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Otavia Sommavilla é confeiteira especializada em decoração artística de bolos, além de professora, criadora de conteúdo digital e autora de livros. Aos sábados nesta coluna ela vai falar da sobremesa e ampliará o leque, dividindo com os leitores truques e curiosidades sobre a confeitaria, desvendando trends e ensinando receitas desejadas

Bolo de cenoura suíço

Confira como fazer uma versão diferente da sobremesa tradicional

Por Otavia Sommavilla 26 set 2026, 12h00 | Atualizado em 28 set 2026, 12h12
Fatia de bolo de cenoura com cobertura branca e uma pequena cenoura decorativa de pasta americana, em prato branco com borda de bolinhas. Ao fundo, tigela com cenouras frescas sobre toalha listrada.
 (Otavia Sommavilla/Veja SP)
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Bolo de cenoura suíço Priorizar nos meus resultados Google

Quem não gosta de bolo de cenoura? Não é apenas impressão: em um levantamento recente do Google, ele apareceu como o bolo mais buscado pelos brasileiros, e “como fazer bolo de cenoura?” foi a pergunta sobre bolos que mais despertou a curiosidade por aqui. Acho fácil entender o sucesso: É um bolo de casa, de receita conhecida, daqueles que parecem pertencer à memória de todo mundo. Mas basta atravessar o Atlântico para descobrir que a cenoura pode contar outra história: na Suíça, ela se transforma em um bolo que mais parece uma torta, de amêndoas, úmido e delicado. Muito diferente do nosso, mas igualmente irresistível.

Conhecido como Rüeblitorte, a receita vem de um lugar que leva o nome do próprio ingrediente a sério: o cantão de Aargau, apelidado justamente de “Rüebliland”, a terra da cenoura, em reconhecimento à importância histórica do cultivo local. Foi ali, na escola de economia doméstica de Kaiseraugst, que se registrou a receita batizada de Aargauer Rüeblitorte. A primeira versão oficial data de 1892, o que faz do bolo, hoje ícone nacional suíço, uma invenção relativamente recente diante da longuíssima história da cenoura na cozinha.

Porque essa história é mesmo longa. Muito antes de qualquer torta helvética, já circulavam pudins de cenoura pelas cozinhas medievais; um dos primeiros registros escritos aparece num livro de receitas de Bagdá do século X, em que as raízes eram cozidas com mel e óleo de nozes. Em uma época de escassez de açúcar, a cenoura era usada quase como um ingrediente adoçante. A ideia atravessou séculos e fronteiras de maneiras curiosas: um receituário inglês de 1591 já trazia algo parecido com um pudim de cenoura, recheado, no entanto, de fígado, cravo, tâmaras e açúcar, e servido com caldo, quase um prato salgado disfarçado de doce. Só em 1654, em outro livro inglês, a carne finalmente sai de cena e o pudim passa a ser assado dentro de uma massa, aproximando-se do que reconheceríamos como bolo.

O Rüeblitorte, porém, seguiu caminho próprio. Difere do primo americano, denso, com muitas especiarias e coberto de cream cheese, e do brasileiro também: não tem cobertura de chocolate. A receita de Aargau é quase uma torta de amêndoas disfarçada de bolo de cenoura: a farinha se reduz ao mínimo e cede lugar, em boa parte, às amêndoas moídas. Há versões com avelãs, e geralmente são finalizadas com um glacê de açúcar , coroado por cenourinhas de marzipã.

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Apesar da enorme distância entre suas origens, os dois compartilham uma coisa importante o lugar que conquistaram, na cozinha de casa. Se por aqui, o bolo de cenoura é um fenômeno de buscas, na Suíça o Rüeblitorte é uma tradição culinária das mais sólidas e que sempre aparece entre os favoritos do pais.

Como fazer o Bolo Suíço de Cenouras 

5 ovos

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300 g de açúcar comum

300 g de farinha de amêndoas

280 g de cenouras cruas raladas na parte fina do ralador ( aproximadamente 2 cenouras médias )

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60 g de farinha de trigo

5 g de fermento em pó ( 1 colher de chá)

1 pitada de sal

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Separe claras e gemas. Preaqueça o forno a 180 graus.Coloque as gemas em uma tigela, junte o açúcar e bata com a batedeira até ficar bem espesso, cremoso e aerado, com uma cor amarela pálida. Junte as cenouras, e mexa. A principio pode parecer que algo está errado, mas as cenouras começam a soltar água e a mistura fica mais homogênea. Junte também a farinha de amêndoas e a farinha de trigo previamente mistura com o fermento e a pitada de sal. Não bata a massa neste momento, apenas misture para homogeneizar. Separadamente , em uma tigela seca e limpa, bata as claras com a batedeira até ficarem em ponto de neve, bem aeradas e leves. Misture delicadamente à massa de cenouras, e despeje em uma forma de 22 a 24 cm de diâmetro, untada e enfarinhada. Leve ao forno preaquecido, e asse por aproximadamente 45 minutos, ou até que esteja crescido e dourado.

Retire do forno, deixe esfriar 10 minutos, desenforme e deixe esfriar totalmente.

Acabamento:

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50 g de geleia de damasco

100 g de açúcar impalpável ou de confeiteiro

20 ml de leite

gotas de limão

Assim que o bolo esfriar, pincele com a geleia de damasco. Em seguida, misture o açúcar e o leite , obtendo um creme bem espesso. Se estiver muito grosso, acrescente mais leite, bem aos poucos. Aromatize com gotas de limão, e despeje de forma decorativa no topo do bolo. Se desejar, enfeite com uma cenoura de marzipã.

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