Avatar do usuário logado
Usuário
Imagem Blog

Blog do Lorençato

Por Arnaldo Lorençato Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
O editor-executivo Arnaldo Lorençato é crítico de restaurantes há mais de 30 anos. De 1992 para cá, fez mais de 16 000 avaliações. Também comanda o Cozinha do Lorençato, programa de entrevistas e receitas no YouTube. O jornalista é professor-doutor e leciona na Universidade Presbiteriana Mackenzie

Chef Ivan Achcar abre o Alma Cozinha em Perdizes

Talvez você já tenha passado em frente ao Alma Cozinha (Rua João Ramalho, 1489, Perdizes, tel. 2835-1108). Talvez tenha tido a curiosidade de entrar e ver o que tem naquele ponto. Embora já esteja praticamente pronto, o chef Ivan Achcar, que montou o lugar com o sócio, o baterista Caio Mancini, não tem pressa em […]

Por Arnaldo Lorençato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 dez 2013, 19h34 • Atualizado em 26 fev 2017, 23h06
Alma_Ivan_Achcar-mesa_arnaldo lorencato 111
Alma_Ivan_Achcar-mesa_arnaldo lorencato 111 (/)
Continua após publicidade
  • Achcar: "durante o dia, funcionaremos como empório" (Fotos: arquivo pessoal)

    Achcar: “durante o dia, funcionaremos como empório” (Fotos: arquivo pessoal)

    Talvez você já tenha passado em frente ao Alma Cozinha (Rua João Ramalho, 1489, Perdizes, tel. 2835-1108). Talvez tenha tido a curiosidade de entrar e ver o que tem naquele ponto. Embora já esteja praticamente pronto, o chef Ivan Achcar, que montou o lugar com o sócio, o baterista Caio Mancini, não tem pressa em abrir duo de restaurante e empório. A data prevista é 15 de janeiro.

    Esse novo projeto de Achcar, conhecido pelo trabalho elaborado no Café Journal e, em especial com cozinha brasileira, no Casa da Fazenda do Morumbi, ocupa uma antiga garagem e se parece com um corredor estreito. “O Caio, meu amigo de infância e parceiro da vida toda, é dono do prédio onde fica o Alma Cozinha. Ocupamos o espaço de uma garagem”, explica Achcar. Na proposta do chef para os 34 assentos, nada de se assemelhar a lugares “emperiquitados”. Ele não quer toalhas de linho, taças de cristal austríaco e menus indecifráveis. “O Alma Cozinha é algo como uma taverna ou um inferninho gastronômico”, revela Ivan, também jurado do Cozinheiros em Ação, programa de Olivier Anquier, no canal pago GNT – por coincidência, do qual tive que desistir da participação como membro do júri por incompatibilidade de agenda – quem sabe em outra temporada.

    Continua após a publicidade

    Entre as curiosidades do Alma Cozinha — não confundir com o Alma María, extinto espanhol dos Jardins onde hoje está o Mozza — está a dupla identidade. Durante o dia, o lugar, que tem móveis projetados e executados pelos sócios, deve funcionar como armazém. Nas estantes alinhadas em uma das paredes, encontram-se vinhos e azeites para comprar e levar para casa. Em breve, esses produtos devem dividir o espaço com pimentas, temperos e cachaças aromatizadas, além de itens de elaboração do próprio restaurante.

    Nesta fase inicial, abrirá à noite, de terça a sábado, com opções à la carte e um menu degustação de três ou quatro pratos. A água filtrada será cortesia. Ainda na seção líquidos que abrandam nossa sede, haverá vinhos, cervejas e refrigerantes caseiros. Também dará para pedir coquetéis como o spritz de verão, mistura de aperol e soda de maracujá, laranja e cenoura. A princípio, os domingos estarão reservados para matinês com hambúrguer de fraldinha e fritas (o chef jura que o preço será de R$ 22,00). Tudo embalado por trilha sonora composta de blues e jazz.

    Como Achcar não para, ele tem mais um projeto andamento para o mesmo ponto. “Será um bar e restaurante de almoço com uma chapa grande e cerveja de garrafa. A comida, ainda estou trabalhando nela. Temos muitas ideias não finalizadas”, adianta.

    Continua após a publicidade

    Restaurante: na primeira fase, servirá apenas para o jantar

    Alma Cozinha: na primeira fase, servirá apenas jantar durante a semana

    Veja a seguir a entrevista que fiz com Achcar:

    Qual foi o investimento no Alma Cozinha?

