Avatar do usuário logado
Usuário
Imagem Blog

Livros

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Lançamentos, entrevistas, eventos, trechos de obras e os principais destaques do mundo literário

O livro sobre neandertais que conquistou Bial e Gregório Duvivier

'Os Imortais', de Paulliny Tort, chegou à quinta reimpressão poucos meses após o lançamento; autora participa de bate-papo com Zélia Duncan em SP

Por Laura Pereira Lima 20 set 2026, 10h00
Mulher de pele morena e cabelos longos e escuros, soltos sobre os ombros, usando blusa preta de gola alta, sorri levemente para a câmera, com fundo cinza
Paulliny Tort, autora de 'Os Imortais' (Renato Parada/Divulgação)
Continua após publicidade
O livro sobre neandertais que conquistou Bial e Gregório Duvivier Priorizar nos meus resultados Google

Em março deste ano, uma autora de nome curioso, que não publicava um livro havia cinco anos, levou às livrarias uma obra bem diferente do que costuma aparecer nas estantes brasileiras. E bastaram algumas semanas para que Os Imortais (Fósforo; 232 págs. ; R$ 84,90), de Paulliny Tort, ganhasse o coração de celebridades como Pedro Bial, Gregório Duvivier e virasse leitura indispensável nos clubes do livro — tanto que, em agosto, já estava em sua quinta reimpressão.

O romance escolhe como personagens principais um grupo de neandertais, que atravessa vastos territórios em busca de sobrevivência. Depois de um confronto sangrento com um grupo de Homo sapiens, o clã decide adotar uma criança sapiens.

Capa de livro com fundo cinza e uma ferramenta de pedra lascada marrom escura no centro. O título OS IMORTAIS está em letras brancas vazadas sobre a pedra. O nome PAULLINY TORT aparece abaixo
(Fósforo/Divulgação)

Ambientar um romance no Paleolítico está longe de ser uma escolha convencional na ficção histórica, mas o caminho surgiu de maneira natural para Tort, que cultiva há anos um interesse pela natureza e pela evolução humana — ela foi estudante de Oceanologia, Ciências Biológicas e Engenharia Florestal. A seguir, confira uma conversa com a autora, nascida em Brasília em 1979, que, na segunda (21), fará um bate-papo com Zélia Duncan na Livraria da Travessa de Pinheiros.

Continua após a publicidade

Livraria da Travessa. Bate-papo Paulliny Tort e Zélia Duncan. Rua dos Pinheiros, 513, Pinheiros,☎ 2394-6059. Seg. (21), 19h

Você esperava que o livro fosse causar tamanha repercussão?

Continua após a publicidade

Escrevo muito para os personagens, para que eles tenham uma forma de existência. Durante o meu processo, não penso tanto nos leitores. Não fiz cálculos de como seria a recepção, só queria poder contar essa história da melhor forma possível.

Como foi o processo criativo durante os cinco anos de escrita do livro?

Continua após a publicidade

Minha rotina de escrita é a da entrega total. Escrevi a primeira versão em 2021 e aí, ao longo dos anos, continuei no texto e fui conhecendo mais aqueles personagens, ganhando intimidade com eles e descobrindo também seus destinos. Não faço planejamento prévio, me permito descobrir o que vai acontecer com eles enquanto escrevo. Nesses anos, houve momentos de muita paixão, de muita obsessão e de muito trabalho. Chegava a passar 16 horas seguidas escrevendo.

Os Imortais mistura poesia com uma certa crueza. Como foi o caminho até encontrar essa linguagem?

Continua após a publicidade

Durante a escrita, evitei ler autores brasileiros, porque acho que a dicção deles influencia o meu ritmo. Então li os portugueses e li muita coisa antiga, Virgílio, Homero, Ésquilo… Li bastante poesia também. Deixo sempre livros de poesia espalhados pela casa para consulta. Também ouvi músicas minimalistas e com sons estranhos, como a música eletroacústica de Joanna Brouk (compositora e dramaturga norte-americana; 1949-2017). Procuro seguir um pouco o fluxo dessa voz interna, sem pensar tanto na forma. É mais intuitivo, não tem um cálculo técnico de como achar isso.

Como trabalhar a verossimilhança sem se propor a fazer uma descrição perfeita daquele período?

Continua após a publicidade

O livro não é uma tese sobre como viviam os neandertais, então não tem um compromisso com o rigor científico, de maneira alguma. É uma imaginação sobre um tempo. E imagino dentro de possibilidades aventadas sobre os neandertais. A evolução e a natureza são temas que me acompanham há quase três décadas, então eu tinha esse pano de fundo já. O interessante da ficção é que a gente pode imaginar de uma maneira que a ciência não poderia jamais. E que bom que não pode, porque não é o papel dela.

Publicado em VEJA São Paulo de 18 de setembro de 2026, edição nº 3013.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Multidão de pessoas em protesto na rua, com prédios ao fundo, e texto UM PAÍS SE FORTALECE COM INFORMAÇÃO. À direita, texto Jornalismo de qualidade para entender o Brasil, o mundo e tomar decisões mais conscientes. veja com várias capas da revista Veja em perspectiva
Revista em Casa + Digital Completo
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Completo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 32,90/mês