Em cena: trabalho de Caio Horowicz vai da série ‘Brasil 70’ a ‘Hamlet’
Ator, diretor e pedagogo de 30 anos tem destaque nos cinemas, no streaming e no teatro; para o futuro, quer fazer novela e tocar carreira musical
Motivos não faltam para falar sobre Caio Horowicz. O ator, diretor e pedagogo de 30 anos vive um momento prolífico na carreira, com novidades nos cinemas, no streaming e no teatro. “Este semestre está sendo um momento de colher os frutos”, ele afirma.
Um dos lançamentos com o artista, que fez parte do elenco de Ainda Estou Aqui (2024), é a série Brasil 70, que estreou na sexta (29) na Netflix, sobre a campanha histórica do tricampeonato da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1970, no México, ambientada durante o regime militar.
“Não parece, mas sou muito apaixonado por futebol, fui muito para estádio. Pude reviver dentro do campo lances históricos”, conta. “O futebol tem muitas aproximações com o trabalho de ator, também é um tipo de jogo, brincadeira coletiva.”
O ator também está no elenco do filme O Rei da Internet, de Fabrício Bittar, em que interpreta um personagem antagônico ao hacker de João Guilherme. “Ficamos bem amigos”, diz. “O João é um cara que tem muita paixão pela atuação e também amo como ele trabalha com moda.”
Não obstante, Horowicz também fez a assistência de direção da peça Hamlet: Sonhos que Virão, no Nu Cine Copan. “A peça é mais do que um espetáculo, é um evento cultural”. Quando foi convidado pelo diretor Rafael Gomes a participar, quis explorar o trabalho nos bastidores, em vez dos palcos, após fazer um curso de direção.
“Teve uma abertura criativa, pude dar muito pitaco. Hamlet é uma das melhores peças dos clássicos. Tenho domínio teórico, estudei muito e de alguma maneira pude transmitir para o Gabriel (Leone, que foi intérprete na primeira etapa da peça, já encerrada, e substituído por Ícaro Silva) coisas que eu achava que eram importantes em cena”, ele acrescenta.
Além da experiência no teatro, Caio dá aulas de direção para crianças na ONG Lar Sírio. “Me interessei pela pedagogia depois de me formar em direção na faculdade. Gosto muito de ser professor”. Começou a dar cursos de direção teatral e surgiu oportunidade no Lar Sírio. “Nunca tinha dado aula para criança, mas sempre gostei muito. Também sou palhaço e na formação a gente entende o valor do olhar da criança, o poder de ser um artista e um ser humano melhor.”
“Tem casos difíceis, de vulnerabilidade extrema, é muito gratificante, porque de 10 000 perrengues em sala de aula surge um ouro que faz tudo fazer sentido. Sem romantizar, mas de fato as crianças são muito criativas e geniais”, ele explica “Me alimenta como ator e diretor.”
Para os próximos passos, segue o caminho multitalentoso: quer fazer novela e lançar um disco no ano que vem.
Publicado em VEJA São Paulo de 29 de maio de 2026, edição nº 2997





