqui, em vez de uma trupe se apaixonando pela arte de filmar, assistimos a um trio mergulhar na produção de vídeos pornográficos. Rubem (Daniel de Oliveira) é um motorista de aplicativo frustrado que recebe uma herança inesperada do tio falecido. A posse, nada extravagante, é o Motel Pérola, uma propriedade em ruínas. Lá, conhece Grace (Luisa Arraes), ex-funcionária que resolveu morar numa das suítes quando o motel fechou, por quem ele desenvolve um interesse romântico.
Atolados em dívidas, os dois unem forças para reativar o estabelecimento. O negócio só alavanca de vez quando eles têm a ideia de filmar clientes durante o sexo sem eles saberem, para ganhar um dinheiro extra. Eles contam com a ajuda de Nalva (Samantha Jones) para borrar as identidades e publicar o conteúdo em sites eróticos. Porém, o esquema chama atenção e vira alvo de pessoas ao redor dos três que acabam o sabotando.
A comédia sutil dialoga com os tempos atuais, repleta de observações sobre o consumo de pornografia e o modus operandi das relações na era digital. “Eu me interesso por coisas que não entendo muito e foi o caso com os aplicativos de namoro, fui pesquisar sobre esse negócio de algoritmo que recomenda uma pessoa com base em outra que o usuário gostou”, conta Jorge Furtado. “Existem hoje mais de três mil categorias diferentes em sites de pornografia, achei que era um bom tema para uma comédia, a tentativa de classificar o prazer, o erotismo em categorias”.
Luisa Arraes concorda com a análise: “São temas distintos, mas um resumo que embala tudo é que são personagens indo atrás do próprio desejo”. Daniel de Oliveira vê a importância de refletir sobre o impacto da tecnologia nas relações: “É interessante não deixar os tabus debaixo do tapete, está acontecendo muita coisa com as grandes empresas de tecnologia, a inteligência artificial está aqui no nosso bolso e a gente está engolindo tudo”.
NOTA: ★★★☆☆
Publicado em VEJA São Paulo de 4 de setembro de 2026, edição nº 3011.







