‘Habeas Corpus’ expõe seletividade da justiça com ótimas atuações
Marjorie Estiano, Vladimir Brichta e Any Gabrielly brilham em série de drama jurídico na Netflix
Acaba de estrear no catálogo da Netflix uma série brasileira ótima para quem gosta de dramas jurídicos. Habeas Corpus acompanha Inez (Marjorie Estiano), promotora que vê sua trajetória ruir no meio de uma sustentação oral e decide se afastar dos tribunais para lecionar Direito.
Anos após o colapso, ela reúne uma equipe de estudantes para tentar reverter a condenação de Jonathan (Hypólito), que acredita ser inocente, e entra em conflito com o ex-marido e antigo parceiro de escritório, Murilo (Vladimir Brichta). A aluna talentosa Marina (Any Gabrielly) entra na jogada, motivada por um ajuste de contas do passado.
Com uma condução direta e sem firulas na montagem, a produção criada por Luiz Villaça acerta ao revelar os conflitos logo no início, com uma tensão palpável sobre os limites éticos dos personagens, e brilha nos embates entre Estiano, precisa em sua sobriedade, e Gabrielly, cantora que se mostra uma revelação em cena.
A obra se sobressai ao expor as brechas do sistema penal e a seletividade da justiça brasileira, mantendo a abordagem realista, sem exageros.
NOTA: ★★★☆☆
Publicado em VEJA São Paulo de 2 de outubro de 2026, edição nº 3015.






