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Macunaíma de Mário de Andrade é revisto por artistas indígenas em mostra na Pinacoteca

Os mais de 100 itens em cartaz buscam ressignificar o personagem, que teria sido inspirado em Duwid

Por Ana Mércia Brandão 4 abr 2026, 08h00
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'Makunaima conversa com o espírito do caxiri nos pés de batata roxa' (2023), de Gustavo Caboco (Divulgação/Divulgação)
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Um dos romances fundamentais do modernismo brasileiro, Macunaíma – O Herói sem Nenhum Caráter (1928), de Mário de Andrade (1893- 1945), conta a história do personagem-título, o herói mentiroso, preguiçoso e boca-suja, nascido na Amazônia, e entendido como uma alegoria para a formação racial do Brasil. Agora, a nova exposição da Pinacoteca, Macunaíma é Duwid, busca ressignificar essa figura, que teria sido inspirada em Duwid — força criadora do mundo nas tradições de alguns povos indígenas.

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Re-Antropofagia (2018), de Denilson Baniwa (Divulgação/Divulgação)

Ao todo, são mais de 100 itens, entre pinturas, gravuras, esculturas e documentos, distribuídos no quarto andar da Pina Estação. A curadoria é do artista e ativista indígena Gustavo Caboco. Há obras dele, bem como de outros artistas indígenas, como Denilson Baniwa, e integrantes das etnias Wapichana, Makuxi, Tauperan, Akawaio e Patamona.

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Alguns trabalhos foram comissionados pela Pinacoteca, por meio do grupo de estudos Ajuri, formado no segundo semestre de 2024. Concebido por Caboco, o grupo reuniu pensadores, artistas, pesquisadores e ativistas indígenas de Roraima, com o objetivo de definir conceitualmente a exposição.

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Em diálogo, a mostra exibe desenhos realizados pelo próprio Mário de Andrade, e outros que tematizam a colonização, como Evangelho nas Selvas (1893), de Benedito Calixto, e A Primeira Missa (2021), de Luiz Zerbini.

Pina Estação. Largo General Osório, 66, Santa Ifigênia, ☎ 3335-4990. → Qua. a seg., 10h/18h (entrada até 17h). R$ 40,00 (sáb., grátis). Até 13/9.

Publicado em VEJA São Paulo de 3 de abril de 2026, edição nº 2989.

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