Turnê do Djavan: a linha do Equador em São Paulo
Motivos para não perder a turnê icônica e inesquecível da Djavan
Haveria de ser em abril, sob o céu de São Paulo, que a saudade de um oceano apertaria mais forte. Djavan está na estrada, e quem conhece o alagoano sabe: ele não faz apenas shows, ele costura o tempo.
Eu, daqui do meu posto de observação paulista, me vi em um dilema geográfico e afetivo. O plano A? Salvador. Minha terra natal, onde o balanço de Djavan parece encontrar o DNA exato das ruas. Ver “Sina” ecoando perto do mar da Bahia é quase uma experiência espiritual.
O plano B? São Paulo, a cidade que escolhi, onde o concreto parece amolecer quando ele toca os primeiros acordes de “Flor de Lis”.
Acontece que a vida adulta é mestre em pregar peças. Entre prazos e compromissos, a agenda em Salvador e em Sampa me deu um baile digno de letra de MPB. Se não dá na capital paulista nem na baiana, o destino deu o xeque-mate. Terei que me render ao Rio de Janeiro. Encaixar as datas no susto, no improviso, porque certas coisas na vida a gente não adia, a gente prioriza.
Se você ainda está na dúvida se deve garantir seu ingresso, aqui estão os motivos pelos quais ficar de fora é um erro crasso:
1. A geometria do som
Djavan é um dos poucos artistas que consegue ser matematicamente preciso e emocionalmente arrebatador ao mesmo tempo. Suas harmonias são complexas (aqueles acordes que desafiam qualquer violonista iniciante), mas o resultado é uma melodia que a gente canta como se fosse a coisa mais simples do mundo. É o triunfo da sofisticação popular.
2. O repertório imortal
Não é apenas uma turnê de “lançamento”. É uma celebração. Estar ali é ter a certeza de que você vai ouvir clássicos que moldaram o caráter romântico de três gerações.
De “Lilás” a “Samurai”, o setlist é um desfile de hinos nacionais que dispensam passaporte.
3. A elegância alagoana
Aos 70 e poucos anos, quase 80, Djavan mantém uma vitalidade invejável. O gingado é o mesmo, a voz continua límpida e a presença de palco é de uma elegância que parece ignorar a passagem das décadas. É uma aula de postura e amor ao ofício.
4. A cura pelo “Bem-Querer”
Vivemos tempos barulhentos. O show de Djavan é um hiato de beleza. É o momento em que a plateia se torna uma só voz, celebrando o que o Brasil tem de melhor, a sua capacidade de criar poesia a partir do cotidiano, do sol e da cor. Pouco importa se estarei na Bahia, no Rio ou na nossa São Paulo. Importa que, onde quer que o palco esteja montado, o “Açaí” terá o mesmo sabor de festa. Nos vemos na estrada. Porque perder Djavan, meu caro, eu não me permito.







