Mag, primeiro restaurante do chef Pedro Pineda, é inspirado no Bom Retiro
Com passagens por endereços como Mila, Beverino e Domo, o cozinheiro escolheu o tradicional bairro para instalar seu negócio. Leia a crítica

Pedro Pineda é um chef a se prestar atenção. Embora seja um jovem de 31 anos (completa 32 no dia 23), sua trajetória começa a decolar quando ele ingressou no Esquina Mocotó, como aprendiz, em 2013.
Da extinta casa de Rodrigo Oliveira na Vila Medeiros, o cozinheiro pôs o pé na estrada e se bandeou para a Itália, país que julga essencial em sua formação, onde ficou entre 2017 e 2018.
De volta ao Brasil, teve uma passagem pelo bar de vinhos Beverino, na Vila Buarque, e brilhou no italiano Mila. Antes de abrir o Mag, nome inspirado por Magnólia, composição de Jorge Ben Jor, revisou o menu da cafeteria Takkø e criou o cardápio de estreia do Domo, bar revelação pelo COMER & BEBER 2023.

Pela primeira vez em voo-solo no próprio restaurante, montado em um imóvel do Bom Retiro, que, ele conta, “estava devastado” e, no passado, abrigou uma confecção e, anteriormente, foi uma fábrica de testes para bombas hidráulicas, Pineda brilha.
Ele criou um menu inspirado pelo bairro, que num passado distante foi ocupado por italianos e espanhóis, posteriormente por judeus da Europa Central e de Leste e, mais recente, por coreanos e bolivianos. Ou seja, uma mescla de tudo.
E é difícil achar desequilíbrios nos pratos expedidos no agradável salão com cozinha aberta, desenhado pelo arquiteto Marcelo Maia Rosa.
A refeição pode ser aberta pelo mix de cogumelos grelhados com cucurbitáceas (leia-se pepino crocante e maxixe) de toque defumado mais um vinagrete de pasta de gergelim com pimenta coreana gochujang beeem picante (R$ 49,00).
Deliciosamente temperado com raiz-forte, o purê de batata vem embaixo do peixe cru (olhete na minha visita) marinado em leite de tigre ao estilo andino com cebola-roxa e coentro (R$ 65,00).
Versão do tartare, a carne crua com maionese da casa, vinagrete ardido e milho andino estourado por cima (R$ 65,00) é preparada com coxão-mole de wagyu. De companhia, recebe o beigale de gergelim, pão fornecido pelo Empório Brasil-Israel, tradicional naquele pedaço.
O reduzido cardápio traz como pratos principais opções como a moqueca mista de peixe, mexilhão, lula e camarão cozidos no leite de coco com pimentão, tomate e cebola na companhia de farofa de dendê e arroz (R$ 95,00).

Tem também o bife de acém de wagyu bem malpassado ao molho de porco, frango e jerez com queijo de coalho tostado, farofa e salada (R$ 129,00), mais firme e ideal para quem gosta de exercitar o maxilar como eu.
Se há um retoque a fazer, é a repetição da mesma farofa nos dois pratos — ela não casa tão bem com a carne.
No arremate, pudim de tahine de consistência mais firme com creme batido fresco e puxuri polvilhado por cima (R$ 25,00). Doce dos bons. Antes de começar tudo, vale provar um dos drinques criados por Luiz Felippe Mascella, dos bares Regô e Terê.
Avaliação: ÓTIMO (✪✪✪✪)
Mag
Rua Afonso Pena, 371, Bom Retiro, telefone 98426-9961. 18h/22h45 (sáb. também almoço 12h30/16h30; fecha seg. e ter.). Tem acessibilidade.
Publicado em VEJA São Paulo de 17 de janeiro de 2025, edição nº 2927.
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