‘Michael’ evita polêmicas do astro pop e se limita a replicar imagem
Sobrinho do cantor recria com precisão impressionante voz e visual do maior artista pop da história
O maior artista pop de todos os tempos é homenageado em Michael. Com direção de Antoine Fuqua, a cinebiografia de Michael Jackson chega com altas expectativas de fãs e cinéfilos. A figura tão conhecida, pela voz e pela dança, cresceu diante do mundo e virou um verdadeiro ícone da música.
De cara, é importante ressaltar que se trata de uma produção que teve o envolvimento de pessoas da família, incluindo Jaafar Jackson, sobrinho do cantor, que o interpreta no longa. Essa informação prepara de antemão o espectador para a proposta da obra. Era de se esperar que polêmicas seriam evitadas e é o que acontece de fato.
Não vá ao cinema esperando um retrato aprofundado e crítico do astro, sobre disputas judiciais ou a aparência física, há apenas uma breve e pontual citação ao vitiligo que transformou a cor de sua pele. A ideia é acompanhar o ídolo desde a época dos Jackson 5, passar pela explosão de popularidade e chegar até a virada para a carreira solo.
O filme esbanja a habilidade em reproduzir com precisão a imagem de Michael, tanto nos figurinos e caracterização quanto na atuação quase idêntica de Jaafar. É impressionante o modo como o ator imita o jeito do artista, especialmente a voz.
Para além da carreira, o enredo se volta à relação com o pai, Joe (Colman Domingo), aqui visto como um grande vilão na vida do filho, que por sua vez ganha a ótica de “bom moço, sofredor e trabalhador”. Colman e Jaafar criam uma boa dinâmica juntos, para representar as tentativas do cantor de se libertar das amarras com a família.
Não tem participações de outros artistas e merecia mais números musicais, que cativam.
NOTA: ★★★☆☆
Publicado em VEJA São Paulo de 24 de abril de 2026, edição nº 2992







