‘A Odisseia’: o que torna a versão de Christopher Nolan tão surpreendente
Totalmente filmado em IMAX e com elenco superestrelado, longa tem abordagem particular do diretor, em uma grande epítome do seu trabalho
Um dos lançamentos mais aguardados do ano, A Odisseia é a epítome do trabalho de Christopher Nolan. O aclamado diretor, cuja filmografia inclui Amnésia (2000), A Origem (2010), Interestelar (2014), a trilogia Batman: Cavaleiro das Trevas (2005-2012) e o recente vencedor do Oscar Oppenheimer (2023), pega todo o conhecimento adquirido na criação de uma experiência cinematográfica grandiosa e aplica em uma das histórias mais clássicas da humanidade.
Odisseia, de Homero, é a verdadeira definição de um épico, o que casa totalmente com o estilo e as habilidades do cineasta norte-americano. Com um orçamento de 250 milhões de dólares, o elenco é um dos mais estrelados dos últimos tempos: Matt Damon, Anne Hathaway, Tom Holland, Zendaya, Robert Pattinson e muito mais.
Para complementar, trata-se do primeiro longa-metragem filmado totalmente com câmeras IMAX 70 mm — um feito histórico para o cinema, que reforça a necessidade de assisti-lo na telona. Dado todo esse pano de fundo, fica clara a proporção gigantesca da produção. O que se vê na tela faz jus ao processo.
A narrativa acompanha o herói grego Odisseu (Matt Damon), também conhecido como Ulisses, na perigosa jornada de 10 anos para voltar para casa, em Ítaca, após a Guerra de Troia. Abençoado por visões de Athena (Zendaya), ele enfrenta criaturas mitológicas, como um ciclope, uma feiticeira e sereias, e se depara com a força dos deuses gregos Poseidon, Hélio e Tirésias.
Enquanto isso, em Ítaca, uma mobilização de pretendentes da rainha Penélope (Anne Hathaway), interessados no poder, com a ausência de Odisseu, abala a estabilidade da hierarquia local. Filho e herdeiro do rei, Telêmaco (Tom Holland) luta contra durões como Antínoo (Robert Pattinson) para que a paz seja mantida.
São monumentais as performances de Hathaway, Pattinson, Holland e Charlize Theron, no papel de Calipso, ninfa que acolhe Odisseu em uma ilha após um naufrágio. O surgimento dos seres fantasiosos acontece de maneira esmagadora, surpreendente e admirável. Não só porque os visuais conversam com a estética da época, mas também e principalmente pela abordagem que o diretor utiliza em toda a obra.
Em entrevista à mídia americana, Nolan declarou o interesse em retratar criaturas e deuses da provável maneira que as pessoas os enxergavam na época, como algo mais realista e plausível, em vez de algo distante e surreal.
O foco aqui não é tanto o coração do romance entre Odisseu e Penélope — não há muita química ou contexto da relação —, mas sim a relação do homem com o divino, o poder, o ego, a lealdade, a superação e uma sociedade em crise, temas muito pertinentes a Nolan.
NOTA: ★★★★☆





