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Todo artista agora quer cantar samba?

De Thiaguinho a Ivete Sangalo, o samba virou território de reinvenção, onde sucesso, pertencimento e cura coletiva se encontram

Por Monique Evelle 19 out 2025, 09h54
ludmilla
Ludmilla se aventura no samba em 'Numanice' (Steff Lima/Divulgação)
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De repente, todo mundo parece querer um projeto de samba. Dá até para desconfiar: será só porque dá dinheiro? Porque já viram que Thiaguinho, com a Tardezinha, lotou estádios, vendeu pacotes e transformou tardes de domingo em um produto multimilionário? Ou porque a Ludmilla, com o Numanice, saiu do circuito pop-funk e conquistou outro patamar de respeito e transversalidade na música brasileira?

A provocação é válida, mas a resposta é mais profunda. O samba cura onde dói. É o gênero que atravessa crises, que sobreviveu a ditaduras, que acompanhou despedidas e celebrações, que embalou amores e revoluções. Não há algoritmo capaz de medir o impacto de cantar um refrão coletivo no meio da roda. O samba, quando acontece, reorganiza corpo e alma.

E talvez seja justamente por isso que tantos artistas, vindos dos mais variados gêneros, estejam buscando nele um espaço de reinvenção. O mundo vive tempos de exaustão, ansiedade e sobrecarga. O público, e também os artistas, precisam de respiro. E o samba oferece exatamente isso: cura coletiva.

Por exemplo, pode uma artista de axé mergulhar no samba? Se pensarmos na trajetória da música brasileira, a resposta é mais óbvia do que parece. Não só pode, como já acontece. Ivete Sangalo fez isso com Clareou. E, ao contrário do que muitos poderiam imaginar, não foi uma ruptura, é continuidade.

O axé music nasceu em Salvador nos anos 80, mas sua raiz sempre dialogou com o samba, com o ijexá, com o carnaval de rua. Se o axé é explosão, o samba é cadência. Se o axé pede multidão, o samba pede roda. São forças diferentes, mas complementares. Quando uma artista de axé se lança no samba, não está “mudando de gênero”, está voltando para a fonte.

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Ivete estreia sua turnê Clareou no dia 25 de outubro, no Jockey Club de São Paulo. Depois, segue para Belo Horizonte (01/11), Rio de Janeiro (22/11), Salvador (30/11) e Porto Alegre (13/12). I

vete no samba não é Ivete fora do axé. É Ivete inteira, mas em outro tom. É a prova de que grandes artistas sabem que, em tempos de ansiedade e fragmentação, o público busca experiências que misturem espetáculo e pertencimento. O axé music leva para a rua, o samba leva para dentro. Ambos, no fim, cumprem a mesma função: criar comunidade.

Então, pode uma artista de axé fazer samba? Não só pode. Deve. Porque o samba não é limite, é convite. É o território onde artistas se reinventam e encontram outra forma de dizer a mesma coisa: que a música, no Brasil, sempre foi feita para curar.

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