Dois livros para entender o Brasil
Os lançamentos 'O Brasil dos Evangélicos' e 'Brasil da Maioria' investigam fenômenos que alteraram o perfil do povo brasileiro nas últimas décadas
Nos últimos 20 anos, o Brasil tem vivido uma série de transformações culturais, religiosas e sociais que alteraram o perfil do povo brasileiro e influenciam resultados eleitorais.
Dois desses fenômenos são analisados em livros lançados recentemente. Confira:
O Brasil dos Evangélicos
De acordo com o censo do IBGE de 2022, o Brasil tem 47, 4 milhões de evangélicos, um montante que representa 26,9% da população brasileira — 5,2% a mais do que o registrado no levantamento de 2010. O crescimento do grupo religioso, que coincide com o declínio no número de católicos, é um fenômeno que já provoca mudanças no comportamento e nos valores da população do país, e traz impactos culturais, sociais e políticos.
Essa mudança estrutural foi o que inspirou a pesquisa do antropólogo Juliano Spyer, que acaba de publicar O Brasil dos Evangélicos (Planeta; 192 págs.; R$ 64,90). Fugindo dos discursos maniqueístas, que ora tratam o assunto de forma panfletária, ora de forma condescendente, o pesquisador promete investigar de forma multifacetada o fenômeno que metamorfoseia o país.
Brasil da Maioria: 25 anos de Classe C
Há 25 anos, Renato Meirelles estuda o comportamento e os hábitos de consumo das periferias brasileiras. Presidente do Instituto Locomotiva, especializado em pesquisas de mercado e opinião, ele reúne essa experiência em Brasil da Maioria (Record; 168 págs.; R$ 59,90), livro que conta a trajetória da classe C, hoje formada por cerca de 107 milhões de brasileiros.
A obra mostra como essa parcela da população passou por uma grande transformação nas últimas décadas, a partir dos anos 2000, quando milhões de brasileiros ascenderam de classes mais baixas para ela, impulsionados pelo crescimento econômico, pelo crédito e por políticas de inclusão. Na década seguinte, porém, a euforia deu lugar à frustração, à reinvenção e à busca por novas formas de melhorar de vida.
Publicado em VEJA São Paulo de 25 de agosto de 2026, edição nº3009.







