Macunaíma de Mário de Andrade é revisto por artistas indígenas em mostra na Pinacoteca
Os mais de 100 itens em cartaz buscam ressignificar o personagem, que teria sido inspirado em Duwid
Um dos romances fundamentais do modernismo brasileiro, Macunaíma – O Herói sem Nenhum Caráter (1928), de Mário de Andrade (1893- 1945), conta a história do personagem-título, o herói mentiroso, preguiçoso e boca-suja, nascido na Amazônia, e entendido como uma alegoria para a formação racial do Brasil. Agora, a nova exposição da Pinacoteca, Macunaíma é Duwid, busca ressignificar essa figura, que teria sido inspirada em Duwid — força criadora do mundo nas tradições de alguns povos indígenas.
Ao todo, são mais de 100 itens, entre pinturas, gravuras, esculturas e documentos, distribuídos no quarto andar da Pina Estação. A curadoria é do artista e ativista indígena Gustavo Caboco. Há obras dele, bem como de outros artistas indígenas, como Denilson Baniwa, e integrantes das etnias Wapichana, Makuxi, Tauperan, Akawaio e Patamona.
Quais os dias gratuitos nos museus de São Paulo? Confira lista
Alguns trabalhos foram comissionados pela Pinacoteca, por meio do grupo de estudos Ajuri, formado no segundo semestre de 2024. Concebido por Caboco, o grupo reuniu pensadores, artistas, pesquisadores e ativistas indígenas de Roraima, com o objetivo de definir conceitualmente a exposição.
Em diálogo, a mostra exibe desenhos realizados pelo próprio Mário de Andrade, e outros que tematizam a colonização, como Evangelho nas Selvas (1893), de Benedito Calixto, e A Primeira Missa (2021), de Luiz Zerbini.
Pina Estação. Largo General Osório, 66, Santa Ifigênia, ☎ 3335-4990. → Qua. a seg., 10h/18h (entrada até 17h). R$ 40,00 (sáb., grátis). Até 13/9.
Publicado em VEJA São Paulo de 3 de abril de 2026, edição nº 2989.







