‘Mambembe’ reúne personagens cativantes em metamorfose artística
A mistura de documentário e ficção acompanha transformações na arte do circo pelo olhar de expoentes da cena
O diretor Fabio Meira mescla documentário e ficção em Mambembe, por meio de um instigante processo de metamorfose artística.
O projeto nasceu em 2010 e teve a passagem dos anos e as transformações das personagens incorporadas na obra. Gira em torno do topógrafo Luís (Murilo Grossi), cujo caminho cruza com o de três artistas circenses: Índia Morena (expoente do circo no país, interpretada por ela mesma), Madona Show (também vivida pela própria) e Jéssica (Dandara Ohana).
A narrativa expõe abertamente as dificuldades para realizar a produção, em um exercício metalinguístico que traz o gesto de filmar para o centro da narrativa.
O cineasta cruza registros de arquivo de mais de quinze anos atrás com reencontros atuais para investigar como a paixão criativa sobrevive ao desgaste do tempo e às frustrações do caminho, graças à memória e ao desejo.
A obra mostra a realidade árdua por trás das cortinas e prova que o rastro de um fracasso pode servir como oportunidade e a matéria-prima mais honesta, potente e necessária para a construção de um grande filme. Conta como aliadas as personalidades enormes das três protagonistas.
NOTA: ★★★☆☆
Publicado em VEJA São Paulo de 15 de maio de 2026, edição nº 2995





