Avatar do usuário logado
Usuário
Imagem Blog

A Tal Felicidade

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Saúde, bem estar e alegria para os paulistanos

Diana Gabanyi e Jackie de Botton abordam o conceito de “bom o suficiente”

Ambas são sócias-fundadoras da The School of Life no Brasil, escola localizada na Vila Madalena que visa a desenvolver inteligência emocional em adultos

Por Diana Gabanyi e Jackie de Botton 1 fev 2019, 06h00 | Atualizado em 1 fev 2019, 06h00
A tal felicidade
Bom o suficiente (BAKAL/Getty Images)
Continua após publicidade
Diana Gabanyi e Jackie de Botton abordam o conceito de “bom o suficiente” Priorizar nos meus resultados Google

Há pouco mais de seis anos, quando estávamos fazendo os planos para abrir a The School of Life no Brasil, sentadas no chão de uma sala de apartamento e debruçadas em uma quantidade enorme de material, deparamos pela primeira vez o conceito de “bom o suficiente”. Entre manuais e formulários, um texto nos chamou atenção por falar que a vida não é feita apenas de momentos perfeitos. Estes são raros. Nos relacionamentos, no trabalho e até na função de pai ou mãe, ser bom o suficiente é mais do que aceitável — e perceber isso nos livra da pressão da busca incessante pela perfeição. Claro que ter grandes ambições é nobre e importante, mas também pode ser uma fonte de problemas terríveis e pânico desnecessário. Quem trouxe à tona esse ideal nos anos 50 foi o psicanalista inglês Donald Winnicott.

Ele frequentemente se reunia com pais que se sentiam fracassados: talvez porque seus filhos não tivessem frequentado as melhores escolas, ou porque às vezes havia discussões na hora do jantar, ou a casa nem sempre estava completamente arrumada. O insight crucial de Winnicott era que a agonia dos pais vinha de um lugar específico: excesso de esperança. O desespero deles era consequência do perfeccionismo cruel. Para ajudá-los a reduzir essa sensação, Winnicott desenvolveu o que chamou de “o pai suficientemente bom” ou “the good enough parent”. Nenhuma criança, ele insistiu, precisa de um pai ideal. Só precisa de um pai bem-intencionado, um “pai o.k.”, às vezes mal-humorado, mas basicamente razoável. Winnicott não estava dizendo isso porque gostava de se contentar com o segundo melhor, mas porque percebeu que, para permanecermos sãos (já uma grande ambição), temos de aprender a não nos odiar por não sermos perfeitos.

O conceito de “bom o suficiente” começou em relação à paternidade, mas o aplicamos em todas as áreas da vida, especialmente em torno do trabalho e do amor, as grandes questões da vida moderna. Um relacionamento pode ser bom o suficiente mesmo quando tem seus momentos mais sombrios. Talvez não façamos tanto sexo quanto imaginávamos ser o ideal e discutamos bastante. No entanto, nada disso deve nos levar a nos sentirmos esquisitos ou infelizes. Pode ser bom o suficiente. Se colocarmos o relacionamento na balança e ela estiver um pouco mais favorável, está valendo. Não precisamos (e talvez isso venha com um custo enorme) ter um daqueles relacionamentos que coloquem a balança lá em cima todos os dias.

Da mesma forma, um trabalho pode ser bom o suficiente. Nós podemos não ganhar uma fortuna, mas fazer alguns amigos de verdade, ter momentos de genuína empolgação e terminar alguns dias muito cansados porém com um sentimento de verdadeira realização. É preciso muita coragem e habilidade para manter uma vida comum. Perseverar através dos desafios do amor, do trabalho e da criação dos filhos é silenciosamente heroico. Talvez devêssemos, com mais frequência, retroceder para reconhecer que nossa vida é boa o suficiente — e que isso já é, em si, uma grande conquista. Esse foi um dos conceitos fundamentais para que tivéssemos a liberdade e, de certa a forma, a coragem final para montar a escola no Brasil. Cotidianamente, aplicamos o conceito na nossa vida pessoal e aqui na The School of Life, nos mais diferentes projetos que fazemos. Assim levamos uma vida com menor pressão interna e maior apreciação dos pequenos prazeres.

Continua após a publicidade
Diana Gabanyi e Jackie de Botton
(THAYS BITTAR/Divulgação)

Diana Gabanyi e Jackie de Botton são amigas há quase uma década e sócias-fundadoras da The School of Life no Brasil, escola localizada na Vila Madalena que visa a desenvolver inteligência emocional em adultos. Acreditam que é possível ensinar (e aprender) a viver melhor.

Continua após a publicidade

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 06 de fevereiro de 2019, edição nº 2620.

Publicidade
TAGS:

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

Revista em Casa + Digital Premium
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Premium

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês