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Volta do horário de verão? Empresários e crise no setor elétrico pressionam por mudança

Apoiadores de Jair Bolsonaro, defensor do fim do horário, têm se mostrado favoráveis ao retorno da medida

Por 15 jul 2021, 20h32 | Atualizado em 5 jun 2026, 07h01
Imagem mostra Bolsonaro, de terno e gravata, olhando para câmera em estúdio de TV, enquanto grava pronunciamento
Pronunciamento do presidente da República, Jair Bolsonaro em rede nacional de rádio e televisão (Isac Nóbrega/ Agência Brasil/Divulgação)
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O horário de verão foi extinto por Jair Bolsonaro em abril de 2019. Na época, o presidente afirmou que a medida, que foi adotada pela primeira vez por Getúlio Vargas (1882-1954), não economizava energia.

No último dia 6 de julho, Bolsonaro voltou a defender a medida, afirmando que “o horário de verão foi comprado que não tem ganho financeiro e a maioria é contra porque mexe no relógio biológico”, disse para apoiadores no Palácio do Alvorada.

Reportagem da BBC Brasil, no entanto, apontou que empresários que costumam apoiar o presidente estão pedindo a volta do horário de verão. É o caso de Luciano Hang, da Havan. “O fato de ganharmos uma hora durante o dia faz com que a roda da fortuna gire mais e influencia positivamente toda economia, principalmente setores importantes, como o turismo, bares, comércios, restaurantes e automaticamente gera mais empregos também nas indústrias”, escreveu ele no Instagram.

No fim de junho, empresários de setores como o turismo e de bares e restaurantes encaminharam uma carta para Bolsonaro pedindo a volta do horário de verão ainda em 2021. No texto, eles afirmavam que a presença de uma hora a mais de claridade no fim da tarde impactava positivamente os negócios, o que seria bem-vindo durante a pandemia de Covid-19, que afetou drasticamente o faturamento das empresas do setor.

Em entrevista para a BBC, o economista Claudio Frischtak, da consultoria Inter.B e especialista em infraestrutura, afirma que o governo errou com a medida. “Essa foi uma decisão arbitrária. Sequer faz sentido tomar uma decisão dessas com base em pesquisa de opinião, pois uma decisão de política pública deve ser calcada em evidências. Estima-se que o horário de verão pode reduzir em até 4,5% o consumo de energia no segundo pico do fim de tarde”, disse.

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De acordo com Frischtak, existem dois picos de energia no verão: um no meio da tarde, por conta do ar condicionado, e outro no horário em que as pessoas chegam em casa.

Para o professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador do Gesel (Grupo de Estudos do Setor Elétrico), Nivalde de Castro, a volta do horário de verão é imprescindível por conta da crise energética. “Há dois anos, o equilíbrio entre oferta e demanda de energia estava tranquilo, então uma economia de 2% a 3% do consumo não era tão imprescindível”, diz Castro.

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“Mas, atualmente, estamos enfrentando problemas para atender a demanda de energia elétrica justamente na hora em que escurece. Diante da crise hidrológica deste ano, o horário de verão faz todo sentido, porque ele evita um consumo a mais, do que numa situação em que não haja horário de verão”, apontou para a BBC Brasil.

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