Moderação, conexão e valor: o novo tripé do consumo de álcool
Estudos da Ipsos e da IWSR apontam os pilares do comportamento do público atual com bebidas
Estudos recentes da Ipsos, uma das maiores empresas de pesquisa de mercado e opinião do mundo, e da International Wine and Spirits Research (IWSR), instituto especializado no setor de bebidas alcoólicas, resumem o consumidor de hoje em três palavras: moderação, conexão e valor. O levantamento foi encomendado pela AB InBev e pensado para o mercado de álcool em geral, mas os números fazem sentido também para vinho.
Um contexto antes do tripé: o volume total de consumo de álcool no mundo ainda está mais de 30% acima do nível de 2000, mesmo com a queda do consumo per capita, segundo a base global do IWSR. 76% dos adultos em idade para beber consomem álcool hoje, com engajamento crescente entre a geração Z, os nascidos entre 1997 e 2012, hoje com de 18 a 29 anos, fazem parte do grupo bebe legalmente. A categoria não está encolhendo, mas se reorganizando
Moderação: o consumidor presta mais atenção ao teor alcoólico e escolhe a ocasião com critério. Para o vinho, isso é vantagem estrutural: um produto que sempre vendeu significado por taça, não litragem, tem tudo para prosperar. O risco fica com quem ainda vende só volume e preço baixo.
Conexão: a conexão social continua sendo o motivo principal para beber. 35% citam ocasiões sociais como razão primária. O vinho tem vantagem antiga aqui, a mesa, o brinde. Mas 77% dos consumidores globais estão propensos a confiar mais em um produto novo de marca conhecida, o que também abre espaço para marcas próprias de varejo sem tradição vinícola nenhuma. A conexão se disputa tanto à mesa quanto na gôndola.
Valor: duas forças, mesma moeda. De um lado, a acessibilidade premium: os volumes premium e superpremium cresceram a uma taxa composta de 5% ao ano entre 2014 e 2024, movimento que já conhecemos no mercado brasileiro de vinho. De outro, a era do RTD, sigla para ready to drink, bebidas já prontas para beber, como latas de drinques ou spritz: a inovação respondeu por mais da metade do crescimento em valor de varejo de álcool na última década, e 52% escolhem esse tipo de produto pelo sabor. É concorrência direta pela ocasião casual que espumante e rosé vinham conquistando.
Moderação, conexão e valor não são modismo. Descrevem uma reorganização estrutural do comportamento do consumidor, e vão orientar esse consumo pelos próximos anos. Mas essa leitura é global, e o Brasil não segue o mesmo roteiro. O universo do estudo é o consumo per capita em queda. Segundo dados da OIV, o consumo aparente de vinho no Brasil tem crescido, na contramão da tendência mundial. Aqui, o tripé não é resposta a uma categoria em risco. É convite para potencializar um mercado em crescimento, mas que só vai crescer do jeito certo se moderação, conexão e valor saírem do slide e chegarem à taça.
8 Ríos D.O. Carménère Suave 2024
Da vinícola Undurraga. Feito com uvas carménère (85%) e syrah (15%), no vale central do Chile, sem passagem por barrica. Cor rubi. Aroma que mistura frutas vermelhas com herbáceos. Paladar suave (com açúcar aparente) de leve a médio corpo, taninos macios e acidez baixa. R$ 35,18, na Wine.
Don Simon Selección Tempranillo
Do produtor J. Garcia Carrion, com uvas tempranillo de Castilla-La Mancha, na Espanha, sem passagem por barricas. Cor vermelho rubi. Aromas com notas de frutas vermelhas e especiarias. Paladar de leve a médio corpo, taninos de pouca estrutura, acidez correta. Para o dia a dia. R$ 59,90, na Evino.
Publicado em VEJA São Paulo de 25 de setembro de 2026, edição nº 3014.
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