‘Eclipse’ analisa como comportamento tóxico se esconde atrás de fachadas
Drama de Djin Sganzerla traz personagem com traumas e marido envolvido com esquema na deep web
Djin Sganzerla dirige e estrela Eclipse, o retrato de uma derrocada da harmonia familiar aparentemente inabalável. Em plena gravidez, a astrônoma Cleo (Sganzerla), é atravessada pelo retorno inesperado de sua meia-irmã de origem indígena, Nalu (Lian Gaia).
O reencontro traz à tona traumas de infância e serve como estopim para desmascarar a face sombria do marido, cujo envolvimento com crimes de exploração na deep web revela um submundo de perversão.
A narrativa transita com fluidez entre o drama íntimo e o suspense investigativo. A obra opera como uma engrenagem para a emancipação dessas mulheres frente ao machismo estrutural e à violência camuflada por laços afetivos tradicionais.
Com uma fotografia marcante, analisa como comportamentos tóxicos podem ser ocultados por fachadas na sociedade em que vivemos. Apesar de recorrer a recursos como revelações repentinas, sem construções dedicadas, oferece uma boa reflexão sobre os males do patriarcado.
NOTA: ★★★☆☆
Publicado em VEJA São Paulo de 15 de maio de 2026, edição nº 2995





