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Às quartas-feiras, Xan Ravelli, musicoterapeuta, especialista em comportamento e inteligência emocional, comunicadora, apresentadora de TV e empreendedora vai dividir com os leitores sua bagagem multifacetada, com reflexões sobre o amor e as relações na pós-contemporaneidade

Términos que não são fracassos

Mas talvez faça todo sentido quando entendemos o tempo não como linha reta, e sim como movimento

Por Xan Ravelli 14 jan 2026, 12h36
Términos que não são fracassos xan ravelli
Términos que não são fracassos, mas recomeços (Freepik/Reprodução)
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Um 2026 lindo pra vocês.

É simbólico, e até provocador, que o texto de início do ano fale justamente sobre fins. Mas talvez isso faça todo sentido quando entendemos o tempo não como linha reta, e sim como movimento.

Para povos ancestrais como incas e egípcios, o tempo não avançava em direção a um ponto final: ele girava. Começos e encerramentos não eram opostos, mas partes do mesmo ciclo. O que termina não desaparece… se transforma. A própria forma circular dos relógios analógicos sugere esse percurso: começo, meio, recomeço.

Talvez por isso o início de um ano seja, para alguns, continuidade; para outros, ruptura; e para muitos, apenas um novo jeito de olhar o que já vinha sendo vivido. Nunca um ponto final.

Nas relações, especialmente nas sexuais e afetivas, fomos ensinados a romantizar a ideia de que só “deu certo” aquilo que dura para sempre. Essa lógica empobrece a experiência humana e violenta os afetos. Relações também são ciclos. Algumas florescem por décadas; outras cumprem sua função em menos tempo. O fracasso não está no fim, está em permanecer quando já não há verdade, cuidado ou possibilidade de crescimento.

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Falar de términos conscientes exige maturidade emocional. E exige, sobretudo, coragem.

Coragem para romper completamente vínculos que adoecem, que violentam, humilham ou anulam — porque sim, há relações que precisam acabar de forma definitiva para preservar a vida. Mas também coragem para reconhecer quando o afeto permanece, mesmo que a forma precise mudar. Coragem para encerrar um capítulo sem rasgar o livro. Para honrar o que foi vivido sem insistir no que já não se sustenta.

Nada disso é simples

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Atravessar um término é um processo complexo, doloroso e que pede elaboração. Transformar alguém que ocupou o lugar de amor sexual e afetivo em outro lugar da vida exige tempo, escuta e cuidado. Exige um novo olhar. E esse deslocamento não acontece sem tropeços.

Falo com propriedade porque estou sendo atravessada por um encerramento importante. Não como decisão impulsiva, mas como um caminho pensado, repensado e amadurecido ao longo de um ano e meio. Um entendimento profundo de que aquela relação já não fazia sentido do modo como existia e que, ainda assim, merecia dignidade.

O desafio tem sido imaginar possibilidades não convencionais de seguir vivendo, respeitando tudo o que foi construído, tudo o que ainda se partilha, inclusive a criação de três filhos, e abrindo espaço para que outras formas de amar possam emergir.

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Términos respeitosos não apagam histórias. Eles reorganizam vínculos, constroem novos acordos, preservam o que é essencial. São recomeços sob outro ângulo.

É fácil? Definitivamente não.

Repensar o afeto a partir de uma lógica de liberdade, entendendo que as faces do amor podem mudar, é um exercício diário feito de erros e acertos. De conversas difíceis, alinhamentos constantes, ajustes de espaço, de tempo e de responsabilidades. De sorrisos e choros. De muito diálogo para que ninguém fique para trás.

Eu confio que o tempo é um grande aliado da sabedoria e da maturidade emocional. E, se o tempo é circular, talvez possamos olhar para os fins com menos medo. Eles não são derrotas. São convites a viver diferente. E, às vezes, aceitar esse convite é o gesto mais amoroso que existe.

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