Será que foi o acaso que inventou a pipoca? Quase sem querer, um milho superaquecido estourou e encantou. Vestígios arqueológicos de mais de 6 mil anos, encontrados no norte do Peru, dão pistas de que a pipoca já era conhecida pelos povos nativos, e ela foi se espalhando pelas Américas. Quando os espanhóis chegaram ao México, em 1519, encontraram a pipoca não apenas como alimento, mas também como ornamento em cerimônias astecas.
Todo milho vai estourar em algum momento quando aquecido, mas alguns tipos rendem pipocas melhores. Atualmente, há uma variedade específica — Zea mays everta, que chamamos de milho de pipoca — com um interior particularmente rico em amido, o que resulta em uma pipoca ainda mais saborosa. O interior de cada grão é formado por água, amido e gordura, que se expandem com o aquecimento, formando uma espécie de espuma que encontra grande resistência na casca do grão. Em determinado momento, a pressão é suficiente para romper a casca e, nessa explosão, o interior espumoso se expande e se solidifica. Nasce uma pipoquinha!
A primeira pipoqueira foi patenteada em 1893 por Charles Cretors, um empresário de Ohio, nos Estados Unidos. Ele criou o modelo a partir de uma adaptação de uma máquina de torrar amendoim, e sua invenção possibilitou a venda em carrinhos ambulantes — na época, puxados por cavalos —, o que fez da pipoca um sucesso imediato.
Também em 1893, durante a Exposição Mundial de Chicago, os irmãos Frederick e Louis Rueckheim apresentaram uma mistura de pipoca, amendoins e caramelo que daria origem ao famoso Cracker Jack. O produto tornou-se um enorme sucesso e ajudou a transformar a pipoca caramelizada em um dos doces mais populares da cultura americana. Em poucas décadas, ela já estava associada a parques de diversão, feiras e, principalmente, aos jogos de beisebol, eternizada até mesmo na canção Take Me Out to the Ball Game, que menciona os tradicionais “peanuts and Cracker Jack”.
No Brasil, porém, a história tomou um caminho próprio. Em vez da cobertura espessa e crocante do caramelo americano, os pipoqueiros de rua desenvolveram uma versão mais leve, preparada diretamente na panela com açúcar. Em algum momento entre o final do século XIX e o início do século XX, surgiu a característica que a tornaria inconfundível: a coloração vermelha. Eu me pergunto se a inspiração foi a maçã do amor… Na receita da semana, deixei o caramelo na cor natural e o modo de preparo segue o estilo americano. O único detalhe importante é ter muito cuidado com o caramelo, porque ele atinge temperaturas muito altas.
Sucesso nos parquinhos, no cinema e na festa junina, ela é perfeita para deixar a torcida ainda mais animada e te acompanhar em muitos jogos nesta copa.
Confira a receita completa da Pipoca Crocante Caramelo
Para a pipoca:
120 g de milho para pipoca
10 g de óleo (usei de milho)
Estoure a pipoca como de costume, e reserve.
Caramelo:
100 g de água
325 g de açúcar
100 g de Karo ou glucose de milho
70 g de manteiga
5 g de bicarbonato de sódio
Misture água, açúcar, Karo (ou glucose) e manteiga e leve ao fogo em fogo médio, cozinhando até atingir 150 graus ( ponto de bala) . Retire do fogo e despeje o bicarbonato, com cuidado pois a mistura vai ferver. Despeje sobre as pipocas já estouradas mexendo rapidamente para que elas fiquem bem envolvidas no caramelo antes que ele esfrie e endureça. Despeje em uma forma larga untada com óleo e deixe deixe esfriar completamente (para que fiquem crocantes).Guarde em recipiente hermético, (embora elas sejam mais gostosas bem fresquinhas.





