Denilson Baniwa reinterpreta imagens da colonização em exposição em SP
"Questiono que narrativas importam para o mundo contemporâneo ocidental", diz o artista
Em Denilson Baniwa: Yawara Akanga, o artista amazonense dá continuidade à sua pesquisa sobre a presença não indígena na região do Rio Negro e no território amazônico, em dez obras inéditas feitas em 2025 com fibra de tururi, um material natural com aspecto de papel retirado da palmeira Ubuçu.
Indígena do povo Baniwa, Denilson reúne, em seus trabalhos, linguagens e representações ligadas à química e à medicina, diferentes maneiras de observar o cosmos e narrativas sobre a origem do mundo. Eles são criados a partir da reinterpretação de imagens, vindas, por exemplo, de arquivos fotográficos de internatos católicos e missões salesianas em aldeias.
“Tenho ido a muitos museus fora do país com itens de populações indígenas da minha região e de outras regiões do Brasil. Para esses museus afora, esses objetos servem como índice de uma conquista, de uma mudança radical nessas comunidades indígenas a partir do contato com a sociedade ocidental”, conta Baniwa. E reflete: “Por outro lado, esses mesmos museus na Europa e nas Américas, quando querem tratar de uma sociedade moderna, usam a arte europeia como referência dessa superioridade intelectual e funcional. Isso me faz questionar que narrativas importam para o mundo contemporâneo ocidental. E me faz pensar sobre que parte da cultura dos povos indígenas foi subtraída e adaptada ao mundo ocidental.”
Baniwa foi um dos curadores do Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza 2024. A Gentil Carioca. Travessa Dona Paula, 108, Higienópolis, ☎ 3231- 0054. →Seg. a sex., 10h/19h. Sáb., 11h/17h. Grátis. Até 23/5.
Publicado em VEJA São Paulo de 24 de abril de 2026, edição nº 2992.