    Até agora investimos uns 250 mil reais. Parece piada (risos). É um investimento baixo porque nós fizemos quase tudo. Muito da marcenaria foi feita aqui com minhas máquinas por mim e pelo Caio. Também tivemos ajuda de grandes amigos. A luz foi criada pela Rubia Chedid, o logo pelo Pipo Calazans. Na decoração, tivemos a ajuda da Ana Galante e, na obra, da arquiteta Vivian Amarante. São grandes profissionais que pagamos com cerveja gelada e boas risadas.

    Continua após a publicidade

    Por que um restaurante em Perdizes?

    O ponto é uma garagem em um prédio de esquina que pertence ao Caio. Mas o que nos interessou foi a expansão do bairro, muitos prédios de alto padrão aparecendo e uma cena de bares e restaurantes crescente. A localização é muito bacana e acreditamos que nos próximos anos Perdizes se tornará uma das protagonistas [gastronômicas] de São Paulo. Além disso, os custos de aluguel ainda são possíveis aqui.

    Qual a linha de cozinha?

    Pois é!  Essa pergunta é sempre difícil de responder. Nunca consigo me encaixar nos modelos existentes, mas vou tentar explicar. Há tempos, trabalho com cozinha brasileira, mais especificamente a cozinha do estado de São Paulo, quase sempre com interpretações próprias. O que mais me atrai são as cozinhas crioulas de Sampa, as transformações e as adaptações feitas pelos imigrantes que poderem executar suas receitas em terra estrangeira. Daí, os árabes, os italianos, os espanhóis, os portugueses, os japoneses e outros em menor escala que contribuíram para uma cultura alimentar específica da cidade e bem diferente dos seus países de origem, mas sem deixar para trás suas referências. Me inspiro nisso e uso essas referências para cozinhar. Assim, quando faço quibe de festa, em vez de nozes, uso amendoim (como aprendi com um libanês do interior do estado que não tinha acesso a nozes). O quibe de peixe assado, para a Páscoa, vira um quibe cru de bonito. O sashimi feito pelos imigrantes japoneses do Oeste Paulista, de peixe de água doce, leva limão e é cortado bem fino, além de ter ganhado companhia de cebola e repolho quando foi assimilado pelos pescadores. No Alma, estabeleço paralelo com a cozinha peruana e sirvo o prato em uma pedra com doce de batata-roxa. Para mim, fica evidente o paralelismo que aconteceu em relação a esse prato e o tiradito e o ceviche e os sashimis de peixe beira de rio e de pescador, apesar de haver os Andes entre esses dois territórios – Brasil e Peru. É muito louco pensar nisso. Estou evoluindo essas ideias!

    Tem uma cópia do primeiro menu com preços?

    Não, mas tenho alguns pratos finalizados. Entre os petiscos, terei o pão toscano com manteiga batida misturada a iogurte e queijo da casa com zátar, o bolinho de angu com galinha caipira e o pastel de pernil de estádio. Cada um deles custará R$ 18,00. Das entradas, o sashimi do pescador levará tilápia, limão, redução de shoyu, gengibre, wassabi e repolho/doce de batata-roxa para limpar o palato. Também sem preço definido, o cabrito desfiado no arroz com mexilhões é um prato que já comi em muitos lugares do mundo. Acho que cai bem essa combinação de mar e montanha não muito explorada na cultura geral paulista. Poderia ser típica de Ilhabela.

    Qual a proposta de abrir só no jantar?

    É um empreendimento que pretende desenvolver um formato próprio. Durante o dia, será uma loja de vinhos e de produtos de gastronomia que estão sendo desenvolvidos aqui mesmo. Acredito, pelas minhas experiências profissionais, que uma casa que não é especialista em almoços gera prejuízo neste turno. Então, substituímos o almoço pela loja.

    Continua após a publicidade
    Alma Cozinha: antiga garagem transformada em restaurante e armazém fino

    Ambiente apertadinho: antiga garagem transformada em restaurante e armazém fino

    Obrigado pela visita. Aproveite para deixar seu comentário, sempre bem-vindo, e curtir a minha página no Facebook.

    Quer saber onde almoçar ou jantar hoje? Clique aqui

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.
    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas
    Impressa + Digital no App
    Impressa + Digital
    Impressa + Digital no App

    Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.

    Assinando Veja você recebe semanalmente Veja SP* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
    *Assinantes da cidade do SP

    A partir de 29,90/mês