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Saúde, bem estar e alegria para os paulistanos

Escritora fala sobre seu diagnóstico de autismo na fase adulta

Para Jo Melo, a descoberta foi o primeiro passo para o autoconhecimento e a aceitação de si mesma

Por Jo Melo, em depoimento a Helena Galante 20 out 2023, 11h20 | Atualizado em 5 jun 2026, 13h18
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A felicidade em receber o diagnóstico de autismo (AUGUSTAS CETKAUSKAS/Getty Images)
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Escritora fala sobre seu diagnóstico de autismo na fase adulta Priorizar nos meus resultados Google

Há cerca de três anos, me deparei com uma postagem no Facebook sobre um colega que havia recebido o diagnóstico de autismo. Uma luz acendeu ao ler cada um dos tópicos e me identificar com todos. Depois disso, passei a buscar mais informações sobre o tema.

O espectro autista é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta diversos aspectos da vida de uma pessoa, seja ela adulta ou criança. Envolve sensibilidades sensoriais, dificuldades na interação social, na comunicação e outros desafios. Além disso, como o nome sugere, o autismo é um espectro, o que significa que nem todas as pessoas apresentam as mesmas características. Portanto, é necessário que um médico psiquiatra ou neurologista realize uma avaliação detalhada para fechar o diagnóstico.

Para entender mais sobre, devorei muitos conteúdos, meu hiperfoco em escrita e pesquisa me fez entender e querer saber mais sobre o assunto. Assim, procurei profissionais que pudessem me dar a resposta que eu tanto queria.

Passei por avaliação neuropsicológica e, três meses depois, após receber uma hipótese diagnóstica composta de catorze páginas, não fechei para autismo. Segundo a profissional, eu demonstrava empatia e não apresentava movimentos repetitivos. No entanto, essas falas de que “autistas não têm empatia” foram refutadas por vários profissionais especialistas. Diante da negativa, eu havia recebido o laudo de transtorno afetivo bipolar.

De 2020 a 2023, passei por experiências que incluíram a troca de medicamentos, ida a hospital psiquiátrico e crises, decidi consultar outra psicóloga. Após várias sessões, ela, sem conhecimento prévio do meu histórico de busca pelo transtorno do espectro autista (TEA), sugeriu que eu poderia ter muitas características autísticas e que precisávamos investigar. Pronto! Foi como se todas as minhas dúvidas enterradas ressurgissem, e eu fiquei com ainda mais vontade de entender o que estava acontecendo comigo.

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Com muito esforço, economizei dinheiro e consegui uma consulta com um psiquiatra especializado em TEA em adultos. Após discussões e o envio da minha avaliação neuropsicológica anterior, ele finalmente me deu o laudo. E, em letras quase garrafais, eu li: “Você é autista!”. No início, fiquei sem reação. Eu ansiava por respostas, mas, mesmo tendo procurado por elas, não sabia como reagir.

Receber um diagnóstico é como receber uma prova de quinze páginas, junto com todas as respostas. É como ter todas as dúvidas esclarecidas. Ter um diagnóstico é como receber uma autorização para ser você mesma, sem medo de ser excluída, mesmo que isso signifique agir de maneira “esquisita”. É se permitir chorar sem culpas por ser metódica, organizada e desejar solidão quando as pessoas estão rindo alto demais. É entender que está tudo bem recusar convites de amigos para shows, shoppings ou bares porque você se sente sobrecarregada com estímulos demais ao mesmo tempo.

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A felicidade em receber um diagnóstico é como se alguém tivesse chegado até mim e dito: “Agora você não precisa mais se esconder atrás de máscaras com medo de ser excluída”.

A jornada em direção à felicidade, a partir do momento do laudo, envolve me compreender cada vez mais e aceitar a minha própria natureza, sem tentar me encaixar em moldes que não são meus. O autismo não é moda; as pessoas, assim como os profissionais, têm acesso a mais informações sobre o tema, o que tem levado a um aumento significativo nos diagnósticos.

Daqui em diante, espero que muitas pessoas encontrem as respostas que procuram, que busquem o autoconhecimento, com ou sem diagnóstico, e entendam que, independentemente de qualquer laudo, ser quem são e poder mostrar isso aos outros é libertador.

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Jo Melo (@a.jomelo) é mãe, escritora, neuroatípica, editora da revista Mães que Escrevem e autora do livro Hipérboles, premiado na Suíça. (Arquivo Pessoal/Divulgação)

A curadoria dos autores convidados para esta seção é feita por Helena Galante. Para sugerir um tema ou autor, escreva para hgalante@abril.com.br.

Publicado em VEJA São Paulo de 20 de outubro de 2023, edição nº 2864

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